Saúde mental e trabalho econômico

Constatação de que o trabalho econômico é importante componente da saúde mental de cada pessoa

O conceito de saúde mental depende do nosso conceito de natureza humana. Esta saúde depende do atendimento das nossas necessidades fisiológicas e de nossas paixões. O simples atendimento integral das necessidades fisiológicas que compartilhamos com o animal - fome, sede, sono e apetite sexual - não é condição suficiente para uma boa saúde e equilíbrio mental.

Saúde e equilíbrio dependem da satisfação das necessidades e paixões especificamente humanas: a necessidade de relacionar-se, de transcendência, de arraigamento, de um sentimento de identidade e de uma estrutura de orientação e devoção. As grandes paixões humanas relacionadas com o poder, a vaidade, desejo de conhecer a verdade, tendência criadora quanto destrutiva é que motivam as ações do ser humano, e não somente o seu resultado pecuniário.

Atender as necessidades fisiológicas depende tão só e unicamente de arranjo de natureza sócio-econômica e da vontade política para tal. Atender necessidade humana é extraordinariamente mais complicado, pois depende do modo como a sociedade é organizada e de como esta organização determina as relações entre os homens que nela vivem.

Se as necessidades fisiológicas devem ser atendidas para que o homem não morra, as necessidades psíquicas devem ser atendidas para que não tenhamos "defeitos socialmente modelados”, ou seja, uma sociedade de neuróticos. Quando uma pessoa trabalha alienadamente, perde sua independência e integridade, tornando-se apático e hostil, não havendo integração e satisfação pelo trabalho, mas apenas uma obrigação a ser cumprida.

Nestes termos "qualidade total" é uma piada de mau gosto.

Os grandes mestres espiritualistas da humanidade, Moisés, Confúcio, Buda, Sócrates e Jesus postularam esta verdade ao longo da História e a prescreveram a séculos. Cientificamente, o Séc.XX "descobriu" esta verdade - apenas na medida em que o homem capta a realidade de poder tornar o mundo seu, vive seu trabalho, realiza sua vida e se integra a algum ideal.

A apresentação culturalmente implantada do atual "homo economicius" como um ser isolado, associal, insaciável em seu consumo e sumamente competitivo faz com que o modelo capitalista de trabalho corresponda à panacéia da natureza humana, o ideal de existir, colocando em xeque qualquer crítica que se faça ao modelo.

Se o trabalho econômico, seja qual for, não apresentar uma conotação além do limite pecuniário, um retorno que satisfaça as paixões humanas, teremos trabalhadores neurotizados, uma sociedade apática, descompromissada com o presente ou o futuro, onde uma morte a mais será apenas mais uma baixa na estatística da vida.

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