Quando a crise bate à porta

Até mesmo as organizações mais sólidas são afetadas por esta tão afamada crise, o que dizer do trabalhador que vê sua renda cada vez mais curta?

Nos últimos meses o brasileiro tem sido bombardeado por notícias nada animadoras sobre a economia do país. Algumas mais complexas como a queda do PIB ou a perda do grau de investimento, outras já bem conhecidas como inflação alta, juros elevados, sucessivos aumentos no preço dos combustíveis... e não precisa ser nenhum cientista econômico para sentir na pele e no bolso a repercussão deste cenário adverso. O fato é que a economia está fragilizada e todos são diretamente atingidos. Se até mesmo as organizações mais sólidas são afetadas por esta tão afamada crise, o que dizer do trabalhador que vê sua renda cada vez mais curta diante de produtos e serviços cada vez mais caros?

Atravessar esse período turbulento não é tarefa simples, alguns hábitos precisam ser modificados, o que nem sempre é agradável, exigemuito cuidado em cada passo, uma vez que decisões impensadas podem agravar o quadro. É preciso manter a calma e desenvolver a disciplina para pôr em prática uma máxima que, mesmo soando clichê, pode significar a luz no fim do túnel: gastar menos do que ganha e usar o que sobra com prudência. Abaixo são apresentadas algumas orientações que podem ajudar a superar esse mau tempo.

Check-up

Antes de tudo, é imprescindível examinar o orçamento com bastante circunspecção, atentando friamente para todos os aspectos. Neste momento é interessante fazer uma planilha contendo sua receita real e todas as suas despesas com as respectivas datas para pagamento. Nada pode ser esquecido, ou seja, além das contas como água, luz e aluguel, considere todos os gastos, tais como vestuário, alimentação, medicamentos, lazer, financiamentos. Isso garantirá maior controle orçamentário.

Hora de despegar-se

Não é o tipo de coisa que gostamos de ouvir, mas é o que necessitamos fazer em momentos como este. Se observarmos com calma, perceberemos que há muitas coisas em nosso dia a dia que podem ser dispensadas ou substituídas. Reavalie, por exemplo, seus gastos com alimentação, vestuário e lazer. Lamento informar que isso afetará seu padrão de vida, mas pelo seu bem-estar e de sua família é necessário cortar algumas despesas, se desapegar de alguns bens materiais e inevitavelmente mudar o estilo de vida, como ir menos ao shopping, cinema, jantares, festinhas, adiar aquela viagem. O lado bom é que terá maior possibilidade de honrar suas contas e, neste momento, isso é fundamental.

Financiamento deve ser prioridade

Na hora de eleger quais contas devem ser prioritárias, a dica é pagar primeiro as que geram maiores juros em caso de atraso, certo? Certo, exceto quando se trata de financiamentos associados a bens como imóvel e automóvel. Estranho, não é mesmo? Mas há uma explicação razoável: é bem verdade que os juros nestes financiamentos são mais baixos, todavia isso é decorrente da facilidade que o credor tem de retomar o bem, ou seja, o não pagamento do financiamento pode fazer com você perca o bem e continue devendo. Isso deve ser levado em consideração na hora de priorizar os pagamentos.

Empréstimo pode virar cilada

Na hora do aperto você se vê pressionado e precisa de mais tempo para resolver a situação, diante disso, fazer um empréstimo para quitar as dívidas parece ser uma boa saída, além de mais rápida. No entanto, isso pode piorar o que já está ruim. Contrair um empréstimo até pode ajudar a cobrir as atuais despesas, o problema é que você acaba por adquirir uma nova dívida, mas sem recursos suficientes para liquidá-la. O atraso no pagamento do empréstimo acarretará juros e fará a inadimplência bater a sua porta. Antes de pedir dinheiro emprestado, tente manter contato com seus credores, relate o momento delicado pelo qual está passando e tente renegociar os termos previstos.

Plano B

Até aqui falamos sobre contenções, cortes, reduções e pagamentos, ou seja, conhecemos algumas formas mais conscientes de dispor de recursos, mas uma crise exige também que tenhamos criatividade para aumentar as receitas através de fontes alternativas.

Ainda que você disponha de uma renda, seu trabalho não precisa ser a única fonte. Pode ser bastante interessante desenvolver outras formas de ganhar dinheiro, desde que você tenha comprometimento e disposição. Faça uma autoanálise e tente descobrir como você pode vender seus conhecimentos e habilidade, descubra suas aptidões de forma que possa convertê-las em um negócio lucrativo além do emprego formal, como dar aulas, escrever em blogs, artigos ou livros. As opções são infindáveis.

Em último caso, após esgotadas todas as alternativas, há de se considerar a venda ou substituição de parte de seu patrimônio, como por exemplo, trocar seu automóvel por um modelo mais simples, trocar seu imóvel por um menor. Tudo de que precisa é uma segunda chance para superar esta crise e reconquistar o que sacrificou. Como dizem: vão-se os anéis, ficam os dedos.

Aguente firme

Até mesmo os mais cuidadosos estão sob o risco de enfrentar uma crise financeira, então não se apavore, você não está sozinho. Por mais difícil que seja a situação, há uma saída, ainda que demande um esforço no qual a maioria das pessoas não se mostrem dispostas, ou mesmo preparadas para realizar. Não permita que o desespero ganhe espaço em sua mente, mantenha a calma e as rédeas da situação, afinal livrar-se das dívidas é um desafio difícil e, às vezes, demorado, mas com esforço, disciplina e dedicação é possível reverter o quadro e vencer a crise.

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