Quantidade não é qualidade

Recentemente li um artigo no portal Exame que lançava a seguinte pergunta:Estamos trabalhando muito ou mal? O que você acha?

Trabalho em uma empresa que respeita a carga horária máxima permitida para jornalistas no Rio Grande do Sul, que é de 5 horas com 2 horas extras diárias, no máximo. Ou seja, 7 horas por dia de trabalho. As demandas na comunicação são intensas em quase todos os meses do ano e fazemos muitas atividades, mas considero 7 horas suficientes, quando há uma equipe estruturada. Talvez se eu ficasse de 8 a 9 horas dentro do escritório, conseguisse trabalhar sozinha com mais um ou dois estagiários ou assistentes. Mas, o fato de ter mais uma colega jornalista é benéfico não só para a divisão das responsabilidades como para a troca de ideias. Sem contar que isso possibilita mais oportunidades de emprego para os profissionais da área. De fato, nossa profissão requer uma agilidade mental absurda e, muitas vezes, um desgaste físico também, no caso de repórteres que passam o dia inteiro na rua atrás de pautas, por exemplo. Além disso, acredito que depois de muitas horas de atividades o profissional já não rende tudo o que pode e passa a fazer número dentro da empresa, cumprindo horário, mas sem produzir de fato.

Ainda vivemos em um sistema profissional muito industrial: bater o ponto às 8h, ficar na empresa fazendo reuniões, com a mesa cheia de papeis e o telefone tocando sem parar enquanto respondemos centenas de e-mails e sair somente para almoçar muito rápido (quando dá) e para ir embora, de preferência um pouquinho depois do horário. A maioria dos gestores ainda acredita que o funcionário colado na cadeira e dentro do escritório é o que mais produz. Em atividades intelectuais, esse não pode continuar sendo um indicativo de eficiência, de produtividade ou até mesmo de engajamento. Vamos acordar! O mundo muda e as pessoas, principalmente, também. Todo mundo está buscando mais qualidade de vida e mais tempo.

O artigo que mencionei no início deste texto bem exemplifica isso. Uma pesquisa apontou que o Brasil é o país onde mais se trabalha, com 17% da população cumprindo uma jornada de 55 horas semanais (11 horas diárias, sem considerar o sábado!). Porém, segundo o relatório global da Conference Board, organização americana que reúne 1.200 instituições públicas e privadas de 60 países, para produzir como um americano são necessários quatro brasileiros. Ou seja, tem caroço nesse angu. De acordo com os especialistas ouvidos pela Exame, a solução está em simplificar os processos nas companhias. Eu concordo e acrescento que, além de simplificar, é preciso pensar em formas de tornar o ambiente de trabalho mais funcional, menos burocratizado e mais condizente com as expectativas dos funcionários também. Qualidade no lugar de quantidade. Está mais do que na hora!

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