Risco: o fantasma que atormenta muitos brasileiros
Risco: o fantasma que atormenta muitos brasileiros

Risco: o fantasma que atormenta muitos brasileiros

Cheguei à impressão de que estamos indo em fases, ainda mostrando que empreender está mais próximo de todos e que as pessoas deveriam tentar mais

Como muitos de vocês têm acompanhado aqui no Administradores.com, estou fazendo uma turnê pelo Brasil para mostrar os bastidores do empreendedorismo no país e falar sobre “A Revolução das Startups”, tema que dá título ao livro que acabo de lançar. Este é o meu primeiro post, sobre o que tenho percebido no contato com empreendedores Brasil afora.

O entusiasmo com o empreendedorismo é realmente promissor. Você nota quase como crianças em uma festa que enxergam aquele brinquedo legal, diferente, bonito, mas vão se aproximando aos pouquinhos, com olhar de desconfiança, passo a passo, notando os outros brincarem até ficarem do ladinho apenas observando e gradativamente surgindo a vontade de “quero também”.

Essa é uma analogia do que esses primeiros dias de viagem me mostraram. Muita gente está nesse processo de descobrir que existe mesmo essa possibilidade. Não é que as pessoas não soubessem que é possível abrir um negócio, mas até então era tão distante esse caminho, que nem entrava na sua mente trilhá-lo.

Ver cada vez mais pessoas empreendendo, iniciando com muito pouco, trabalhando em áreas das quais gostam, fazendo atividades mais interessantes e projetos mais significativos, levantou a essas pessoas a questão: “Será que eu também posso?”
As pessoas ainda estão aceitando que para elas também é possível, por isso notei muitos entusiastas, mas a maioria dizendo coisas como “Ainda não é o momento” ou “Tenho que esperar um pouco mais”.

Ao mesmo tempo, é animador ver cada vez mais e mais eventos acontecendo para falar do assunto e inspirar as pessoas a trazerem suas ideias para o mundo. É empolgante, em um momento de tanta decepção, pensar no que pode acontecer quando isso começar a ser ainda mais rápido e envolvente.

Além desse entusiasmo com o assunto, notei que existe um grande vilão – o senhor que impede grande parte das ações até agora: o risco (na verdade, o medo dele).

A questão é um pouco estranha. A maioria das pessoas fala o quanto gostaria de algo diferente em suas vidas, usar melhor seus talentos, colocar energia em algo de que se orgulhe e seja significativo. Porém, muitos estão querendo essas mudanças sem risco. Não faz sentido. E parece que nesse instante o “querer” fica menor do que o medo, infelizmente.

Aquela máxima de que “tudo pode dar errado” e “o que os outros vão pensar” tomam conta da maioria dos aspirantes ao empreendedorismo, reforçando o pensamento de “ainda não é o momento”.

A ideia do mundo das startups, de que errar é se aproximar do acerto e não algo ruim, ainda precisa ser melhor trabalhada. A admiração às pessoas que ousam e falham, incentivando-as a tentar novamente, também deve receber mais atenção.

Por fim, esse mesmo medo do risco acaba por conduzir alguns ousados, que resolveram empreender, por caminhos mais certos já trilhados. Apostando em modelos de negócio já testados e tradicionais. O medo de fazer algo completamente incerto, de tentar o improvável ainda é muito alto. As pessoas preferem tentar algo mais seguro e depois quem sabe algo mais diferente, mas raramente o fazem.

Portanto, nesses primeiros dias, cheguei à impressão de que estamos indo em fases, ainda mostrando que empreender está mais próximo de todos e que as pessoas deveriam tentar mais.

A questão da ousadia, de ir para o lado das startups que causam a disrupção e impactam, ainda me parece que vai ficar com alguns poucos mais doidos que gostam da sensação de correr o risco ou pensam que ele vale para fazer grandes mudanças.
Mas vamos torcer e ter esperança. Mesmo que a passos lentos, o futuro parece promissor.

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