Recordar é viver: ambiente de negócios de uma organização

O ambiente de negócios se trata do conjunto de variáveis controláveis e incontroláveis que impacta no desempenho de uma organização.

Para quem já conhece o tema análise do ambiente de negócios, recordar é viver. Para quem ainda não o conhece e tem interesse nele, segue um resumo para estimular a investigação e o debate em torno desse saber muito útil em Gestão Estratégica, principalmente quando uma organização está realizando um diagnóstico acerca de sua própria situação.

A literatura relacionada à Administração trata o ambiente de negócios como o conjunto de variáveis controláveis e incontroláveis que impacta no desempenho de uma organização. Para tanto, costuma-se atribuir dois níveis de variáveis que compõem esse ambiente, a saber: o microambiente (controlável e diretamente relacionado com a indústria na qual a organização atua) e o macroambiente (geralmente incontrolável e mais abrangente, visto que suas variáveis se aplicam, em diversos graus, a todas as indústrias de uma economia).

No caso do microambiente (ou ambiente de tarefa), e tendo por referência o modelo das 5 forças de Michael Porter, ele é composto pelas seguintes variáveis:

  • Rivalidade entre os concorrentes;
  • Ameaça de novos entrantes;
  • Ameaça de produtos substitutos;
  • Poder de barganha dos fornecedores; e
  • Poder de barganha dos clientes.

No que concerne ao macroambiente (ou ambiente geral), ele possui as variáveis a seguir:

  • Variável política → as variáveis políticas englobam o clima político e ideológico que o governo pode criar e a estabilidade ou instabilidade política e institucional do país em geral.
  • Variável legal → diz respeito à legislação vigente, como a legislação tributária, a trabalhista e a empresarial, tendo influência acentuada sobre o comportamento e na forma de agir das organizações.
  • Variável demográfica → essa variável é representada por aspectos como densidade populacional, mobilidade interna da população, índice de mortalidade, índice de natalidade, taxa de crescimento demográfico, composição e distribuição da população segundo sexo, idade e estrutura familiar, dentre outros elementos correlatos.
  • Variável social → trata-se da forma como os diferentes grupos e movimentos sociais se estruturam, agem e interagem entre si, influenciando, dessa forma, no planejamento e implementação de projetos e ações por organizações públicas e privadas.
  • Variável cultural → refere-se ao sistema de valores, crenças e princípios que regem o comportamento de pessoas, grupos e organizações num dado território, funcionando como uma espécie de “olhar” da sociedade sobre o meio ambiente em que ela está inserida.
  • Variável ecológica → as políticas ecológicas definidas nos diferentes âmbitos do governo podem atuar como oportunidades e/ou ameaças para as organizações. A legislação sobre meio ambiente em prol do desenvolvimento sustentável pode ser citada como exemplo. Além disso, essa variável considera os efeitos das condições naturais sobre o desempenho das atividades das organizações.
  • Variável econômica → refere-se a aspectos da economia em si, tais como: a variação do produto interno bruto (PIB), das taxas de inflação, a estrutura do balanço de pagamentos, as taxas de juros, os níveis de distribuição de renda, dentre outros.
  • Variável tecnológica → os desenvolvimentos tecnológicos, a pesquisa aplicada e a inovação possuem o potencial de alavancagem do desempenho tanto das organizações, quanto das indústrias que se beneficiam desses fatores.

Como produto da análise do ambiente de negócios, tem-se um diagnóstico mais claro, objetivo e preciso da real situação da organização, servindo de insumo para o posicionamento estratégico institucional.

Sobre esse posicionamento, e levando-se em conta a cultura de cada organização e a profundidade das análises feitas na etapa de diagnóstico organizacional, as instituições costumam adotar um dos seguintes comportamentos, segundo Pagnoncelli e Vasconcellos Filho apud Andrade e Amboni:

  • Dinossauro → não reage e não se adapta. Consequência desse comportamento: extinção.
  • Avestruz → esconde-se parcialmente. Consequência desse comportamento: morte.
  • Camaleão → esconde-se totalmente. Consequência desse comportamento: estagnação.
  • Castor → antecipa-se às mudanças no meio ambiente. Consequência desse comportamento: sobrevivência com riscos maiores.
  • Formiga → faz provisão. Consequência desse comportamento: sobrevivência com riscos menores.
  • Abelha → produz e faz provisão. Consequência desse comportamento: sobrevivência e utilidade.
  • Ícaro (na mitologia grega, tratava-se do filho de Dédalo que tentou alcançar o sol com asas artificiais à base de cera e acabou caindo e morrendo no mar) → utiliza criatividade e inovação. Consequência desse comportamento: sobrevivência sem evolução.
  • Astronauta → reage de forma proativa com criatividade e inovação. Consequência desse comportamento: sobrevivência a longo prazo e desenvolvimento.

Isso posto, fica a dica para um bom trabalho de Gestão Estratégica.

Um forte abraço a todos, sobretudo à estimada Renata, pela paciência com as manias de seu colega de trabalho (este que lhes escreve), e fiquem com Deus!

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