Quando apresentação é tudo
Quando apresentação é tudo

Quando apresentação é tudo

O vestir-se bem na fala e na aparência.

Quem trabalha com marketing, vendas ou similares sabe que a primeira impressão é a mais importante para uma relação saudável com o cliente. Isso já é de praxe nosso, não se pode deixar a peteca cair na frente do cliente, senão é a nossa cabeça a próxima. Num dia de indisposição que não consegui ir ao trabalho, no caminho do médico encontrei mais um camelô no trem. - Sim, eles. Eles que, sem dúvida são meus maiores inspiradores. - Mas esse tinha mais uma aula de relação BC que não estão nos livros.

Ele estava vendendo um novo sabor de uma bala, até aí ok. O sabor era limão e menta (ainda não sei se isso é bom, não tive energia para comprar um). Sua apresentação inicial: um tênis confortável, jeans, (hora da surpresa) camisa de botão e um blazer. Ele estava mais elegante que muita gente em muito escritório. Mais um momento de surpresa: na hora da venda além dos gritos normais, ele estava no trem, não tinha muita opção, um discurso interessante: ele não só vendia o drops, vendia uma experiência completa. Mostrava a novidade, afirmando ser o lançamento do momento, acrescentando poderes medicinais da bala, sendo bastante efetivo contra gripes, tosses e mazelas similares.

A cor da embalagem é toda roxa escuro, detalhes pretos e o nome do drops em branco. Ele fez um comentário que muitos de nós deveria aprender: "Eu sei que a embalagem até parece de uva, né ? Mas é de limão e menta... muito moderno e estilo." Ele assumiu que a apresentação talvez não fosse a perfeita para a proposta do produto, mas não deixou espaço para dúvidas ao cliente: ele afirmou a modernidade na apresentação. Ele não esteve na criação do drops, muito menos na escolha a apresentação da embalagem. Mas ele se apropriou de uma tal forma daquela venda que parecia que ele estava vendendo uma criação própria, sendo resultado de muito trabalho e esforço.

Ele não só surpreendeu pela apresentação física, mas pela propriedade da fala. Por mais que metade do que ele tenha falado não tenha sentido algum, ele afirmou com cadência. Ao mercado não cabe mentiras, afinal, em pouco tempo ela seria descoberta e seria muito pior para o mentiroso. Mas cabe a propriedade da fala, apropriar-se como dono. Sentir-se como dono. Mesmo que não tenhamos feito parte da concepção do resultado final, ou até descordemos de alguns pontos. Porém, se estamos lá para defender aquilo que nos fora proposto, que façamos com cadência e elegância.

Atualização: dois dias depois, quando já estava melhor tive a oportunidade de encontrá-lo novamente. Dessa vez sem o blazer, mas ainda de camisa social. Agora pude aproveitar sua oferta e ainda tive a oportunidade de desejá-lo "Boas vendas", como um admirador da forma de divulgação. E sobre o sabor da bala: a forma de divulgação é muito mais gostosa do que a realidade... mas isso já é assunto para outro artigo.

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