Setor de móveis aposta na inovação para chegar ao mercado externo

Investir em algo diferenciado, com as características do Brasil, pode levar ao sucesso do produto nacional no mercado externo

“Quem quer exportar precisa pensar em inovação.” O recado foi dado pelos participantes da mesa redonda que debateu a experiência do móvel brasileiro no mercado internacional, durante o Seminário Abimóvel de Exportação, realizado em São Paulo.

Para empresários do setor, é fundamental buscar investir em algo diferenciado e explorar a brasilidade - com elementos de luz, cores, alegria - para atrair compradores estrangeiros. “Temos várias caras, culturas diferentes, e temos de tirar proveito desse perfil. O Brasil é multifacetado. Acho fundamental que um produto tenha a sua própria história. O produto sem alma é o produto chinês”, defendeu o designer e empresário Pedro Franco, durante palestra.

No cenário internacional, o Brasil é responsável por 0,5% do mercado mundial de móveis, ocupando a 32ª colocação, o que permite concluir existir um mercado amplo para ser explorado na visão do presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), Daniel Lutz.

De acordo com o executivo, uma das grandes dificuldades para aumentar a participação do País no mercado externo, mesmo com a moeda mais favorável às exportações, é a questão da credibilidade por parte dos compradores pela instabilidade econômica. Segundo Lutz, tal barreira tem sido trabalhada em conjunto com outros fatores que permitem agregar valor ao produto nacional.

O preço também é outro obstáculo. Lutz explica que em projetos exclusivos, em que não se tem base para comparação, o preço final da peça não afeta as negociações. Porém, no caso de móveis de concorrência com produção mundial, o País perde competitividade em razão do Custo Brasil, da burocracia e de normas que criam dificuldades para a indústria, seja no aspecto tributário ou no trabalhista.

A perspectiva do setor é que o comércio com outros países cresça entre 2% e 3% até 2016. Para Lutz, o caminho está aberto pela cotação favorável da moeda e pelas diretrizes do Plano Nacional de Exportações.

O setor registrou sucessivas quedas desde 2001, quando as vendas externas estavam em US$ 1 bilhão. Hoje, as exportações nacionais situam-se entre US$ 500 e US$ 600 milhões/ano.

No geral, a produção brasileira de móveis é direcionada para o mercado interno - menos de 10% do que é produzido é exportado -, mas especialistas consideram que pela alta do dólar seja possível ativar as vendas.

Entre janeiro e maio de 2015, as exportações do setor foram de US$ 250,1 milhões, recuo de 7% em relação a 2014. Do valor total, 20,8% tiveram os Estados Unidos como destino (crescimento de 21% em relação ao mesmo período de 2014). Já as exportações para a Argentina, que eram de 18,9% em 2013, 14,5% em 2014, caíram para 11,5% no período avaliado.

Em termos de participação, a China aparece como a principal origem das importações brasileiras (com 37,8%), seguida por EUA (13,7%) e Coreia do Sul (6,2%). Os três países somam 60% da pauta importada em dólares.

O detalhamento do comércio exterior divulgado pela Abimóvel mostra que os principais Estados exportadores de móveis do Brasil, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, respondem por 33,7% e 30,9%, respectivamente. Merece destaque ainda o Paraná, que participa com 13,6% das exportações totais. Segundo o relatório, tais números reforçam a hegemonia da região em relação à exportação de móveis, uma vez que os três Estados somam 75% do total comercializado.

Já o Estado de São Paulo é responsável por mais da metade das importações, com 52,7%, de acordo com dados de janeiro a maio de 2015.

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