Qual o papel que você exerce na sua empresa?

Certas pessoas são protagonistas, enquanto outras coadjuvantes, figurantes ou antagonistas.​

Alguns dias atrás escrevi neste mesmo espaço um texto com o sugestivo título “Convite ao protagonismo”, no qual defendi a importância de atuarmos como verdadeiros faróis das nossas empresas, ainda mais nesse ano em que líderes de todos os segmentos estão com os holofotes permanentemente voltados para si e precisam mostrar a que vieram.

Hoje, quero propor uma abordagem complementar. Conversar com você sobre os papéis que todo gestor acaba assumindo quando não é o tipo de condutor seguro que a sua empresa precisa.

Alguns gestores agem como coadjuvantes. Mesmo tendo a incumbência de tomar as decisões, ficam aguardando que alguém lhes diga o que fazer. Inseguros, necessitam do apoio ou orientação de terceiros sempre que se deparam com algum tipo de encruzilhada no trabalho. Com medo de errar, permanecem apequenados e sem disposição de correr riscos que são próprios da posição que ocupam.

Temos também os figurantes. Se você acompanha o trabalho deles de longe, tem a impressão de que possuem um certo grau de importância na organização, mas quando chega perto logo vê que são apenas parte da multidão, compondo o cenário. Caso daquelas pessoas que têm um cargo pomposo na estrutura organizacional, mas autonomia próxima a zero para tomar decisões.

E é claro, não podemos esquecer dos antagonistas, aqueles dirigentes que um dia tentaram ser protagonistas, sofreram resistências e por isso agora preferem fazer o “jogo do mal”, atuando contra o próprio patrimônio. Postura típica de quem cria intrigas, adora fazer politicagem nos bastidores e age motivado apenas por seus projetos pessoais. Quem joga gasolina pelo ambiente quando alguém anuncia que existe um sinal de fumaça no ar.

Na prática, muitas pessoas que agem como coadjuvantes, figurantes ou antagonistas, não se veem assim. Continuam achando que são protagonistas e é por isso que cometem os mesmos erros de sempre. Sofrem do autoengano, pois ninguém lhes dá feedback ou então preferem recusar os conselhos daqueles que se arriscam a mostrar que as coisas precisam ser diferentes.

Mas, como fugir desses papéis inadequados se você precisa assumir uma posição de protagonismo? Ou ainda, o que fazer se ninguém espera que você esteja à frente das coisas, mas anseia mudar essa realidade de agora em diante?

Antes de mais nada, construa uma boa reputação na companhia. Uma pessoa com excelentes ideias, mas credibilidade zero, não é levada a sério e suas recomendações acabam seguindo direto para o cesto do lixo.

Também procure estar sempre um passo à frente dos acontecimentos, propondo iniciativas que venham ao encontro das prioridades da empresa. Contudo, lembre-se de que se você estiver cinquenta passos à frente de todo mundo, já não será visto pelas pessoas como um protagonista e sim um mártir ou um louco varrido. Em palavras mais diretas: estará forçando a barra.

E, ao mesmo tempo, tenha uma clara noção dos limites da sua competência. Muitas pessoas não são protagonistas no trabalho porque simplesmente atuam ao lado de pessoas talentosíssimas. Uma coisa é ser o ator principal de uma pequena empresa do interior e outra bem diferente é conquistar tal status naquela organização de grande porte que reúne a nata do mercado. Nesse último contexto, será que o seu potencial chegaria a tanto?

Milhões de pessoas exercem com louvor o papel de coadjuvantes ou figurantes ao longo das suas carreiras e as empresas nas quais trabalham não esperam que elas façam muito mais do que aquilo que já realizam. O problema é que, em contrapartida, se a sua companhia está à deriva sem saber direito o que fazer nesse momento e você tem a responsabilidade de conduzi-la, o vácuo da sua liderança certamente está colocando tudo a perder. É hora de agir – e rápido.

ExibirMinimizar
Digital