Quer empreender? A hora pode ser agora

Pessimismo é a palavra de ordem em tempos de crise econômica como a que vivemos. Mas a crise também é o momento de coisas novas surgirem, de oportunidades para quem acredita e de muito trabalho para aqueles que conseguem enxergar além da tempestade

Pessimismo é a palavra de ordem em tempos de crise econômica como a que vivemos. Mas a crise também é o momento de coisas novas surgirem, de oportunidades para quem acredita e de muito trabalho para aqueles que conseguem enxergar além da tempestade.

Com níveis de desemprego alarmantes - somente no segundo semestre de 2015, segundo o IBGE o índice de desemprego chegou a 8,3%, um aumento de 23% em relação ao segundo semestre de 2014 – é hora de usar a criatividade e pensar em alternativas e pode ser também o momento de quem sempre quis arriscar e empreender, montar o próprio negócio.

O Brasil é um país de empreendedores. Na contramão do desemprego, segundo pesquisa da Global Entrepeneurship Monitor feita no Brasil pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade, a taxa de empreendedorismo no país aumentou de 23% em 2004 para 34,5% no ano passado, com metade desses empreendedores abrindo seu negócio há menos de três anos e meio. O número bastante significativo é uma dose de otimismo para quem, em meio à crise, não sabe qual rumo tomar. Mas se tornar um empreendedor, é um trabalho duro porque o melhor empresário é um excelente trabalhador. O período que vivemos é bom para quem ter um grau maior de idealismo, então depois de acreditar no seu sonho, o passo seguinte é arregaçar as mangas e colocar a mão na massa, porque o seu negócio depende de você para ser um sucesso.

Digo isso como um empresário que, depois de 20 anos para criar uma empresa consolidada referência nos segmentos de marketing promocional e brindes, a Sertha Brindes, precisou se reinventar. Depois de perder muito dinheiro e ter que diminuir drasticamente o meu corpo de funcionários no final de 2014, a maneira que encontrei para fugir da crise foi abrir uma nova empresa em paralelo ao meu primeiro negócio, mesmo em uma realidade muito diferente da que eu tive em 1994, quando comecei. Enxerguei que o meu ramo de atuação tinha potencial para criar algo para aqueles que, como eu, sempre tiveram o sonho do próprio negócio. Hoje em dia, meus clientes na nova empresa, a Thale Suprimentos, que desenvolve máquinas para a personalização de brindes idealizadas por mim, são concorrentes da Sertha Brindes, mas não vejo isso como um obstáculo em meu negócio, e sim como pessoas tendo uma oportunidade similar à que eu tive para fazerem uma mudança na vida e enfrentarem a crise.

Minha veia empreendedora apareceu desde bem cedo. Com 9 anos, eu já vendia bacias de plástico na feira com o material de injeção que meu pai trazia da empresa que trabalhava para juntar alguns trocados e meu primeiro emprego formal veio aos 14 anos. Depois de trabalhar anos como funcionário na área de automação industrial, a oportunidade de ter meu próprio negócio surgiu de uma simples revenda de canetas carimbo. Falo com propriedade quando digo que ter o próprio negócio é uma questão de risco calculado, de aproveitar o momento e talvez seguir um caminho duvidoso para muitos, mas também de trabalhar muito mais do que se espera, quando as pessoas pensam em ‘empresário’.

Comece seu negócio com uma boa ideia e depois estude seu público-alvo. Pequenas e médias empresas têm a chance de criar um relacionamento real e próximo com o cliente, entendendo suas necessidades para poder atendê-los da melhor maneira possível e de modo mais personalizado, o que é uma grande tendência e diferencial nos dias de hoje. É necessário também estudar a concorrência para poder sempre ir além e preencher as lacunas deixadas por ela. Foque em um bom planejamento de despesas que minimizem o custo para que a ideia saia do papel, mas não se esqueça também de pensar, em um segundo momento, no crescimento do seu negócio, de enxergar além e avaliar o quanto é necessário arriscar.

A maturidade para entender que errar faz parte do processo e aprender com esses erros é primordial. Do erro pode vir o acerto e a resiliência para prosseguir mesmo em situações adversas, é o que diferencia um empreendedor de sucesso. Crise também é oportunidade de criar e de correr atrás de seus sonhos, arregace as mangas e arrisque, esse é o momento perfeito para os destemidos.

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