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RESISTÊNCIA A MUDANÇAS

RESISTÊNCIA A MUDANÇAS Transformar é mudar a forma de fazer as coisas, a forma de ver as coisas, de administrar; não mudar o ser humano, o administrador. O medo do desconhecido ou do resultado a ser obtido, é a grande barreira para as mudanças. A insegurança também dá força ao medo, que faz com que o principal administrador, mantenha seu modo de pensar, levando a empresa a perder mercado, baixar a lucratividade, e fortalecer a concorrência. Sumantra Ghoshal, estrategista em liderança enfatizou em sua entrevista: "0 novo modelo de gestão não é exatamente novo. Muitas empresas empregam há muito tempo o modelo objetivos-processos-pessoas, sem procurar muito longe, a 3M trabalha com base nesse ponto de vista há 35 anos. A verdade é que quase todas as companhias pequenas também se baseiam nesses três fatores, desde que nascem. Com o passar do tempo, à medida que crescem e se diversificam, convertem-se em empresas baseadas no modelo estrutura-estratégia. Por quê? Estou convencido de que os presidentes de empresa compreendem o ponto de vista teórico, mas não o põem em prática, resistem a ele. O maior obstáculo para a adoção do novo modelo está na atitude dos presidentes. É natural que a alta administração ofereça maior resistência ao novo modelo, visto que construiu o velho e teve sucesso com ele. Mas a gerência de linha média também rejeita a mudança. Ela o faz por causa da incerteza gerada, e a alta administração o faz por uma questão de poder, por hesitação em delegar poderes para escalões mais baixos." Empresas que não tiveram medo, insegurança ou hesitação começaram a mudar e ver as coisas de um outro ângulo para continuar no mercado; esse esforço em conjunto ou trabalho em equipe ou administração estratégica ou administração inteligente, fez com que todos pudessem colaborar e servir hoje de modelo para outras empresas. Betania Tanure em seu livro Estratégia e Gestão Empresarial menciona que a transformação corporativa envolve medo e uma dor intensa, por isso é mais fácil falar de transformação do que vive-la. Ela compara a transformação corporativa com o processo de transformação da lagarta em borboleta que é bastante penoso. E neste contexto atual de intensas mudanças econômicas, tecnológicas e competitivas, muitas empresas precisam realizar mudanças radicais de estratégias, de estrutura, de organização, assim como de cultura, para que possam prosperar e por vez até sobreviver. Um exemplo de mudanças, conforme relata o livro de Tanure é o da Alpargatas, no início da década de 1990, ela começou a passar por uma série de dificuldades. A empresa estava num caminho complicado, sucateado, sem rumo, como um navio perdido no meio do mar relata Rogério Shimizu, gerente de uma das linhas de negócios. A Alpargatas era uma empresa fabril orientada para a produção, e não para o mercado. Simplesmente fazia seus produtos e os desovava no mercado, que absorvia toda a produção. O processo de comunicação era ineficaz. A estrutura hierarquizada impedia o fluxo de informações. As paredes entre os setores eram altas, as idéias não eram compartilhadas e a empresa vivia presa ao sucesso do passado, deixando de acompanhar o crescimento do mercado. Um evento arrasador ocorreu na Alpargatas em 1994. A empresa perdeu a licença para produzir e vender no Brasil os artigos esportivos Nike, responsável por 25% das vendas. Era hora de intervir, e Fernando Tigre assumiu a presidência, observou a empresa por dois meses e mudou tudo, incluindo símbolos como layout, a cor das paredes e o restaurante. A mudança de postura começou pelo topo com a demissão de alguns executivos; também houve a recuperação do comprometimento das pessoas com o processo de mudanças; resistência e medo permeavam o processo, principalmente no início. A área de recursos humanos foi uma das que mais visivelmente mudou de papel na organização. Antes era inacessível, e preocupada somente com as funções básicas; hoje a área ganhou espaço tanto nas business units quanto nas áreas corporativas, como de comunicação e marketing e de finanças. Fica aqui para os interessados no assunto, que leiam no capítulo 3 Adentrando o vale da morte do livro de Betania Tanure, Estratégia e Gestão Empresarial, esta fantástica transformação da lagarta em borboleta da Alpargatas, logicamente com resistências, mas sem medo. Autor: Cláudio Raza; Administrador de Empresas, Economista, Contador, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas para Negócio, Professor Universitário, mais de 35 anos assessorando empresas.
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