Publicidade infantil: como usar a favor na educação dos filhos

Dicas para pais de como usar a publicidade infantil para introduzir a educação financeira em casa e desenvolver um comportamento empreendedor nos filhos

A TV brasileira é bombardeada por publicidade infantil diariamente. Tais propagandas têm seu conteúdo comunicacional passado de forma emotiva para conseguir a atenção das crianças, bem como seu objetivo final, a venda. Outra estratégia da publicidade é sempre tornar as crianças cada vez mais precoces. A equação é simples: se eu faço com que uma criança seja mais precoce, eu tenho um consumidor mais cedo.

Segundo a Associação Dietética Norte Americana Borzekowiski Robinson, basta apenas 30 segundos para uma marca influenciar uma criança. E estudos comprovam que 80% da influência de compra dentro de uma casa, vêm das crianças. Além disso, uma pesquisa do IBGE revelou que a criança brasileira é a que mais assiste à TV no mundo. Vemos então um longo trabalho pela frente.

No Brasil temos regulamentações que ainda não são cumpridas e que trazem alguns exageros em si. O órgão CONANDA - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, trata a questão da mensagem passada nas propagandas (pedagogicamente), já o CONAR - Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, cuida da parte do espaço publicitário (na TV). No entanto, há ainda uma questão que envolve a Constituição, pois a mesma diz, no artigo 22, que a competência de legislar a publicidade comercial pertence à União.

Enfim, ainda temos muito que caminhar para conseguir coerência e eficácia nesse sentido.

Veja abaixo como funciona essa regulamentação em outros países:

Suécia - é proibida a publicidade na TV dirigida à criança menor de 12 anos antes das 21h.

Inglaterra - é proibida a publicidade de alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal dentro e durante a programação de TV para público menor de 16 anos.

Estados Unidos - limite de 10 minutos e 30 segundos de publicidade por hora nos fins de semana, 12 minutos por hora nos dias de semana.

Alemanha - os programas infantis não podem ser interrompidos pela publicidade.

Canadá - é proibida a publicidade de produtos destinados a crianças em programas infantis.

Itália - É proibida a publicidade de qualquer produto ou serviço durante desenhos animados.

Não podemos negar que a mídia hoje é, de fato, o primeiro fator na construção da nossa subjetividade e de influência dos nossos valores. Pelo consumo você se torna igual ao outro e se vê inserido na sociedade. Essa é a mensagem (“valor”) passada pela publicidade.

No entanto, por amor aos filhos, os pais acabam se esforçando para proporcionar todos os bens que eles desejam, porém as crianças só se desenvolvem no mundo real, do qual faz parte o contato com o “não” e com a frustração. Eis aí uma oportunidade de trabalhar esses aspectos e colaborar para o desenvolvimento da maturidade dos filhos.

Como podemos lidar com a publicidade na educação de nossos filhos?

Confira as dicas abaixo:

1- Defina um tempo para seu filho assistir à TV diariamente.

Não permita que seu filho passe muito tempo em frente à TV, pois ela “amolece” o músculo da imaginação trazendo tudo digerido para as crianças. Além de acelerar a infância. Então, estabelecendo um prazo diário para seu filho, você trabalha a disciplina e a responsabilidade e, ainda, ativa a criatividade dele, pois o mesmo precisará inventar outras brincadeiras durante o dia. Aproveite a oportunidade para estar mais tempo com as crianças e brincar com elas, elas precisam desse afeto.

2- Inicie a Educação Financeira em casa.

Já que a criança começa a desejar bens de consumo, nada melhor que começar a ensiná-la como o dinheiro funciona. Compartilhe com ela as despesas mensais que a família possui e ensine-a o quão importante é o planejamento para se alcançar os sonhos e realizar desejos.

3- Introduza a semanada (ou mesada).

Se seu filho tem entre 6 e 9 anos comece a dar-lhe semanadas (uma quantia em dinheiro semanalmente). Nessa faixa etária a ansiedade das crianças ainda é grande e é difícil para elas gerenciar esse sentimento, por isso o período é semanal. A partir dos 10 anos, introduza a mesada (quantia em dinheiro mensalmente). Nessa idade a criança já tem um pouco mais de maturidade para lidar com a questão do tempo, além de já saber mais operações matemáticas, o que pode ajudar no planejamento financeiro.

4- Ensine seu filho a colocar os sonhos e desejos no papel.

Converse com ele sobre os sonhos e desejos que possui. Ajude-o a escrevê-los e a calcular o prazo em que conseguirá realizá-los de acordo com a mesada/semanada que recebe. Aproveite a oportunidade para esclarecer a diferença entre “desejo” e “necessidade”.

5- Insira a criança em algumas conversas financeiras simples de família.

Mostre a ela que sua participação é importante. Apresente um pouco do orçamento familiar e diga a ela que a renda serve para todos da família e, que assim como ela, os outros membros também têm seus objetivos individuais. Porém, aproveite a oportunidade para ressaltar objetivos coletivos, tais como viagem de férias, passeios, etc.

6- Ajude seu filho a tomar decisões.

Essa tarefa ainda é bem complexa para crianças, por isso precisam de ajuda dos adultos para desenvolverem essa habilidade e a maturidade necessária. Utilize a lista de sonhos e desejos do seu filho e o conhecimento que ele tem sobre desejos e necessidades e aproveite os momentos em que ele quer consumir demasiadamente para conduzir uma reflexão na qual seu filho possa identificar seus sentimentos e analisar se vale a pena agir pela emoção. Fazendo assim, a criança começa a usar a razão na hora de consumir, pois se lembra das suas necessidades e dos sonhos e desejos para os quais está poupando a fim de realizar. É nessa hora que a criança tem as ferramentas necessárias para tomar sua decisão. Os conselhos dos pais são extremamente bem vindos, não deixe essa chance passar.

7- Dê o exemplo.

É fato que as crianças imitam os adultos, então use esse formato de aprendizagem. Mostre ao seu filho que você utiliza sua inteligência emocional na hora de consumir. Deixe-o ver, na prática, que você não deixa de gastar com uma necessidade para comprar um supérfluo, que você utiliza um orçamento doméstico e segue seu planejamento para alcançar seus objetivos. Mostre, também, que é possível destinar parte da sua renda para diversão, pois é possível poupar e gastar com coisas que te agradem, isso também é disciplina.

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