Relações Públicas - uma arte na gestão de relacionamentos

Quem é o profissional de Relações Públicas Há algumas décadas eles estavam associados àqueles elegantes homens de terno branco ou às sociáveis mulheres de tailleur que representavam a empresa nos diversos eventos sociais. Porém, hoje, o relações-públicas deixou o papel de figurante e firma-se como um personagem cada vez mais importante e respeitado dentro de empresas e instituições. Não é para menos. Eles são os responsáveis por todo o trabalho de comunicação de uma empresa, instituição ou, até mesmo, de uma pessoa. É por isso que não é fácil definir o profissional de relações públicas. Sua origem está ligada à preocupação das empresas com a imagem diante do mercado e dos clientes. No Brasil, o primeiro relações-públicas foi o engenheiro Eduardo Pinheiro Lobo. A antiga empresa canadense Light, hoje Eletropaulo, percebeu a necessidade de manter um bom relacionamento com seu público e criou, no dia 30 de janeiro de 1914, um departamento específico de Relações Públicas. O cargo foi ocupado pelo engenheiro, considerado o primeiro profissional de RP do país. No entanto, foi na década de 50, com a vinda das multinacionais ao Brasil, que esse profissional passou a ser mais valorizado. Curiosidade não mata!
Mas, afinal, o que faz o relações-públicas? De acordo com Ricardo Amaral, relações-públicas e proprietário de uma assessoria de comunicação que leva seu nome, é imprescindível que o relações-públicas esteja sempre bem informado. Muito mesmo! Quando acorda, Ricardo lê três jornais para ver as principais notícias do mundo, principalmente as que podem afetar seus clientes. "Hoje mesmo eu liguei para um deles para me certificar se ele tinha visto determinada matéria, para prepará-lo sobre futuros inconvenientes". Dinamismo. É assim que Margarida Krohling Kunsch, coordenadora do curso de Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas da USP, define a rotina desse profissional. "Por não ser um trabalho burocrático, o profissional deve estar sempre preparado para surpresas", observa. Detalhe: as surpresas sempre vêm. Digamos que você é um relações-públicas de uma empresa famosa, que está passando por vários escândalos, como aconteceu, por exemplo, com as pílulas de farinha dos laboratórios Schering. Lembra? A sua função, como profissional, é administrar e controlar toda a crise, evitando uma repercussão negativa desnecessária. "O bom profissional já inicia um trabalho preventivo contra crises, pois qualquer empresa está sujeita a elas. Existem empresas que já apresentam um departamento específico para evitar grandes crises", ressalta Margarida. Já há um consenso na área de que a função do relações-públicas é preventiva e não somente curativa, como geralmente acontece no Brasil. "O profissional deve ter, além de experiência na área, um profundo potencial analítico da situação. E, para prever uma crise, ele tem que estar ligado à alta administração da empresa. No Brasil, 90% das empresas utilizam o RP como função curativa. Eu comparo o profissional de RP a um médico, que prevê o problema. Se fizer uma cirurgia, ele cura um paciente, que, porém, fica com uma cicatriz. Se prevenir a doença, não precisa fazer a cirurgia", explica ela. E o que é uma cicatriz em uma empresa? Um exemplo: desastre da Exxon na Antártida. "Eles resolveram aquele problema, mas ficou uma mancha na empresa para o resto da vida", comenta Antônio de Salvo, presidente da ADS, agência de RP há 31 anos no mercado e com vários prêmios no currículo. De acordo com Antônio, para haver uma boa performance na prevenção de uma crise, o profissional deve se manter bem informado sobre a política interna da empresa. Isso significa estar próximo da presidência e acompanhar todas as decisões internas, sendo este um ponto fundamental e um dos grandes entraves para a eficiência do profissional. "De dez profissionais nos EUA, nove são vice-presidentes e um é diretor. Aqui no Brasil, nove são gerentes e um é diretor. E, na função de gerente, o profissional, além de não ter muito poder de decisão, está em uma posição que dificulta a previsão de problemas", explica Antônio. Na retaguarda

Entraves delicados também precisam ser administrados pelo RP. Por exemplo: um presidente de uma multinacional está sendo "caçado" pela imprensa para prestar esclarecimentos. O problema é que o presidente não domina ainda o idioma. É função do RP destacar um profissional apropriado para falar com os jornalistas. Em uma outra situação, um executivo solicitado para uma entrevista não tem uma boa desenvoltura. O RP deverá prepará-lo para se portar, adequadamente, diante da imprensa. Esta função do relações-públicas também é chamada de Media Training: o profissional treina o executivo com simulações de entrevistas e coletivas de imprensa com o objetivo de ajudá-lo a superar desafios como o medo, a ansiedade e até mesmo algumas perguntas embaraçosas dos jornalistas. E, mesmo no conteúdo das informações a serem divulgadas, também deve estar o olho clínico do RP. Uma informação estratégica divulgada fora de hora pode trazer grandes problemas para empresas e instituições. É por isso que o relações-públicas tem que estar sempre atento aos detalhes e ter sensibilidade aguçada. Onde eles estão? Basicamente em três áreas: assessoria de imprensa, organização de eventos e na área de publicações. Vale destacar que uma assessoria de imprensa é exercida por um jornalista, porém administrada por um RP. Ele é quem elabora o planejamento de comunicação. "O profissional também precisa ter uma visão holística de comunicação, como, por exemplo, saber transformar em notícia um acontecimento interno ou do mercado relacionado à empresa", observa Nicolau Amaral, presidente da Nicolau Amaral Comunicação. Vale lembrar que um planejamento de comunicação não envolve apenas o relacionamento com a imprensa. É um trabalho muito maior: envolve o relacionamento da empresa com o mundo. O planejamento de comunicação envolve assessoria de imprensa, eventos, seminários, congressos, feiras e toda a elaboração de material de divulgação, desde folhetos até anúncios. Formação do profissional

Para os que não apresentam uma formação em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas, uma boa saída para ingressar no mercado de trabalho é fazer uma nova graduação. Uma outra opção, segundo Margarida, é uma pós-graduação na área. A Escola de Comunicação e Artes, da USP, apresenta uma especialização, com teoria e prática, para formar esse tipo de profissional. A duração é de dois anos. Preparado o dia inteiro Você sabe se vestir e se portar de forma adequada em todos os eventos de que participa? Tem bom senso? É isso mesmo! O RP tem que estar preparado o dia inteiro com trajes que possibilitem enfrentar um acontecimento inusitado, como, por exemplo, um jantar ou coquetel depois do expediente. Detalhe: o visual sempre tem que ser o mais discreto possível. "A discrição é tão fundamental que o RP deve se posicionar como um profissional de bastidor, que está sempre atrás dos acontecimentos. Não é ele quem vai brilhar. Ele prepara o espetáculo para seu cliente aparecer", observa Nicolau. O domínio de outros idiomas é sempre bem-vindo. Porém o segredo é devorar informações. Mas, segundo o profissional - que adora futebol, surf, viajar e não nega sua inclinação por baladas noturnas -, o importante mesmo, para um bom RP, é investir em relacionamentos.

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