PROFESSORES DESIGNERS EDUCACIONAIS: Um velho sábio ou um idoso arcaico

Uma das grandes virtudes de um design educacional em uma escola é sua insatisfação positiva. Um professor insatisfeito positivamente não se contenta com o que já sabe, ele explora novos caminhos, traçam novas rotas, ele não fica preso aos mesmos métodos de ensino.

Nós homens e mulheres, que nos dedicamos à educação, notamos que nos dias atuais há certo anacronismo na relação dentro das escolas e universidades de todo País, este anacronismo nada mais é do que estar vivendo fora do tempo, longe da realidade atual, podemos dizer que estamos vivendo uma colisão do tempo, há uma veloz mudança no mundo no modo de fazer, ser ou estar, de pensar, de atuar, porém o grande perigo é a satisfação, quando estamos satisfeitos permanecemos na zona de conforto, e por pior que ela esteja o comodismo impera dia após dia, a satisfação paralisa a alma, adormece os o coração, entorpece o corpo.

“Guimarães Rosa já dizia: o animal satisfeito dorme”.

A satisfação nos conduz a um estado perigoso de inercia e extrema tranquilidade. Uma das grandes virtudes de um design educacional em uma escola é sua insatisfação positiva. Um professor insatisfeito positivamente não se contenta com o que já sabe, ele explora novos caminhos, traçam novas rotas, ele não fica preso aos mesmos métodos de ensino. Os profissionais de hoje estão sendo vitimas da indigência metal, alguns têm cabeça fechada para o que é diferente do que já conheceu, acreditam que a única coisa certa é aquilo que ele já aprendeu e pratica, vivem com a Síndrome de Gabriela: Eu nasci assim e vou morrer assim.

Ficam impermeáveis a conhecer o que não conhecem, vivem refém da pobreza das ideias, são jovens velhos, ressaltando que idoso não é velho, porque idosa é uma pessoa que tem bastante idade, velha é a pessoa pensa que sabe tudo, que já conhece e já fez, e não precisa mais aprender, estão presas dentro de si mesmas, acorrentadas em seu eu, cheio de crenças negativas, qualquer pessoa pode ser velho mesmo sendo jovem na idade. O grande perigo do educador nas escolas é ser um profissional velho e uma escola envelhece quando seus profissionais consideram que o que fazem é perfeito, que no latim significa completo, pronto para reproduzir.

Como “Albert Einstein dizia: Tolice é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

Como profissionais da educação os professores precisam separar no seu dia a dia a possibilidade de sermos velhos tolos, como diz:

“Mario Sérgio Cortella, precisamos ser sábios idosos”.

Mas para sermos um idoso sábio precisamos de uma virtude, não

pateologal e sim pedagógica, humildade, que é diferente de subserviente, que é uma pessoa que se dobra por qualquer coisa é submissa, a pessoa humilde é aquela, que sabe e reconhece que não sabe tudo, ela sabe que não é a única que sabe, sabe que uma outra pessoa sabe o que ela não sabe, aquela que sabe que duas mentes pensam melhor que uma e que juntos saberão muito mais, e que saberão muita coisa mas sabem que nunca saberão o que pode ser sabido. Devemos ter humildade para saber que crescemos, mas jamais nos esquecermos da história que carregamos e o caminho percorrido. Devemos nos orgulhar sem arrogância e sem soberba, quem é grande de verdade sabe que é pequena e por isso cresce e gente muito pequena acha que já é grande e para ela crescer precisa diminuir outra pessoa, exemplo disso é Paulo Freire, era um homem tão grande que sabia que era pequeno para poder crescer. A escola e seus profissionais precisam saber que para serem grandes precisam se reconhecer pequenos, isto é, ter a cabeça aberta em relação ao mundo que muda velozmente. Claro que temos algumas variáveis que vem do passado a qual chamamos de tradição, isso precisa ser de fato protegido e guardado, deve ser levado a diante. Mas muita coisa que vem do estão ultrapassadas, não tem mais utilidade, pois não fazem mais sentido, a isso podemos dar o nome arcaico e assim atingiremos o objetivo proposto, criando uma tríade educacional entre passado, presente e futuro, nasce assim o Design Educacional.

Existe uma diferença entre o tradicional e o arcaico, o tradicional é o que veio do passado e temos que proteger, já o arcaico é o que veio do passado e temos que descartar. A relação humanista, o relacionamento saudável na convivência, a recusa ao egoísmo, à noção de acolhimento, o desejo de formar pessoas, isso é o que chamamos de tradicional, mas algumas coisas vem do passado nas escolas e nos educadores e essas coisas são arcaicas, que é o autoritarismo em vários lugares, o envelhecimento de algumas práticas pedagógicas, a arrogância eventual de professores e professoras que no mundo de mudanças insistem na tolice de continuarem como eram, a utilização às vezes de conteúdos, que não fazem mais sentido a uma geração tecnológica do século XXl, e é por isso que em cada escola o professor e a professora precisa fazer uma separação, do que veio do passado e o que é tradição, o que vamos levar a diante como um design educacional. O profissional do futuro precisa negar o que não serve mais o que é arcaico, proteger as tradições com cuidado e carinho e elevar, ou seja, não nos contentarmos com os modos como já fizemos as coisas, sendo assim essa nova profissão forma outros líderes e não seguidores. Pois quando você forma alguém que te ultrapassa você consegue se elevar. Qual é de fato a escola que tem um professor (a) que respeitem a tradição e descartem o arcaico? Aquele que além de uma insatisfação positiva tenha humildade, mas especialmente tenha coragem.

O design educacional, como já contextualizado é um professor cheio de insatisfação positiva e que a seu modo deixou de ser arcaico. O design educacional é caracterizado pela separação física entre professor e aluno, pelo uso de tecnologias de comunicação bidirecional, uso de recursos didáticos de conteúdo e apoio e aprendizagem autônoma do estudante. Ele analisa cada aluno observando as dificuldades individuais e subjetivas, cria para si um dossiê contendo a anamnese do aluno, seu apgar, sua avaliação de tde(teste de desempenho escolar), tudo criado por ele mesmo, também identifica a possibilidade de o aluno “acelerar seus estudos”, ter autonomia para decidir o que quer estudar primeiro e escolher as tecnologias mais acessíveis aos alunos. Esse termo Design Educacional ainda é desconhecido no Brasil, porém é de suma importância que o educador se familiarize com ele. O educador tradicional, o que já denominamos arcaico no qual estudamos anos e que conhecemos hoje, vem gradativamente se transformando no que em algumas escolas dos Estados Unidos, chamam de designer de currículo. A principal função desse “novo” profissional está a de desenvolver currículos e projetos interdisciplinares, integrando às novas tecnologias. “O educador designer de currículo é a expressão mais completa do mestre contemporâneo”.

Ser um profissional do futuro, um educador de alta performance vai muito além de ministrar o conteúdo estrito senso, ele é responsável por preparar o educando para o hábito de aprender a aprender, desenvolvendo habilidades de aprendizagem que são consideradas imprescindíveis aos profissionais e cidadãos em um mundo centrado na inovação”, afirma Ronaldo Mota, ex-secretário Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e atualmente professor visitante do Instituto de Educação da Universidade de Londres.

Um dos pilares que sustentam essa tríade nas escolas é exatamente ter e reconhecer um professor cuja as habilidades mereça esse titulo de designer, função que empodera e eleva o educador e lhe dá a responsabilidade de ser o guia de sua classe.

“Esse profissional faz a integração do currículo”. Nas escolas, os design educacionais desenvolvem projetos de aprendizado interdisciplinares, que normalmente associam as disciplinas curriculares ao cotidiano dos estudantes, para que façam sentido ao que estão aprendendo, com o objetivo de fazê-los pensar criticamente, além de desenvolver suas habilidades cognitivas, são pensadores criativos, empreendedores, seguros, estão formando lideres pensadores.

Para Brian Waniewski, diretor de gestão do Institute of Play que aplica a metodologia na escola, esses professores são os responsáveis por redesenhar a experiência do aprendizado. “O futuro da aprendizagem é o nosso futuro. O verdadeiro desafio de quem está desenhando um processo de aprendizado é preparar os alunos para um mundo que não podemos ainda imaginar como vai ser”, afirmou Waniewski em entrevista ao Porvir.

Segundo o professor brasileiro Mota, os designers educacionais surgirão naturalmente, aprendendo de forma involuntária, na prática. “Ainda é uma incógnita saber se as universidades estarão preparadas para formá-los. Desburocratizar o currículo nacional seria fundamental para que esses profissionais conseguissem remodelar seus planos de aula, além de criar programas e disciplinas mais dinâmicas, tornando-os também mais empoderados”, afirma.

Mas para que todo esse engajamento de certo é preciso ter coragem, não sendo a ausência de medo e sim a capacidade de enfrentar o medo. Coragem é a capacidade de iniciativa, de ir buscar, de transformar seu espaço em vez de aguardar. O velho aguarda o idoso procura.

E para os educadores arcaicos lhes convidamos a refletir sobre a regra trinta e quatro dos Beneditinos, que se aplica a todos os educadores resmungões, que diz: é proibido resmungar, não é proibido discutir, nem debater, nem discordar, o monge Beneditino que resmungar ou propriamente dito murmurar é colocado fora. Resmungar é, ao invés de fazer, dizer que alguém deve fazer alguma coisa, é andar pelos corredores dizendo que algo tem que ser feito, resmunga aquele ou aquela que ao invés de acender uma vela, amaldiçoa escuridão.

Um outro Beneditino do século XVl, um monge Beneditino François Rabelais disse: “Conheço muitos que não puderam quando deviam porque não quiseram quando podiam. Nós queremos, devemos e podemos. O professor adequado para as escolas é aquele que tem humildade, satisfação não completa, coragem e noção de urgência. É urgente, a gente quer, deve e pode, a gente faz.

Sabe-se que a educação transcende o espaço educacional, porém são os conhecimentos e competências adquiridos pelo educador que darão sentido à declaração de identidade do aluno. No sentido de identificar o profissional do futuro, um design educacional, o papel do educador no processo de ensino/aprendizagem, este trabalho teve como objetivo contextualizar sua relevante postura, assim como sua habilidade de auto conhecimento e introspecção, assim como sua intervenção na produção do conhecimento, conclui-se que para chegar a um educador de alta performance e angariar o titulo de Design educacional é necessário desenvolver suas habilidades, abrir-se para o novo, pensar fora da caixa. Como diz Augusto Cury: A maior aventura de um ser humano é viajar,

“E a maior viagem que alguém pode empreender

É para dentro de si mesmo.

E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro,

Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,

Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas

E descobrir o que as palavras não disseram...

Ressaltou-se ainda neste trabalho que a relação entre professor e aluno deve ser harmônica e afetuosa, um vinculo de amizade, amor próprio para assim amar ao próximo. O professor também deve exercer sua autonomia, mas sem autoritarismo, ser um sábio velho e não um velho arcaico.

Conclui-se portanto que não transformamos nada sozinhos, mas transformamos. O primeiro passo é à vontade. O segundo começa daqui a pouco, naquela sala difícil, com falta de espaço, com aquela turma sentada no fundo e naqueles angustiantes dez minutos que você vai levar para conseguir fazer a chamada.

REFERÊNCIAS

CHALITA, Gabriel. Educação: A solução está no afeto. 12ª Ed. São Paulo: Gente, 2004.

CHARLOT, Bernard. Fala mestre. In: NOVA ESCOLA, nº 196, p.15-18, outubro,

CURY, Augusto Jorge. Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro:

Sextante, 2003.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e terra, 1996.

LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora?: Novas exigências

educacionais e profissão docente. São Paulo: Cortez, 1998.

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: Ensino Médio. Ministério da

Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Brasília, 1999.

ZAGURY, Tânia. Fala mestre. In: NOVA ESCOLA, nº 192, p.20-22, maio, 2006.

KARNAL, Leandro. Os dez mandamentos do professor. https://capronilson.wordpress.com/2013/11/19/dez-mandamentos-do-professor-prof-leandro-karnal/

CORTELLA, Mário Sergio: Qual a postura ideal do professor?

http://verdademundial.com.br/2015/07/qual-a-postura-ideal-do-professor/

Centro Inovação Design: Você já ouviu falar sobre Design Educacional?

http://www.ufrgs.br/icd/voce-ja-ouviu-falar-sobre-design-educacional/

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