Quanto vale seguir o sonho?

Até quando o corpo aguenta a insatisfação na carreira

"É melhor ser alegre que ser triste", já dizia Vinícius de Morais. Todos buscam a felicidade, a satisfação com aquilo que fazem, seja nos estudos ou profissionalmente. Porém, nem sempre, é possível trabalhar com aquilo que se deseja, assim ficando suscetível a carreiras que não vão como o planejado.

O funcionamento fisiológico do corpo humano está diretamente relacionado com o humor, com a estima de cada um, isso já foi comprovado em diversos estudos. Num dia mais depressivo, ficamos muito mais propensos a uma dor de cabeça, por exemplo, que num dia de felicidade. Agora imagine uma vida de dias mais propensos a dores de cabeça?

Muito dificilmente encontraremos o trabalho perfeito, onde não existam problemas ou estresses desagradáveis, infelizmente isso é um conto de fadas dos negócios. Mas sempre existe aquele trabalho em que, mesmo que haja estresses, seja um ofício que dê prazer no final das contas. Sempre vai estar de copo meio cheio, mesmo que os olhos estejam fundos de tanto trabalhar, mas se sentirá feliz com o resultado final.

Épocas de crise, como nosso momento atual, fazem com que aceitemos condições que, em outras situações, não aceitaríamos. Mesmo sabendo que aquela falsa boa oportunidade é uma furada, aceitamos e seguimos. Seguimos por um tempo. Para alguns um pouco mais que outros, mas um tempo limitado até que o corpo reaja. Aumento de doenças simples, como um resfriado, tornam-se mais frequentes. Sendo esses alguns sinais dessa insatisfação.

Não havendo um tratamento psicológico ou a mudança de atividade, o que é o mais indicado, pode-se progredir podendo tornar-se problemas cardíacos graves, gastrites ou transtornos psicológicos irrecuperáveis. Uma vez instaurado o trauma no desenvolvimento de determinado ofício, é muito difícil de reverter-se o quadro.

Infelizmente, muitas pessoas não tem a opção de sair de onde estão e mudarem para um setor, ou para uma empresa, onde possam desenvolver uma atividade que lhe seja mais interessante. Isso, contudo, não quer dizer que se pode dar como resolvido, pois trata-se de um ser humano, de um sujeito propício à todos os quadros citados acima. Assim sendo importante que haja uma visita ao psicólogo (agora todos os planos de saúde cobrem assistência psicológica), para que, ao menos, se minimize os traumas ali desenvolvidos.

Todos nós temos limites. Até onde vai o limite de não seguir o sonho e ser insatisfeito com aquilo que faz? Ao ponto de desejar estar doente o máximo de vezes para não ter de ir trabalhar na manhã seguinte?

Nunca devemos desistir do sonho, daquilo que nos motiva. Em situações como essa que se deve lembrar que uma carreira de sucesso é feita por aquele que ama o que faz. Nunca um insatisfeito vai ser bem sucedido naquilo que faz. Por isso cabe sempre uma reflexão para saber “eu estou feliz com aquilo que eu faço?”.

Guimarães Rosa já disse que a “felicidade se acha é em horinhas de descuido”. Nunca poderemos nos descuidar no trabalho, mas podemos fazer com que a alegria encontre um solo fértil para crescer, junto de nossa carreira. Seja ele administrador, psicólogo ou bailarino, uma carreira bem-sucedida e feliz só é possível para aquele que batalhar duro por isso, que se dedica. Para aquele que merece realmente.

“Tudo é possível àquele que sonha, ousa, trabalha e não abandona nunca”

Xavier Dolan (tradução livre de “tout est possible à qui rêve, ose, travaille et n’abandonne jamais”)

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