Todos Pensam em mudar a humanidade, mas ninguém pensa em mudar a Si Mesmo (Liev Tolstói)

Como muitos que estão lendo este artigo, eu também sou de uma geração onde certos valores pessoais transcendiam os valores profissionais e orientavam os valores de cada cidadão, o que também quer dizer que eu não faço parte de uma geração perfeita.

A minha geração tinha vários outros tipos de problemas, assim adianto que não estou aqui para defender se uma época é ou era melhor que outra, pois eu compreendo claramente que cada tempo tem e teve o seu valor diante da construção deste nosso mundo, num mundo melhor que todos nós queremos.

Mas eu pude acompanhar, não muito antigamente, que as pessoas do meu tempo pensavam – se importavam, e valorizavam muito o fato de SER. As pessoas da minha geração queriam muito Ser Alguém melhor e tudo o que faziam era pensando em Ser: ser um filho melhor, um estudante melhor, um irmão melhor, um profissional melhor, um amigo melhor, um colaborador ou patrão e empreendedor melhor… aspectos não mais tão vistos nos últimos anos deste século.

A reflexão de hoje não é para dizer que a geração A é melhor do que a B ou C (toda generalização deve ser sempre vista com muito cuidado), mas sim para compartilhar que há pouco tempo temos presenciado um florescer de pessoas que não estão mais interessadas em Ser, temos visto uma grande maioria de pessoas que querem mesmo é TER… são pessoas que vivem, trabalham, estudam e se socializam focando exclusivamente o Ter: ter um carro melhor, uma roupa melhor, acessórios melhores, um celular melhor e por aí vai, tudo isto infelizmente sem muito foco e valores pessoais sustentáveis.

O que me conforta, na geração vinda depois da minha, é que nem tudo nesta geração do Ter está perdido. Muitos desta turminha pela própria natureza de sua época tecnológica, tem aprendido muito rápido e tem aprendido principalmente a aprender com os da minha geração, muitos deles estão amadurecendo rápido e vendo na prática da vida que nem tudo é 8 ou 80 e que neste mundo real, as “fases do jogo” exigem muito mais do que algumas técnicas e conhecimentos de alguns atalhos específicos.

Porém disto tudo o que realmente tem me preocupado é o movimento da mais recente destas novas gerações, uma novíssima geração que não mais está interessada em Ser e muito menos está interessada em Ter, vejo uma recente geração valorizando e focando suas vidas exclusivamente no PARECER… no parecer bons, parecer felizes, parecer bem sucedidos, parecer inteligentes, parecer legais, parecer bonitos e aceitos, parecer o que for preciso parecer…

Já é sabido por inúmeros estudiosos de fenômenos sociais, que estas duas últimas e recentes ondas de tais gerações podem ser atribuídas num contexto mundial por uma educação feita por pais e famílias que viveram por anos reprimidas e distantes de certos prazeres da vida e de consumo, e que acabaram por criar filhos e gerações desprovidas de valores pessoais consistentes, quase sempre deturpados à frente de TVs, videogames e computadores e dentro de um mundo de facilidades e livre de regras e normas.

A minha geração carecia do Ter e do Parecer, nossas “faltas” nos impulsionaram a trabalhar cedo, estudar muito e dar sempre o melhor de si, ainda que carregando patologias da carência. A geração que veio depois da minha, sem freios de regras ou normas, tornou homens e mulheres em seres mimados e incapazes de lidar com frustrações, enchendo muitos consultórios de terapia ao redor do mundo. E por fim, agora vemos uma geração que carrega o bom e o mal de gerações anteriores, porém assustadoramente sustentada por um artificialismo social desenfreado e que vai se tornar em algo que ainda não sabemos.

A verdade é que um mundo melhor não pode Parecer melhor, ele tem que Ser melhor… e este mundo melhor também não pode estar cheio do Ter a qualquer custo e de qualquer jeito… e por fim também acredito que um mundo melhor jamais se sustentará no Parecer melhor.

Termino este “post” lhe propondo uma reflexão-chave: as pessoas de sucesso serão as do Ser, ou serão as do Ter ou as do Parecer? E você, onde está?