Respeito ao consumidor: a maneira errada de retirar um produto do mercado

O consumidor é aquele que mantém as nossas organizações em atividade. Sem consumidores para os nossos produtos e serviços, não haveria necessidade de nossas organizações existirem. Porém, o que fazer quando quero tirar um produto ou serviço de circulação? Há uma maneira correta de se fazer isso? Com certeza, onerar o cliente não é a maneira correta. Ou estou errado?

Produtos entram e saem do mercado com uma velocidade assustadora. Hoje você precisa de uma determinada mercadoria, amanhã não precisa mais. E isso é muito comum. O consumidor final sempre vai decidir, e com ele está esse poder de decisão, o quanto precisa ou precisará de um determinado produto ou serviço.

Seja influenciado pelo preço, qualidade, facilidade de acesso e tantas outras coisas que poderíamos citar - independentemente de qual seja a razão, o consumidor quase sempre terá em suas mãos o poder de decidir a longevidade de determinada mercadoria ou o que quer que seja que ele esteja consumindo das organizações nos dias atuais.

Mas, e quando a organização precisa retirar um determinado produto de circulação? Quando ele se torna inviável de ser produzido, distribuído e comercializado, o que fazer? Basta retirar o produto do mercado e está tudo certo?

Sinceramente, essa é uma questão complicada. As organizações nos fazem acreditar que necessitamos tanto daquele produto, que se torna complicado entender a razão desse mesmo produto deixar de existir! Essa é a sensação que eu tenho. É isso que nos transmitem. Sem querer, tornamo-nos dependentes de determinados produtos e/ou serviços.

Porém, o que me deixou estupefato e me fez escrever esse artigo, foi a maneira que uma empresa decidiu utilizar para retirar uma mercadoria de circulação. Ela aumentou, e muito!, o custo do seu produto. Não vou citar o nome da empresa por ética, mas guardei uma cópia da Nota Fiscal para servir de exemplo em minhas futuras palestras sobre ética com o consumidor. Essa empresa vende o mesmo produto em uma embalagem com uma quantidade um pouco maior mais barato, isso mesmo!, mais barato do que o produto que ela decidiu “matar”.

Para que fique fácil a compreensão: Digamos que você comercialize produtos em gramas. E, produzir o produto “x” em embalagens de 500g se tornou inviável para sua empresa. Como você não quer ter prejuízo em sua organização, decide parar de produzir esse produto. Mas você tem ele em estoque ainda, e precisa informar seus clientes que esse produto deixará de existir nessa quantidade. Então você tem uma ideia brilhante e diz para si mesmo: “Vou vender esse produto mais caro que a embalagem de 750g com o MESMO produto. Isso vai obrigar os meus clientes a pararem de comprar o que eu quero parar de produzir”.

Isso está correto? Será que é dessa maneira que uma empresa ética deve agir? Uma empresa antiga, tradicional, de um valor monetário incalculável, deveria agir dessa forma? Onerar o cliente para se livrar de um produto que, sabe-se lá a razão, deixou de dar lucro? Um produto que vendeu assustadoramente bem por décadas. Onde fica o respeito ao consumidor? Pior: Parece-me que a nossa legislação não consegue ainda inibir esse tipo de abuso em nosso País. Isso deveria ser crime! Deveria ser uma conduta irregular aos olhos da lei. Infelizmente, parece que não é!

No mundo globalizado de hoje, onde as empresas estão brigando e em constante luta para se manterem ativas no mercado, onde o lema quase geral é "comprar mais com menos", ainda existem empresas, que dominam os seus respectivos setores mercadológicos, que parecem estar vivendo mais ou menos assim: “Compre menos com mais. Sou eu quem manda aqui. Eu faço o que quero, como quero”.

Na minha opinião, isso é lamentável. Fiquei e estou indignado. Não suporto essas injustiças. Mas enfim, a única coisa que eu posso fazer é: Não consumir nada que essa “empresa” produz. Ela não é ética. Não está nem aí com seus consumidores. E, por tudo que já vi, tenho certeza que dificilmente vai mudar de opinião. Enquanto não houver concorrentes à altura em seu ramo de atuação.

Não se onera alguém que prestigia e confia no seu trabalho. Ao menos, eu penso que não! Sucesso a todos!

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