Restam dúvidas de que são os adolescentes que movimentam o YouTube?

A lista dos youtubers mais ricos, publicada pela Forbes, tem muito a nos dizer sobre o público e o conteúdo que movimenta o YouTube

Nesta semana a Forbes trouxe à luz a primeira lista dos Youtubers mais ricos do mundo — os que mais faturaram com a popularidade de seus canais na plataforma de vídeos mais poderosa da web, o YouTube.

Do jovem que discute games (o gameplayer) às duplas de comediantes que debocham do cotidiano com muito sarcasmo, passando por tutoriais de maquiagem e música, os 10 canais mais poderosos movimentaram nada menos do que 54,1 milhões de dólares de julho de 2014 a julho deste ano (os dados são do Nielsen, do IMDb e do próprio Google, controlador do YouTube).

Nenhum brasileiro entrou na lista, apesar do país ser um dos maiores players da plataforma e contar com nomes como Kéfera Buchmann e Felipe Neto que, juntamente com o canal Porta dos Fundos, contam com mais de 22 milhões de seguidores.

Uma pausa — O que, afinal, é um ‘Youtuber’?

Se você ainda não conhecia este termo, digo, esta profissão, é bom se acostumar.Youtubers são usuários do YouTube que produzem e publicam vídeosem seus canais de forma independente e ganham dinheiro com parte dos lucros obtidos com a publicidade veiculada na plataforma — os anúncios que a gente assiste antes e durante o vídeo e também banners que aparecem em vários locais dos canais —, além de patrocínios adquiridos em negociações com empresas para promover produtos e serviços (merchandising).

Você pode ser um youtuber. Qualquer pessoa com conteúdo para passar, uma câmera e um pouco de habilidade com edição pode abrir um canal no YouTube e começar a publicar seus vídeos. Obviamente, quanto mais profissional for o produto final (abaixo falamos sobre isso), melhor.

De teen para teen

Pois bem, com uma rápida análise nos 10 canais listados pela Forbes, é possível perceber que o grosso do faturamento das celebridades do YouTube é proveniente de conteúdo sobre e para o universo teen.

A mais “pobrinha” entre os mais ricos é uma moça americana que ensina a fazer guloseimas, uma chef amadora, que faturou módicos 2,5 milhões de dólares em um ano. Rosanna Pansino tem nada menos do que 4,7 milhões de assinantes em seu canal (até o fechamento deste artigo) e sabe bem qual é a linguagem e o comportamento de seu público-alvo: apesar de não ser nenhuma adolescente (ela tem 30 anos), fala, se veste e se comporta como tal, além de trabalhar agilidade e muito humor na edição de seus vídeos.

Também não é muito difícil perceber que o engajamento é gerado pelos adolescentes. São eles quem se inscrevem nos canais, comentam, “dão jóinhas” e compartilham os vídeos de seus ídolos cibernéticos.

Espontaneidade calculada

Outro ponto que merece destaque é o profissionalismo em torno dos canaisque mais geram faturamento. Por mais que os vloguers (outro termo para definir os produtores de conteúdo em vídeo na web) falem para apenas uma câmera, vê-se claramente que o trabalho não é nada amador: há um cuidado profissional com roteiro, iluminação, grafismos e efeitos especiais em geral. Em alguns casos, há uma aura de super produção, com várias câmeras, tomadas externas, convidados… Enfim, todos são produtos bem acabados, quase conteúdos televisivos no YouTube. Quem disse que adolescente gosta de conteúdo amador?

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