Qualidade do Ensino Médio e Oportunidades

A qualidade do ensino médio tem sido objeto de debates constantes no meio acadêmico, pela condição de ingresso dos estudantes no ensino superior e por seus rebatimentos na vida universitária e profissional. Em meio ao calor dos resultados para 2004 dos processos seletivos das faculdades, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) divulgou em Janeiro/04 o resultado do estudo Qualidade da Educação: uma nova leitura do desempenho dos estudantes da 3ª série do Ensino Médio. Esse estudo analisa a qualidade do conteúdo aprendido nas escolas brasileiras, verificada por meio de avaliações para mensurar as competências e habilidades desenvolvidas pelos alunos, numa releitura dos dados do MEC, no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Essa pesquisa é desenvolvida por meio de verificação das séries estatísticas históricas de resultados comparáveis no período de 1995 a 2001, nos conhecimentos de Língua Portuguesa e Matemática. As conclusões mostram diminuições das médias gerais de proficiência nas duas importantes áreas de conhecimento avaliadas, em resultados totais para o Brasil. Em Língua Portuguesa, os números do estudo indicam que aproximadamente 42% dos estudantes estão em estágios de desenvolvimentos classificados como crítico e muito crítico. Isso equivale a um desempenho considerado adequado apenas para a 4ª série do ensino fundamental. A maior parte dos estudantes avaliados (53%) está no estágio tomado como intermediário, o que representa um desempenho equivalente somente a um aluno de 8ª série. Dessa forma, em Língua Portuguesa, a maioria dos estudantes que concluem o ensino médio possui onze anos de escolaridade, mas aprendem o correspondente aos primeiros oito anos de estudos. Em Matemática o quadro é mais dramático: a pesquisa indica que 2/3 dos jovens brasileiros que terminam o ensino médio apresentam patamares de aprendizagem matemática comparáveis somente a 4ª série do ensino fundamental. Aproximadamente 25% dos estudantes, situados na classificação intermediária, apresentam capacidade próxima do que seria esperado para alunos da 8ª série. Só 6% dos jovens pesquisados atingiram um nível adequado para a 3ª série de ensino médio. Os indicadores do INEP mostram, ainda, que a maior deficiência está nas redes públicas, detentoras da grande maioria dos estudantes com desempenho crítico e muito crítico. Hoje, não é suficiente simplesmente oferecer vagas escolares aos alunos. É preciso melhorar urgentemente a qualidade do ensino médio, sobretudo nas escolas públicas, para que os anos de estudos proporcionem efetivamente oportunidades aos jovens brasileiros.
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