Química verde avança também no Brasil

A química verde utiliza matérias primas e processos menos agressivos ao meio ambiente e à saúde humana e também avança no Brasil

A indústria química sempre foi considerada uma das grandes causadoras da poluição ambiental. Pesquisas de opinião, realizadas em diferentes países desde a década de 1970, apontam o setor químico como um dos grandes vilões do meio ambiente. Vazamentos e explosões em unidades de produção, mataram mais de seis mil pessoas em todo o mundo desde a década de 1950 – isso sem contar os milhares de trabalhadores que tiveram algum tipo de sequela devido à exposição prolongada aos componentes tóxicos nas indústrias.

Desde o início da década de 1980 a indústria química mundial vem desenvolvendo e aplicando quesitos de segurança aos processos de produção, transporte e armazenagem, chamados “resposible care” (atuação responsável). Com estas providências reduziram-se bastante os riscos de acidentes com produtos químicos, envolvendo danos a pessoas e ao meio ambiente. Na área da movimentação de produtos, por exemplo, a ONU e as associações das indústrias químicas dos diversos países criaram normas para o transporte de produtos perigosos – tóxicos, explosivos, corrosivos, inflamáveis – aplicáveis em todo o mundo, a todo tipo de transporte; rodoviário, aéreo, ferroviário, fluvial e marítimo.

Ainda nos anos 1980, surgiu nos Estados Unidos um conceito novo de química, a química verde. Segundo a União Internacional da Química Pura Aplicada (IUPAC) a química verde é definida como: “a invenção, desenvolvimento e aplicação de produtos e processos químicos para reduzir ou eliminar o uso e a geração de substâncias perigosas”, ou seja, que sejam nocivas à saúde humana ou ao meio ambiente. Trata-se, sem dúvida, de um grande passo no setor químico, já que coloca como compromisso a gradual substituição de substâncias tóxicas por outras com menos ou nenhuma periculosidade nos processos de formulação de produtos. Ao longo dos anos foram estabelecidos doze princípios básicos que balizam a química verde e que incluem conceitos como o da prevenção da geração de resíduos e substâncias perigosas e o uso eficiente de matérias primas e energia. É evidente, no entanto, que por ser uma atividade econômica como qualquer outra, não é possível esperar que em poucos anos o setor se torne completamente verde, utilizando em suas formulações – ou como resultado destas – somente produtos inócuos, com pouco ou nenhum impacto ao meio ambiente ou à saúde humana.

No entanto, a pressão de nova lei ambiental e a ação de ONGs está ajudando com que a indústria química gradualmente reformule seus processos e reduza a periculosidade de seus produtos. Os consumidores também estão desempenhando um papel importante, deixando de comprar produtos convencionais e substituindo-os por outros menos impactantes. Assim, o próprio mercado passa a premiar empresas que atuam de maneira mais sustentável. Exemplo disso é a brasileira Oxiteno, que em um terço de seus produtos utiliza ingredientes renováveis como a canola, a mamona, o óleo de palma, a soja e o coco, além de desenvolver solventes à base de cana-de-açúcar. Outro caso já bastante conhecido é o da empresa Braskem, que fabrica o “plástico verde”, derivado do etanol da cana, em substituição aos derivados de petróleo.

Os custos para muitos processos de produção verde ainda são proibitivos. Mesmo assim, avançam as pesquisas em todo o mundo, inclusive o Brasil. Com isso, a moderna química está ficando um pouco mais verde, reduzindo seu impacto ambiental e seu efeito por vezes nocivo à saúde humana.

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