Quem inventou o chefe?

Amanhã a sala que você tanto evita pode ser a sua.

Não adianta reclamar. Cedo ou tarde, seu chefe irá despertar em você sentimentos que talvez não queira mostrar ao mundo. Angústia, raiva, medo, ódio, desespero e ansiedade passam -- de uma hora para outra -- a reger seu mundo corporativo como um som que ecoa uníssono em todos os lugares onde o chefe “dá as caras”.

Sim, eles existem aos potes.

Camuflados em dóceis cordeiros ou notadamente leoninos, estão sempre à espreita aguardando um único movimento desconexo seu capaz de lhes subsidiar com motivos para toda sorte de atitudes: intimidação, desqualificação, apropriação e, em casos mais extremos, o repugnante assédio moral.

Amado por poucos e odiado por muitos, seu superior imediato possivelmente tem a notória habilidade de causar uma certa estranheza comedida àqueles que dependem dele. Não raro, ótimos profissionais mergulham no poço da frustração e acabam trocando de emprego não para evoluir, o caminho natural, mas porque se deixam vencer pelo comportamento nocivo de um possível chefe tóxico.

É questão de tempo até que você engrosse as estatísticas da nada fraternal relação chefe versus subordinado, então gostaria de sugerir um possível antídoto: sempre que possível, exercite a escuta empática e seja diplomático! Combinadas, essas duas frentes podem trazer um ganho emocional significativo e melhorar sobremaneira a já árdua rotina profissional.

Empatia, como se sabe, é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Escuta empática, portanto, refere-se à condição de entender o ponto de vista alheio, assim como seus temores, inclinações, propósitos e motivações. Em Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, Stephen R. Covey descreve o saber ouvir como uma de suas leis: “Procure primeiro compreender para depois ser compreendido.”

É isso aí!

Embora domar os sentimentos seja um trabalho extenuante, experimente colocar-se no lugar de seu chefe diante de situações emblemáticas e igualmente desafiadoras. É provável que você sinta as mesmas coisas que ele, tais como insegurança, solidão, vontade de poder, medo do fracasso, necessidade de aprovação, desejo de pertencimento, entre outros. Ouvindo mais que falando, será possível notar que seu chefe talvez queira alguém apenas para conversar ou mesmo dividir os ônus e bônus do cargo.

A análise empática é uma ferramenta cognitiva eficaz para gerar sinergia construtiva. Sob essa perspectiva, exercitar a escuta empática significa também ser diplomático. Como nos ensina a ciência da diplomacia tão bem traduzida por Henry Kissinger no indispensável Diplomacia, o contato pacífico é a alma da conquista. Não adianta saber ouvir se não estiver disposto a ouvir. O mesmo pressuposto é ilustrado por Jim Collins em Como as gigantes caem: somente pessoas dispostas a ouvir e dotadas de uma humildade sobrenatural atingem a Liderança Nível 5.

Em suma e na essência, lidar com o chefe requer saber e querer colocar-se no lugar dele. Afinal, amanhã a sala que você tanto evita pode ser a sua.

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