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Será que o treinamento técnico precisa ser extenso e cansativo?

Como um treinamento técnico pode ser engajador com a implementação de algumas características da educação corporativa

(*) Por Pierre-Jean Quetant
Muito se fala sobre o quanto a prática de treinamento técnico é mais eficiente quando fatores como engajamento, ownership e autonomia estão entre as características da educação corporativa na formação dos participantes.

O que fazer, no entanto, para manter a educação corporativa ligada a esse conceito com as restrições impostas por órgãos regulatórios?

À primeira vista, isso pode parecer uma condição limitante para o engajamento das pessoas no treinamento técnico. No entanto, as ações desses órgãos de validação, auditoria e certificação das formas de trabalho não precisam ser vistas como barreiras que tornam o treinamento tedioso, afinal, elas são importantes para estabelecer padrões de qualidade.

Confira no artigo como é possível desenvolver tudo o que é relacionado ao treinamento técnico de maneira atrativa e aproveitar as características da educação corporativa que tornam a assimilação de conteúdos mais dinâmica, mesmo com normatizações.

Uso de elementos que tornam o treinamento técnico mais dinâmico
Um treinamento técnico possui, geralmente, um padrão preestabelecido. É comum que seu formato seja mantido e seguido à risca por causa de determinações de órgãos regulatórios. Realizar o treinamento técnico de modo tradicional, considerando que são conteúdos mais técnicos e densos, tende a tornar o aprendizado cansativo e extenso.

Nesse contexto, as características da educação corporativa capazes de fazer com que o treinamento técnico desperte o interesse dos participantes são o storytelling e a gamificação. Vamos entender melhor a utilização de cada um deles?

Com o storytelling, o treinamento técnico ganha um enredo
O storytelling é a primeira das características da educação corporativa que favorece a melhoria de um treinamento técnico. É um método que permite a construção de uma narrativa por meio de uma história que contextualiza o conteúdo em situações expostas de maneira facilmente compreensível.

Propondo a associação de questões do treinamento técnico ao ato de contar histórias de uma maneira envolvente, os participantes tendem a se interessar pelo seu progresso e posterior desfecho. É aí que a segunda das características da educação corporativa entra em cena e a gamificação ganha forma.

O storytelling é mais do que contar uma simples história! É criar um enredo com ritmo e conexões que, além envolver os participantes, também os desafiam nas competências que eles juram dominar.

Gamificação: quem disse que o treinamento técnico não pode ser lúdico?
Antes de falar sobre outra das características da educação corporativa, é importante evidenciar que o uso da gamificação aqui não se trata apenas de “incluir jogos no treinamento técnico”. É um método de promover o engajamento por meio de recursos de pontuação (competindo ou cooperando entre si), em desafios propostos durante o treinamento técnico.

Em conjunto com o storytelling, a gamificação leva os participantes do treinamento técnico a interagirem com as trilhas de aprendizagem de uma forma inovadora, mais inclinada à criatividade nos procedimentos de solução. Com essas características da educação corporativa, os colaboradores são protagonistas da narrativa, não meros ouvintes, e essa percepção por parte da equipe é muito efetiva para motivá-los.

Na prática, como incluir isso no treinamento técnico?
Um belo exemplo é um case que fizemos recentemente aqui na Learning Tribes. Uma empresa de aviação precisava realizar um treinamento técnico digital a cada dois anos, seguindo uma determinação da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), órgão regulatório das empresas desse ramo. Os conteúdos já tinham uma base predeterminada.

Para engajar os participantes e manter o comprometimento, foi criada uma versão do treinamento técnico com a proposta de um desafio, usando as características da educação corporativa citadas acima.

Os participantes do treinamento técnico deveriam encontrar o "auditor que tentaria sabotar seus aeroportos" (storytelling), conquistando pontos conforme avançavam na “missão” (gamificação). Como é possível notar, as características da educação corporativa que destacamos mantiveram a essência do treinamento técnico, com um conceito bem mais atrativo – respeitando as diretrizes da ANAC, vale ressaltar.

A proposta transformou o que era só uma necessidade periódica de reciclagem de conteúdo em um curso formado por trilhas de aprendizagem lúdicas, que influenciavam positivamente na assimilação das competências.

Em resumo, a união dessas características da educação corporativa, além de transformarem o treinamento técnico como um todo, foi essencial para que a equipe fosse participativa e, principalmente, protagonista da própria evolução no treinamento.

(*) Pierre-Jean Quetant – Atua como Country Manager Learning Tribes Brasil. Formado como Administrador de empresas pela Grenoble Ecole de Management e como Tecnólogo em Eletrônica e Informática Industrial, pela Université Jean Monnet Saint-Etienne. Quetant já passou por empresas como Neurograff Eletromedicina Ltda, Smart Cursos, EGG CRM Brasil, Uneequip (fundador), Wheelabrator Allevard, AGOMEZ LTDA, Sony Music Entertainment, PAUL HARTMANN AG.

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