Seremos 9 bilhões. E agora, José?

O ano de 2050, deve ser pensado já, sim, e sem ufanismos ou histerias, pois nossas futuras gerações precisarão de muita tecnologia para poder colher mais, em menos espaço e em menor tempo

É fato. A população mundial irá crescer dos atuais 7 bilhões de habitantes para mais de 9 bilhões em 2050. Teremos mais países ricos e mais pessoas com maior poder aquisitivo. Todos precisaremos nos alimentar. E não pára por aí. A população urbana mundial irá aumentar. No Brasil, deixará de representar 86% para 94% da população. Onde há terra, existirão cidades, grandes aglomerados urbanos e muita gente, muito consumo, muita demanda. Por tudo. Haverá menos água e menos mão de obra qualificada no campo.

O ano de 2050, deve ser pensado já, sim, e sem ufanismos ou histerias, pois nossas futuras gerações precisarão de muita tecnologia para poder colher mais, em menos espaço e em menor tempo.

As atuais tecnologias são muito caras e velozes. Os maquinários se tornam obsoletos antes mesmo de terem seus financiamentos quitados. Obsolescência programada? E o que está guardado nas gavetas, a sete chaves, das grandes multinacionais para que o mercado possa absorver de imediato? Daqui a um ano? Ou quem sabe nos próximos 35 anos?

Sementes mega precoces high tech que se desenvolvem com menos água e não promovem a degradação do solo, permitindo seu uso, sem novas traumáticas e demoradas correções antes de um novo plantio? Legislações sobre a ética dos transgênicos estarão em vigência? Estaremos culturalmente prontos? Sem nos esquecermos das mudanças climáticas, considerando este, como fator imprescindível para o desenvolvimento de qualquer plantio.

Estrutura logística poderá ser um fator decisivo. Plantar, colher e transportar, reduzindo perdas e otimizando custos. Bem como a postura dos países produtores em se posicionarem na vanguarda das regras do jogo. Ditando o ritmo, beneficiando os produtos in natura e agregando valor, promovendo uma cadeia produtiva saudável e rentável a todos os participantes.

Agricultura orgânica, agricultura familiar e de subsistência como conhecemos hoje, talvez sejam conceitos desconhecidos pelas gerações futuras, quando o perfil da composição do setor produtivo deixar de ser do pequeno produtor rural para grandes empresas agrícolas globalizadas.

Enfim, quando um canal de TV por assinatura, ao promover seu conteúdo, disparava dezenas de perguntas em um curto espaço de tempo e dizia: “ O que move o mundo não são as respostas, e sim as perguntas”, foi extremamente feliz em sua colocação. De fato é assim, perguntando, que procuramos respostas, novas perguntas ou ainda certezas inexoráveis.

Até que se tornem refutáveis e qualquer certeza de hoje, seja a nova dúvida de amanhã.

Parafraseando Drumond de Andrade, nos fica a reflexão de ‘E agora, José’ nos versos, que seguem:

“...Com a chave na mão,

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?”

E agora, que a festa acabou e o dinheiro também, o que será do futuro que logo ‘se’ vem?

Hein José?!

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