Quem acredita em crise, levanta o braço

Se a crise te pegasse você preferiria estar do lado de alguém que vendesse ou que só trabalhasse na loja?

Resolvi, de uns tempos pra cá, dar um up de patriotismo e brasilidade nas minhas palestras e usar – associado a um texto positivo e motivador – uma bandeira do Brasil. Nesses dias “bicudos”, em que, muitos preferem focar na crise em detrimento de saídas e alternativas para o enfrentamento, sinto que o momento é mais que oportuno. Afinal – ainda que especialista em vendas - sou um palestrante motivacional, por isso as empresas me contratam. Elas querem uma mensagem de esperança, alegria, motivação. Querem conteúdo que aponte caminhos para o incremento de suas vendas, fidelização de clientes e aumento de receita. Esse é o maior legado do meu trabalho, mas não posso fugir de orientar e lembrar para o fato de que somos nós os donos dessa pátria.

Fui procurar minha nova bandeira em uma conhecida loja de brinquedos e presentes, em Fortaleza, que fica no caminho de volta pra casa. A primeira dificuldade foi estacionar o carro, porque a loja não dispõe de estacionamento. Enquanto caminhava da rua lateral, onde consegui parar, até a loja fiquei relacionando e dando sentido para uma das célebres máximas do marketing de varejo: no parking, no business. Em tradução livre, “sem estacionamento, sem negócios”. Mas rompida a barreira, entrei na loja.

Como a exposição de produtos era um tanto confusa, fiquei no meio do estabelecimento tentando encontrar o produto, sem muito êxito. Foi aí que tive a experiência que só conhecia do anedotário empresarial. A mocinha com a “farda” da loja passou por mim e eu perguntei se lá vendiam bandeiras do Brasil. Ela – muito educada é verdade – olhou pra mim e disse: desculpe moço, mas eu não sou vendedora, eu só trabalho na loja. Ah!..

Confesso que fiquei mais surpreso que chateado. Achei graça e fui procurar alguém que, além de trabalhar na loja, se preocupasse em atender, orientar e servir o cliente e vender alguma coisa, contribuindo para que a loja não entrasse na propalada crise. Encontrei, depois de algum tempo, a atendente e a bandeira. Ela escreveu em um papelzinho o valor do produto e pediu que eu fosse ao caixa. Vi que no papelzinho não havia nenhuma indicação do vendedor, então perguntei se ela ganhava comissão. Seu olhar ficou tristonho. Ela respondeu, resignada: quem dera moço, quem dera!

Essa pequena experiência de compra me ajudou a reforçar algumas conclusões. Tem muito empresário queixoso de que a economia vai mal, que as vendas estão minguando e que o negócio já não tem a mesma rentabilidade de tempos atrás. Daí, observo que tem muita gente que reclama, reclama, mas não toma atitude para mudar o “status” do negócio. Cliente na loja é uma dádiva dos céus, mas se o time de vendas e atendimento não estiver treinado, capacitado, orientado, remunerado e motivado para promover vendas, de nada adianta cliente na loja!

Outra coisa que pode até parecer bobagem, mas não é. Funcionário "fardado" na loja deve estar a serviço do cliente. Se não estiver, está no lugar errado. Na loja deve, no mínimo, saber onde as coisas estão expostas para orientar o cliente enquanto o vendedor não chega para o atendimento.

O que mais marcou nessa rápida experiência não foi a falta de estacionamento, a moça fardada que “só trabalha na loja”, o tempo de espera ou a exposição confusa das mercadorias. Foi o olhar de tristeza da vendedora que não ganha comissão. Isso sim é um tiro no pé do negócio. Comissão de vendas é investimento, nunca despesa. Ela deve fazer parte do composto desde a definição de negócio. Você empresário que não paga comissão para vendedores e atendentes, não precisa concordar comigo, mas se a crise te pegar, são as pessoas que estão do seu lado que vão tirar você de lá.

E aí, o que você prefere: alguém que “só trabalha” ou alguém que vende?

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