Respondendo aos leitores

É mais importante saber ser do que saber fazer.

Tenho recebido inúmeros e.mails de leitores de todo o Brasil, a maioria fazendo comentários sobre a coluna alguns pedindo sugestões e outros fazendo indagações.

Esta semana dois e.mails me chamaram a atenção, o primeiro da Ana Eloísa de Itabuna na Bahia com uma indagação interessante. Por que o trabalho do gestor é complexo no mundo moderno? E outro e.mail do Rômulo José Reis, estudante de farmácia, falando sobre as qualidades do líder.

Apesar de já ter respondido aos amigos Ana Eloísa e Rômulo resolvi dividir com os demais leitores o que, humildemente, respondi a eles.


Com relação à indagação da Ana Luiza eu diria que não é o trabalho do gestor que é complexo, mas o ambiente, uma vez que Administração é uma ciência e como ciência ela tem leis, hipóteses e teorias. Esta pergunta daria uma tese, e é muito complicado responder assim rapidamente.

Por exemplo, em uma organização existem cinco variáveis e de certa forma todas são complexas. Eu costumo dizer que a gestão de uma empresa tem um quê de simplicidade complexa. É claro que eu sei que isso é um absurdo, pois, se é simples não pode ser complexa e se é complexa não pode ser simples, mas é assim mesmo, em administração estas coisas são mais comuns do que se imagina.

Para explicar melhor terei que falar um pouco mais sobre administração, mais precisamente sobre as variáveis da administração.

Vamos lá, em administração existem cinco variáveis e se o gestor conseguir administrar bem estas cinco variáveis, com certeza terá sucesso como gestor de qualquer empreendimento.

São elas processos, pessoas, estrutura, ambiente e tecnologia.

Não existe uma ordem de importância e muito menos uma mais importante do que a outra, na verdade todas são importantes e o gestor deve se preocupar com todas estas variáveis. Isto significa que não adianta se preocupar com as pessoas, dar liberdade para a iniciativa e criatividade e não criar uma estrutura que permita esta iniciativa, por outro lado não acompanhar o ambiente externo e a descoberta de novas tecnologias também é um erro. Quando eu digo que é um erro, estou dizendo que alguns gestores se preocupam apenas com uma variável, quando na verdade deveriam se preocupar com todas.

Por exemplo, está muito em moda falar de recursos humanos e sua importância dentro da organização. Não podemos afirmar que Recursos Humanos seja a área mais ou menos importante da empresa, pois, todas são importantes.

Você pode estar dizendo, mas é uma das mais importantes.

Eu diria, não necessariamente.

Sei que você pode estar se questionando, como não? Já pensou uma empresa sem seus funcionários?

Eu responderia, não existiria.

A conclusão lógica então seria; pessoa é a variável mais importante da administração.

Percebe o porquê eu disse que administração tem um quê de simplicidade complexa?

É claro que uma empresa não existiria sem seus funcionários, mas também teria grandes problemas sem uma estrutura adequada, sem um estudo preciso do ambiente em que esta inserida, sem acompanhar as mudanças que naturalmente ocorrem neste ambiente, sem acompanhar o desenvolvimento tecnológico, sem um processo lógico e adequado que permita um resultado com qualidade e produtividade ideal.

Enfim, cada variável tem uma importância significativa, a má gestão de qualquer uma delas significa o comprometimento do desenvolvimento e até da sobrevivência da empresa, logo, a adequação destas cinco variáveis é o desafio de qualquer gestor que queira ter sucesso.

O que escrevi é muito pouco diante do que é a Administração hoje, teríamos inúmeras abordagens a fazer, mas não há tempo.

Note que esta é uma opinião pessoal, portanto, sujeita a questionamento e discussão. Acho que teríamos ai, assunto para um bom papo.

Com relação às colocações do Rômulo, sem dúvida que as qualidades mencionadas por ele, tais como coragem, confiança, humildade, bom senso, integridade e outras se adequam a qualquer profissional.

Sabemos que geralmente é muito mais fácil matar uma organização do que transformá-la substancialmente, porém, apesar de difícil, é muito mais gratificante transformá-la em sucesso e para isso todas as qualidades de um líder não são suficientes.

Se eu tivesse que dizer mais alguma coisa, eu diria que é mais importante saber ser do que saber fazer.

Saber fazer trata-se apenas de um conjunto de ações e elementos básicos da formação técnica do profissional, já descritas nos modelos tayloristas e fordistas.

Saber ser envolve as emoções, as nossas relações interpessoais, a criatividade, o comprometimento e até o nosso relacionamento com o nosso Criador.

Envolve nossas qualidades de seres humanos, dentro de um contexto integral, onde temos que ser para poder fazer parte.

E o que fazer para conseguir realizar este desafio de saber ser? talvez seja este o grande questionamento.

Quem sou eu para dar conselhos, não tenho esta pretensão, portanto, encare apenas como uma dica.

Em primeiro lugar, ter o dom do Enthousiasmo, que é uma excitação da alma, paixão viva que nos leva a ser.

Para isso, é preciso ter coragem, é preciso sinceridade para consigo mesmo avaliando os pontos fortes e pontos fracos.

É preciso ter o dom da humildade para sair do estágio passivo do processo de crescimento profissional para tornar-se gestor de seu próprio desenvolvimento.

É preciso compreender que o mundo é para ser compartilhado e não disputado palmo a palmo e isso só se consegue se nos respeitarmos uns aos outros, caminhar juntos, falar sempre verdades, procurar conhecer o lado bom dos seus colaboradores, sorrir, sorrir e sorrir inúmeras vezes por dia.

É preciso compreender e aceitar que poderemos nos irritar em certas horas, mas, quando acontecer temos que procurar reverter isso o mais rápido possível.

Acima de tudo, é preciso repudiar a inveja e a ingratidão, enfim, precisamos inserir em nossas vidas a prática cotidiana de atitudes positivas.

Eu sei que isso não é fácil e não é rápido, mas, é uma questão de aprendizado, não acontece de forma repentina, mas, vale a pena tentar e se conseguir poderá realizar uma caminhada tranqüila, inesquecível e gratificante.

Tudo isso somado a uma aguçada visão estratégica dotada de espírito prático pode ser um bom caminho para o sucesso.

Obrigado a todos os amigos leitores.




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    Rubens Fava

    Rubens Fava

    Rubens Fava é formado em Ciências Econômicas e Administração com ênfase em marketing, especialização em Productivity Improvement pelo JPC – Japan Productivity Center for Sócio-Economic Development – Tokyo - Japan, Teoria das Restrições – Institute Goldratt – Saint Paul – USA., Management Study – Baldwin-Wallace College – Berea – Ohio – USA. Mestre em Administração pelo ESADE de Barcelona ES e doutorando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina - USFC. Autor dos livros Caminhos da Administração, Arauto, Gestão Empresarial – Volume II, Um tributo a Peter Drucker – capítulo 2, Gestão & Administração – A trajetória de uma executiva de sucesso e Espiritualidade Organizacional.

    É autor dos livros

    1- Caminhos da Administração.


    2- A trajetória de uma executiva de sucesso.

    3- Espiritualidade Organizacional
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