Samarco e a Branca de Neve

As empresas estão repletas de presidentes e diretores acometidos pela Síndrome de Branca de Neve. O autor, explica, que em geral, “os Brancas são carismáticos e competentes. Não raro, são eles os fundadores da empresa ou, pelo menos, aqueles que a viabilizaram comercialmente ou a transformaram em uma grande corporação”

Desde que duas barragens da mineradora Samarco se romperam na cidade de Mariana, Minas Gerais, na quinta-feira 5 de novembro, o Brasil registra seu maior drama socioambiental (e não tragédia como bem explicou o Professor Mario Sérgio Cortella) de sua história.

A Samarco é a 10ª maior exportadora do País e fabrica pelotas, matéria-prima para fabricação de minério de ferro. Fundada em 1977, a companhia tem uma capacidade de produção de 30,5 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro por ano.

A empresa tem representações em Minas Gerais (Unidade de Germano, em Mariana) e no Espírito Santo (Unidade de Ubu, em Anchieta), além de escritórios de vendas em Vitória (ES), Amsterdam (Holanda) e Hong Kong (China). Emprega cerca de três mil trabalhadores e mantém uma cadeia de 3,5 mil fornecedores.

A Vale é uma das acionistas da Samarco, com uma participação de 50% no capital por meio de uma joint venture com a BHP Billiton, a maior empresa de mineração do mundo.

A BHP Billiton foi criada a partir da fusão da Broken Hill Proprietary Company (BHP), empresa autraliana, com a Billiton, empresa inglesa que tinha extensiva operação na África do Sul.

De acordo com a consultoria Economática, a Vale tem um valor de mercado hoje de R$ 119,112 bilhões. O registro histórico de valor de mercado da empresa foi em maio de 2008, quando valia R$ 295,087 bilhões, também de acordo com a Economática.

Diretor-presidente

Ricardo Vescovi de Aragão, está na Samarco desde janeiro de 1993, como engenheiro de processo. Sua trajetória na empresa inclui cargos executivos nas áreas de pelotização e marketing, até assumir, em 2006, a posição de diretor de operações e sustentabilidade, que ocupa hoje. Segundo o diretor-presidente, “a estratégia da Samarco tem sido a de expandir fortemente a sua capacidade de produção, oferecendo pelotas de minério de ferro de alta qualidade para a nossa base de clientes em todo o mundo” (Siderurgia Brasil — Edição 78).

Síndrome de Branca de Neve

Tão logo comecei a ver esse drama e claro ver que faltava um porta voz nas entrevistas da Samarco, logo lembrei de um dos livros do Julio Ribeiro, que é um dos profissionais que mais admiro neste Brasil.

Leio e releio, muitas vezes, o livro “Fazer Acontecer”, e em especial ao texto chamado “O Branca de Neve”.

Neste livro, Julio, fala sobre sua experiência no planejamento de comunicação, descrevendo os princípios que regem os planos de marketing e as campanhas bem-sucedidas, além das causas determinantes do insucesso de planos, campanhas, produtos e empresas.

Mas nesse texto, em especial o que me chama a atenção é esta síndrome.

As empresas estão repletas de presidentes e diretores acometidos pela Síndrome de Branca de Neve.

O autor, explica, que em geral, “os Brancas são carismáticos e competentes. Não raro, são eles os fundadores da empresa ou, pelo menos, aqueles que a viabilizaram comercialmente ou a transformaram em uma grande corporação”. O Branca é alguém que destoa para cima. Quase sempre é mais capaz do que os demais membros de sua equipe. Em suma, não é líder à toa”.

Mas existem alguns problemas. “O Branca é escravo da própria competência. Vive permanentemente preocupado com os erros que sua equipe pode cometer. Com isso ele a impede de adquirir experiência. Uma equipe sem poder de decisão se infantiliza com rapidez. Seus integrantes viram anões. ”

E o autor complementa “na lenda, eles eram sete. Numa empresa, entretanto, podem ser vinte, duzentos, um ou dois. Pouco importa quantos anões, porque a sua atuação é sempre pequena. Coisas grandes têm sempre a decisão vinculada ao Branca, o supremo arquiteto da cultura da casa. ”

E ainda, “muitas vezes essa situação se esconde atrás de uma aparência de liberdade e colaboração. Os executivos até que desfrutam de uma certa individualidade. Quase toda empresa tem seu Feliz, seu Zangado ou seu Soneca. E eles pensam. Acreditam estar agindo. Mas não possuem autonomia e poder de decisão. Só conseguem fazê-lo através da vontade e do critério do líder. Cada qual desempenha seu papel. Mas todos os papéis são de anões. ”

Passados, vinte dias do drama, em vídeo, o diretor-presidente da Samarco pede “calma” a “empregados” (só empresa modernas usa a palavra colaboradores) e pede “equilíbrio”, diante das críticas à empresa. Afirmou que o desastre é “sem precedentes na mineração mundial e que a maior parte dos empregados da empresa está de licença remunerada e férias coletivas. E ainda, que alternativas para a retomada das operações estão sendo estudadas. Salientou, no entanto, que a decisão da retomada não cabe somente à Samarco, mas à sociedade e suas instituições.

Mas, observando a atitude dos diretores da empresa, utilizo a mesma frase que Julio Ribeiro, utilizou para encerrar seu texto “o fabricante de anões acaba destruído pelas próprias miniaturas que criou”.

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