Saldo de uma nação após as ruas

De norte a sul e de leste a oeste, milhões de brasileiros saíram às ruas com suas famílias para protestarem contra um estado de coisas que vem corroendo o nosso país há anos: a corrupção institucionalizada e seus reflexos sobre os direitos sociais e a economia.

Após um dia de manifestações populares em centenas de cidades brasileiras, com destaque para São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF) e Ribeirão Preto (SP), ficou a mensagem para o clero e a nobreza de que o povo não é bobo e está de olho na atual conjuntura nacional.

De norte a sul e de leste a oeste, milhões de brasileiros saíram às ruas com suas famílias para protestarem contra um estado de coisas que vem corroendo o nosso país há anos: a corrupção institucionalizada e seus reflexos sobre os direitos sociais e a economia. Nesse sentido, figuras como Dilma, Lula, Renan e Cunha foram lembradas como símbolos de fisiologismos e corporativismos que não representam o povo brasileiro e que precisam ser expurgados do poder. E o mais importante: todos foram às ruas por livre e espontânea vontade, sem patrocínio ou ajuda de custo de partidos, entidades sindicais e empresas estatais e, principalmente, sem medo de ser feliz.

Como resposta a essas manifestações populares, restou a indiferença do Governo e de seus aliados mais próximos, como se não tivessem obrigação alguma de dar satisfação de seus atos àqueles que, de 4 em 4 anos, são cortejados pela classe política em busca de apoio e de votos. Em suma: essa é a política de diálogo de nossos governantes, que trata os seus como “o povo brasileiro” e os outros (cerca de 92% da população, segundo o Datafolha) como caso de polícia, ABIN e “exércitos do PT” (MST, CUT e UNE, dentre outros).

Independentemente dos números das ruas, fica registrada, mais uma vez, a insatisfação popular contra a esquerda caviar e a direita coxinha que se articulam nos bastidores do poder para resguardarem interesses próprios. Também ficou registrado que o povo não será conivente com a falta de diligência e previdência em relação ao nosso futuro, o dos nossos filhos e o dos nossos netos. Afinal de contas, o Brasil não se resume a um projeto de poder de 4 anos de PT, PMDB, PSDB, PSOL e de tantos outros que representam mais do mesmo.

Quanto a nós, profissionais de Administração, e tendo em vista o nosso jubileu de ouro que se aproxima, chegou o momento de refletirmos de maneira mais detida sobre o que almejamos para os próximos 50 anos da profissão no país. Em outras palavras: seremos somente passageiros ou condutores dessa jornada de construção de um país mais ético, justo e desenvolvido?

Fatos como a falta de um planejamento nacional de longo prazo, recrudescimento do patrimonialismo na Administração Pública e os recentes casos de corrupção de agentes políticos, somados com as recentes transformações tecnológicas, econômicas e sociais a nível global, servem de motivação para se repensar o tipo de profissional de Administração necessário para enfrentar esses desafios. Para tanto, empresas, entidades de classe, profissionais e universidades devem debater os novos contornos de uma profissão tão essencial quanto a Administração, buscando adequá-la aos novos tempos. Há que se ampliá-la, modernizá-la e regulá-la efetivamente, sob o risco de carecermos num futuro próximo de bons profissionais nessa área em quantidade suficiente.

Como proposta de intervenção para a Administração dos novos tempos, o conjunto de medidas a seguir serve como ponto de partida:

  1. Ampliação do tempo de curso dos atuais 4 para 5 anos, sendo 2 anos de núcleo básico (com disciplinas essenciais e propedêuticas), 2 de núcleo especializado (com disciplinas específicas da profissão) e 1 de núcleo profissional (especialização acadêmica + prática administrativa em estágio ou empresa júnior);
  2. Exame de proficiência, a exemplo do que já é adotado pela OAB e pelo Sistema CFC/CRCs;
  3. Avaliação e certificação nacional dos cursos pelo Sistema CFA/CRAs; e
  4. Fiscalização mais intensiva de organizações públicas e privadas que admitem e empregam profissionais não registrados no respectivo CRA para o exercício de atividades típicas de Administrador.

À luz do exposto, fica o recado para os políticos acerca da voz das ruas e um dever de casa para nós Administradores.

Um forte abraço a todos, parabéns à voz das ruas e fiquem com Deus!

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