São as empresas as responsáveis pela degradação ambiental?

Este trabalho procura demostrar através de uma abordagem mercadológica e econômica que as empresas não são as únicas responsáveis pela degradação ambiental. Além domais, demostrar que a sustentabilidade será atingida somente no momento que os consumidores pensarem e agirem de tal modo, consumindo sustentavelmente

Existe uma linha de pensamento que diz que a responsabilidade pela degradação ambiental pertence, sobretudo, as empresas. Isso se deve principalmente ao fato que são elas as responsáveis pela captação de recursos naturais. A exemplo de minérios, petróleo, madeira, e, pela conseguinte transformação destes e de tantas outras matérias nos mais diversos produtos presentes na sociedade. Nesse processo, desde a coleta de recursos, produção, distribuição, consumo, uso e descarte, geram-se grandes impactos ambientais.

Praticamente toda essa responsabilidade é transferida para as empresas. Existe, porém, uma premissa em gestão mercadológica e em economia que alega que só se deve produzir e ofertar alguma coisa se existir demanda, pois não é lógico produzir aquilo que não terá consumo, que não é relevante e que não possui valor diante dos consumidores.

De modo geral, quem define o que será produzido será o consumidor. Se este não se preocupar com as origens dos produtos que está consumindo as empresas pouco farão para mudar as características de sua produção e produtos. Por outro lado, se o consumidor começa a se interessar em saber como as empresas produzem e também começam a exigir – demandar - novas posturas de produção e novos produtos que impactem menos o meio-ambiente há uma tendência “natural” de se produzir e consumir sustentavelmente, visto que a sociedade vive em uma era de demanda.

Considere-se, por exemplo, que a cada cem consumidores que ao entrar em uma concessionária trinta desses façam questionamentos sobre possíveis modelos de carros elétricos e deixem transparecer grande interesse por tais modelos. Por diversas questões, esses consumidores podem no final comprar carros comuns, no entanto, os sistemas de informações gerenciais vão captar esses interesses e repassar para a diretoria de marketing que logo passará essa informação para a alta gerência informando da possibilidade de atender efetivamente esse público com esse interesse especifico. Tem-se então uma oportunidade de mercado. Há uma grande demanda não atendida que poderá representar diferencial competitivo no mercado frente a outras montadoras futuramente. Existe, claro, outros fatores tangentes a essa consideração, mas a lógica é essa.

De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, atualmente, a frota nacional de elétricos e híbridos é composta por cerca de apenas 3 mil veículos. Se 30% das pessoas que desejam comprar um carro demandassem carros híbridos ou elétricos este número cresceria vertiginosamente em poucos anos.

Outros exemplos poderiam ser considerados tais como alimentos orgânicos; moveis de áreas de reflorestamento; móveis ou outros bens de mataria prima reciclada; materiais biodegradáveis como bolsas; eletrodomésticos, maquinas, equipamentos que possuem baixo consumo de água e energia, etc.

E para que os consumidores mudem de mentalidade quanto ao que consumir é imperativo que estes sejam educados do ponto de vista do que é consumir sustentavelmente e as diversas vantagens por trás dessa prática, visto que muitos não olham com bons olhos o que não conhece bem.

Quando, de fato, houver interesse por produtos frutos de práticas sustentáveis as empresas se interessarão em produzi-los em maiores quantidades e diversidade, apresentado resultados cada vez melhores, pois essas empresas precisarão entregar novos valores no mercado

Neste aspecto, o governo tem o dever de promover algumas ações quanto as empresas com práticas sustentáveis, tais como reduzir a carga tributárias dessas e facilitar a linha de credito para pesquisas e desenvolvimento de produtos sustentáveis, contribuindo assim para a redução de seus custos e consequentemente a redução dos preços finais para os consumidores.

Aqui se trata principalmente de incentivos mercadológicos necessários para que as empresas, realmente, considerem as práticas sustentáveis como de plena importância e fundamental para a continuação e crescimento do negócio. A responsabilidade socioambiental não é só empresarial, mas sim coletiva. Todos precisam, dentro dos seus limites, contribuir com as melhores práticas.

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