Shackleton, liderança atual 103 anos depois.

O que é uma tarefa difícil? Como uma história centenária de liderança e sobrevivência faz repensar o que é realmente dificuldade.

Começo essas linhas nos minutos finais de um dia 21 de novembro, pensando como acontecimentos de 1915 podem inspirar, mais de cem anos depois.

Em 21 de novembro de 1915 o navio “Endurance” naufragou, esmagado pelo gelo nas águas geladas do Mar de Weddell, na Antártida. Estava preso no gelo compacto desde o dia 7 de dezembro do ano anterior. No dia 27 de outubro seus tripulantes foram obrigados a deixar o navio, pois a embarcação “começou a fazer água”. Estavam distantes quase dois mil quilômetros da civilização, sem meios de comunicação ou esperança de socorro. As atenções do mundo estavam voltadas para a Primeira Grande Guerra. Para sobreviver a tripulação do “Endurance” tinham uns aos outros e a liderança do inglês Ernest Shackleton.

Era uma exploração cientifica e foi interrompida com o naufrágio. Porém, aquela equipe conseguiu um feito muito maior. Depois de 19 meses, suportando temperaturas de até 21 graus negativos, tendo como alimento pinguins, cães e focas, todos os 27 membros da tripulação sobreviveram, não só em boas condições físicas como em bom estado emocional. Foram resgatados entre maio e agosto de 1916. Os relatos e os diários dos tripulantes creditam isso à capacidade de liderança de Shackleton.

Shackleton não deixava que os homens perdessem o senso de humor. Um banjo, sessões musicais, jogos de cartas e refeições fartas eram utilizadas para levantar o moral. É impressionante olhar as fotos deles jogando futebol no gelo.

Shackleton não perdia tempo nem energia se lamentando. Forçava os homens a esquecerem o passado e se concentrarem naquilo que precisavam para sobreviver. Quando o navio afundou, ele disse: “o navio e os estoques se foram, portanto agora vamos voltar para casa”.
Muitos biógrafos detalham a arte de comandar em situações de crise e o perfil de liderança de Shackleton. Sempre que alguém fala em “tarefa difícil”, penso que difícil é ficar quase 2 anos preso no gelo e sair vivo, com toda a equipe sobrevivendo. Se sempre acreditei que o bom humor é alimento para o sucesso, a história do “Endurance” só reforçou essa linha de pensamento.

Esse ponto está presente desde o recrutamento e seleção de sua tripulação. Além das habilidades e experiência, buscava otimismo e bom humor nas pessoas que contratava. Fornecia a melhor remuneração e melhor equipamento possível. Buscava criar um espírito de camaradagem. Certamente ele sabia o perigo que representa uma pessoa tóxica no time. Era habilidoso ao acabar com desentendimentos, mantendo os descontentes junto a si. Pregava otimismo, liderava pelo exemplo, com integridade e ajudava cada um a usar ao máximo seu potencial.

Shackleton não conseguiu atingir o objetivo de sua missão. A história mostra que conseguiu algo muito maior, não planejado, capaz de inspirar gerações, deixando um legado.

No dia a dia encontramos situações difíceis. Mas será que são tão difíceis assim? Algumas vezes a lição aprendida em um aparente fracasso é mais valiosa do que o objetivo inicialmente planejado e orienta para vitórias muito maiores.

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