Reestruturação produtiva

Marco propulsor do desenvolvimento econômico e tecnológico, a revolução industrial em sua terceira fase, a partir de 1900, proporcionou o surgimento de indústrias multinacionais e a expansão de negócios ao redor do mundo. Esse incremento provocou, nas últimas décadas, maior e mais rápida circulação de produtos, pessoas e informações. Trata-se da globalização, fenômeno gerador de mudanças substanciais na vida das pessoas, das organizações e dos países, exigindo de todos esforços hercúleos de adaptação, e capaz de produzir riqueza e pobreza acentuadas, como dois lados de uma mesma moeda. A agilidade de circulação tornou-se possível, por exemplo, graças a aeronaves que vencem distâncias continentais, quase sempre em algumas horas de viagem, criando a percepção do encurtamento de distâncias, e integrando o homem, agente da globalização, a outros povos e países. Com a chegada da Internet, as informações circulam ao redor do mundo em quantidade e velocidade nunca antes imaginada, e já possui 888 milhões de usuários, segundo dados da Internet Usage Statistics (2005). A expansão de negócios, viabilizada pela abertura econômica, foi incentivada por Países interessados em ampliar participação em mercados, e outros em ter acesso a produtos de vanguarda tecnológica. No Brasil, essa abertura, datada de 1991, permitiu a oferta repentina de produtos importados de avançada tecnologia. O súbito benefício aos consumidores gerou dificuldades em segmentos variados da indústria nacional, ainda não preparada para aumento significativo da concorrência. Gestores com qualificação e visão reduziram custos, reavaliaram capacidades produtivas e investiram na capacitação do capital humano. As 4.800 fusões e aquisições registradas em 13 anos, 2.200 delas com participação estrangeira não impediram, entretanto, milhares de falências. A forte competitividade exigiu novos parâmetros de qualidade, levando o País a adotar a série ISO 9000, em 1990. Com menos de mil empresas certificadas até 1995, hoje este número supera os 12 mil. A oferta seletiva de trabalho, no entanto, impede populações significativas de integrar a economia globalizada, um paradoxo da expansão de negócios . Promover o desenvolvimento social ainda é o maior desafio da era atual. A aplicação de planejamento estratégico, voltado ao desenvolvimento, é alternativa essencial aos governos submersos no ciclo vicioso da ação social imediatista, cujo resultado é apenas conter temporariamente tumultuadas realidades sociais. É imprescindível criar condições para ampliar a capacidade de gerar e distribuir riqueza, e construir um mercado interno - produtor e consumidor - vigoroso, fundamental para recuperar e expandir a infra-estrutura e o desenvolvimento científico e tecnológico, especializando a mão de obra e gerando produtos nacionais inovadores e de maior valor agregado. A água faz a planta brotar e crescer. Se soubermos semear e adubar, a terra um dia nos dará bons frutos. Luiz Inácio Caribé Cincurá de Andrade é Administrador de Empresas e Professor Universitário. Artigo publicado no Jornal Tribuna da Imprensa - Ano LVII nº 17.101 - p. 04 Opinião. Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2005 e 1º de janeiro de 2006.
ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.