Ser ou não ser, eis a questão (…ética)

O que Shakespeare nos ensinou num conflito familiar pelo poder, quase 4 séculos atrás

Quando o príncipe dinamarquês Hamlet proferiu sua famosa frase em meio a um conflito familiar, não “poderia imaginar” que sua aplicação seria tão bem explorada no universo das organizações e sua polifonia de discursos, 4 séculos depois. Por essas e outras Shakespeare é um dos meus autores prediletos…

Quando ensinamos nossas crianças através de palavras e jogos morais, às vezes cheios de metáforas (“se fizer isso, a cuca vai te pegar…”), mas dando exemplos opostos ao discurso, confundimos a percepção dos guris: “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço” é máxima velha, ultrapassada e equivocada, que devia ter caducado com nossos tataravós. O pneumologista que manda o paciente parar de fumar com o bigode amarelo de tanto alcatrão enfraquece a sua determinação…

A mesma coisa acontece na organização, em especial as que buscam o lucro. Não dá para “parecer ser”, a empresa TEM de ser.

Indo um pouco mais para trás, 3 ou 4 séculos antes de Cristo, Platão já explicava que “dizer as coisas como são” (BECHARA, 2009) talvez fosse a única maneira “de ser o que se é”: doa a quem doer, por pior que seja, a verdade deve prevalecer. E por mais que do olho do furacão você jure que esse não é melhor, assim que a tormenta passar é isso que vai ficar para os públicos de interesse: uma postura ética em meio à crise. E, na bonança, não há razão para ser diferente. Este é apenas um dos motivos pelos quais as Relações Públicas, ou minimamente seus conceitos, devem ser mantra das empresas, principalmente – mas não unicamente – daquelas que devem explicações à sociedade e aos governos. E no mesmo sentido, a propaganda não pode ser a única ferramenta de comunicação da empresa, devendo esta se subjugar sempre à verdade dos fatos.

Do contrário, promete-se o que não se entrega. Nada, nada e nada é pior do que isso para a imagem e reputação.

Por uma organização mais ética, o conflito legítimo “ser ou não ser” não pode se confundir com o leviano “ser ou parecer ser”.

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