Recertifiquei - e agora?
Recertifiquei - e agora?

Recertifiquei - e agora?

Depois da euforia, como ficam os processos?

Depois de mais de um ano de trabalho árduo somado à várias auditorias, abertura de não conformidades, análise das causas raízes e estabelecimento de planos de ação, finalmente sua empresa agora está na nova versão da NBR ISO 9001:2015.

O grande boom da questão é: será que realmente foi merecida essa titulação?

Já mencionei em outro artigo a falta de uso dessa norma para realmente melhorar o sistema de gestão da qualidade, e apenas a sua busca para ter um reconhecimento comercial perante esse mercado cada vez mais competitivo. Passadas as etapas de auditorias internas e externas, muitas são as empresas que deixam de lado tudo o que foi construído e passam novamente a se preocupar com esses problemas — sim, eu disse "problemas" porque para alguns gestores a norma é um grande problema, apenas novamente as vésperas de uma nova auditoria de manutenção ou de clientes.

A nova versão da NBR ISO 9001:2015 para os conhecedores, traz consigo uma gama enorme de oportunidades de entender melhor o seu negócio. Ela permite que a organização se antecipe a problemas futuros com a análise dos riscos corporativos, tanto internos quanto externos. Também passou a ser necessário pensar estrategicamente, uma vez que o item 6.3 “Planejamento da Mudança” nos remete a pensá-la de forma a atendê-lo. Muitos são os motivos que nos levam a dar a devida credibilidade à nova versão porque agora não mais apenas o representante da direção e o coordenador da qualidade atuam nela, mas, sim, todos os atores da empresa — incluindo nesses a direção.

Mas o que mais me incomoda neste contexto, é o fato de ouvir as seguintes frases:

"Olha não precisa abrir NC para essa questão que vamos tratá-la fora do sistema da empresa";

"Troque essas evidências em virtude desse item ser obrigatório e porque precisamos que o mesmo apareça no relatório";

Ou ainda pior:

"Apague essa não conformidade e busque novas evidências conformes para o relatório".

Mas o que mais me deixa irritado é uma sonora recomendação para uma próxima auditoria interna marcada: “Preciso que você audite com muita ênfase esse processo, para resolver todos os problemas que temos”. Confesso, pessoal, não entendi!

Apenas para deixar claro para os mais conservadores, não sou contra suprimir ou modificar o texto de algumas não-conformidades. O que eu acredito, e carrego sempre comigo, ensino para meus colegas e alunos é que devemos melhorar continuamente, assim como dito no item 10.3 “Melhoria Contínua”. Podemos tratar o problema fora do sistema, podemos até mesmo tratá-lo com ações imediatas. O que não pode ser feito é deixar como está e se preocupar apenas na semana que vem, mês que vem, ano que vem ou dois meses antes da auditoria externa.

Se realmente as empresas passarem a se preocuparem com seus processos e a busca pela qualidade, as preocupações com os erros serão os menores dos seus problemas. Pelo contrário é com os erros que aprendemos.

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