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Reestruturação industrial em SC: Produção têxtil-vestuarista no estado

Em boa medida, a história da industrialização catarinense confunde-se com a das atividades do complexo têxtil-vestuarista no estado. As iniciativas de mestres artesãos de origem alemã, como Hering e Sclösser, nas últimas décadas do século XIX, figuram entre os eventos que deram partida tanto à produção têxtil em escala fabril como, pode ser, ao efetivo movimento de industrialização em SC

A notável expansão dessas atividades, em meio às quais a produção de felpudos sobressai historicamente, é documentado em vários estudos. O significado da trajetória percorrida é sugerido pelo peso de tais atividades na estrutura industrial do estado. Em passado recente, os ramos “têxtil” e “vestuário, calçados e artefatos de tecidos” respondiam pela ordem, por 11,5% e 13,2% da totalidade do valor da transformação industrial catarinense, e a participação estadual nos valores nacionais alcançava 7,8% e 10,3% respectivamente, assgurando o terceiro lugar no ranking brasileiro nos dois ramos. De outra parte, os resultados da RAIS-93 indicam que, somados, ambos representavam 22% das empresas industriais (percentagem garantida sobretudo pelo ramo “vestuário”, calçados e artefatos de tecidos”, cuja estrutura era pulverizada) e mais 26% do contingente empregado total.

Quanto ao desempenho nos mercados externos, cabe ressaltar que os “materiais têxteis e suas obras” alcançaram 12,3% no valor exportado por SC em 1996, o que significa o quarto lugar em termos de grupos de produtos. Note-se ainda que os artigos têxteis e de confecções têm figurado entre os produtos mais representativos das pautas de exportações para Argentina, Paraguai e uruguai, os sócios do Brasil no Mercosul. Santa Catarina vendeu para estes países, em 1997, principalmente roupas de toucador e cozinha, de tecido atoalhado; roupas de cama, de malha de algodão; camisas de algodão e malha de algodão, de uso masculino, e calças de malha de algodão, de uso feminino.

As atividades têxteis e vestuaristas catarineneses envolvem empresas de diferentes tamanhos. Predominam as que possuem até 10 funcionários, porem o emprego mostra-se concentrado nas grandes empresas, o que é verdade especialmente na produção têxtil. Algumas firmas integram grupos industriais; as mais importantes estão localizadas na chamada região industrial de origem alemã, que engloba o nordeste catarinense e op Vale do Itajaí e corresponde ao denominado polo de vestuário e têxtil do estado. São principalmente as grandes empresas que garantem a presença catarinense nos mercados internacionais. Os nomes são conhecidos: Companhia Têxtil Karsten, Artex S.A., Teka – Tecelagem Kuenhrich S.A, Hering Têxtil S. A., Buettner S. A. Indústria e Comércio, Sulfabril S. A., entre outros. Entretanto, ao longo da sua trajetória, as atividades têxteis e vestuaristas de SC acabaram incidindo em diferentes regiões, e a distribuição geográfica observada na atualidade implica outras localizações, além das mais tradicionais. O Sul do estado, polarizado por Criciúma, e a região de Florianópolis passaram a constar (com certo destaque principalmente para a região Sul) da configuração espacial desses setores em território catarinense. Dessa maneira, a geografia das atividades em foco abrangia, pelo menos no início dos anos 2000, as regiões de Blumenau, Brusque, Criciúma, Florianópolis, Jaraguá do Sul, e Joinville, pelo menos.

Nas últimas décadas, o desempenho das referidas atividades não sobressaiu em Santa Catarina. Entre 1981 e 1989, o índice de produção declinou mais de 4%, em paralelo ao crescimento de quase 30% no conjunto da indústria estadual, sendo que o índice de investiemntos apontou expansão inferior a 2% no gênero têxtil e queda de quase 30% no de “vestuário, calçados e artefatos de tecidos”, um comportamento entre os de menor destaque no conjunto das atividades industriais do estado. Tal perfórmance pouco auxiliou para modificar o quadro dos anos 70, quando se deplorava a baixa produtividade da indústria têxtil catarinense que, não obstante o esforço dispensado, com o auxílio financeiro do governo, continuava crescendo em ritmo inferior ao do congênere nacional. De fato, no começo dos anos 90, boa parte das empresas amargavam defasagem tecnológica, conforme revelaram eastudos como o efetuado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE sobre as tinturarias de malha de algodão: constatou-se que 30% dos equipamentos utilizados correspondiam a tecnologias antigas, e isso implicava excessivo consumo de água e desperdício de tempo de processo e produtos químicos, relativamente ao que possibilitaria o uso de maquinário mais moderno.

Entretanto, ao longo da primeira metade da década de 90, assistiu-se a uma certa onda de investimento no complexo têxtil-vestuarista estadual, como prolongamento de tendência iniciada no final dos anos 80. Visando a lubrificar a sua participação em mercados mais exigentes no exterior, e levando em conta as implicações dos processos enfeixados na globalização da economia, as grandes empresas (em primeiro lugar) realizaram investimentos consideráveis na modernização das suas estruturas produtivas. Isso ocorreu em praticamente todos os compartimentos da cadeia produtiva – beneficiamento, fiação, tecelagem, malharia e costura – e envolveu incorporação de maquinário proveniente do exterior, além de modificações na esfera organizacional. Assim, iniciativas combinando incorporação de máquinás e equipamentos modernos, introdução de novas formas organizativas, principalmente células de produção, e vigorosas ações de marketing passaram a frequentar com mais intesidade as estratégias de algumas das empresas mais importantes.

As pressões por mudanças intensificaram-se sobretudo com a investida de fabricantes asiáticos no mercado brasileiro, potencializada pela política cambial vigente desde a deflagração do Plano Real. Em consequência, as empresas, pelo menos as mais importantes, aprofundaram a reestruturação e procuraram vislumbrar novas estratégias de comercialização, diferenciação d eprodutos e organização da produção. Para subsistir em ambiente concorrencial radicalmente diverso do que prevalecia no passado, as empresas tiveram de acelerar o processo de modernização tecnológica da produção, diminuir os custos e aumentar a produtividade. Desse modo, no começo da segunda metade dos anos 92, algumas grandes empresas pareciam ter avançado em ajustes capazes de permitir posicionamento favorável em relação às novas condições de concorrência.

As ações objetivando ampliar a competitividade envolveram também maior utilização de insumos estrangeiros (por exemplo, tecidos como rami com viscose ou algodão, mais baratos e de boa qualidade), tendo em vista a maior ficilidade para importar; impolicaram ainda a introdução de programas de qualidade e produtividade, inclusive com melhoria na capacitação de funcinários. Em particular, o zelo com relação à qualidade passou a ser considerado elemento fundamental para o enfrentamento da concorrência dos produtos asiáticos. A concentração em artigos de maior sofisticação e qualidade, e também fabricados a custos menores, revelou-se estratégia privilegiada. Nas principais áreas produtoras, parece ter-se enraizado a convicção de que, assim como ocorre nos países mais industrializados, o incremento do valor agregado aos produtos têxteis e vestuaristas (em termos de melhor qualidade e mais sofisticação, com evidente cuidado no que concerne ao acabamento) constitui estratégia prioritária para garantir competitividade em face da avalanche de importações. Também cresceu a utilização de canais de venda na forma de lojas situadas em centros comerciais regionais (os chamados outlets, salpicados nas áreas produtoras do estado).

Entretanto, desde a primeira metade da década de 90, observou-se manifesta conjuntura de crise nas atividades têxteis e vestuaristas de Santa Catarina, apesar do caráter cíclico do comportamento dos indicadores. Entre 1992 e 1997, houve marcada degradação – ou ao menos manutenção do quadro precário espelhado – dos indicadores de produção física, faturamento, emprego e nível de atividade (traduzido no volume de horas trabalhadas). Os resultados negativos de 1992 refletem, sem dúvida, as dificuldades associadas à recessão dos primeiros anos da década, por conta das políticas urdidas no goerno Collor de Mello. Em 1993 houve melhora, principalmente no gênero “vestuário, calçados e artefatos de tecidos”, mas quando incidiram as consequências da sobrevalorização cambial.

Em Santa Catarina as atividades têxteis e vestuaristas parecem integrar um complexo industrial dos mais vulnerávies às transformações operadas na economia brasileira ao longo dos anos 90. Portanto, essas atividades deveriam consittuir objeto de atenção particular em termos de política de desenvolvimento industrial, haja vista o peso específico que possuem como empregadoras de mão-de-obra (mesmo com a reestruturação colocada em marcha) e como geradoras de renda.

Deve servir de alerta a aparente tendência ao deslocamento de linhas de produção para outras regiões do Brasil, em virtude de facilidades e incentivos oferecidos por vários governos estaduais e municipais e de possibilidades de utilização de mão-de-obra volumosa e de baixo custo relativo. Enfeixado em movimento mais maplo, que engloba outros estados, o processo de redistribuição espacial das atividades de firmas catarineneses registrou já na aurora dos anos 90, pelo menos. É o que indica o episódio referente à instalação de fábrica de camisetas da Hering em Goiás, em decorrência da perceção da empresa de que era necessário compromir custos em razão do aprofundamento das pressões concorrenciais, e também em virtude do estímulo representado pelos incentivos fiscais ofertados. Entretanto, aquela tendência terial ganho fôlego ao longo dos anos 90. A mais recente informação sobre o assunto, até 1997, envolvia a Teka, do Médio Vale do Itajaí: em setembro daquele ano, a imprensa local noticiou a decisão da empresa de transferir o setor de confecção para o município de Palmeira (Região dos Campos Gerais) no vizinho estado do Paraná, com previsão de abertura de mais de mil postos de trabalho no novo espaço de atuação.

Outras informações podem ser obtidas em https://www.administradores.com.br/artigos/academico/reestruturacao-industrial-em-sc-problematica-objetivo-e-referencial-analitico/72298/ .

Mais em:

http://sis.sebrae-sc.com.br/sis/setor/noticia/visualizar;jsessionid=9D23DA973CD5195AF37BB6901F465DA6?idNoticia=15947

http://morrodaspalmas.blogspot.com.br/2013/09/reestruturacao-industrial-em-santa.html

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