Produtividade - Oexemplo japones III

O aumento da produtividade leva ao desemprego. Apesar de absurda esta é uma crença que ainda existe

O aumento da produtividade leva ao desemprego. Apesar de absurda esta é uma crença que ainda existe. Ela é comparável à reação dos luditas no período da Revolução Industrial, também conhecidos como quebradores de máquinas, um grupo de pessoas organizadas que reagiam direta e violentamente à introdução de maquinaria e de um novo sistema de produção por entender que estas levaram também ao desemprego.

Na verdade o que acontece é que o aumento da produtividade significa um menor risco de falência e cresce a possibilidade de o empreendimento ser bem sucedido. Um empreendimento bem sucedido significa possibilidade de ampliação e em conseqüência cresce a oportunidade de oferecer mais emprego. Talvez o maior exemplo podemos buscar na história da Ford.


Henry Ford e sua equipe de engenheiros de produção, notadamente Charles Sorensen, introduziram o princípio de fluxo, utilizando-o na linha de montagem do Modelo T, através da reorganização funcional de sua fábrica, com uma linha de movimento na qual cada trabalhador montava uma peça de um carro, que se movia para o próximo trabalhador do posto seguinte da montagem, e assim sucessivamente.

Assim o historiador de negócios David Housnshell descreveu o sistema Ford: ...ao mover o trabalho para os homens, dogma fundamental da linha de montagem, os engenheiros da Ford descobriram um método para acelerar os trabalhadores lentos e desacelerar os trabalhadores rápidos. A linha de montagem traria a regularidade (ritmo) à fábrica da Ford, uma regularidade quase confiável quanto o nascer do sol. Com a instalação da linha de montagem e a execução de seu dinamismo para todas as fases das operações da fábrica.

Em outubro de 1913, o tempo gasto na fabricação de um simples carro caiu de 12 horas e 8 minutos, para 2 horas e 25 minutos. Seis meses mais tarde, o Modelo T, saía das linhas de montagem numa taxa de 1000 unidades por dia, com média do tempo de trabalho caindo para pouco mais de uma hora e meia.

Esse sistema é encontrado hoje, nos mais diferentes ramos de atividades; de um Volkswagem fabricado em São Bernardo do Campo a um Renault fabricado em Curitiba. De uma lâmpada Philips fabricada no Brasil a uma Tiffany ou Wickes fabricada nos Estados Unidos. De um designer de Paris a um vestido prêt-à-porter de Clodovil. De uma refeição cinco estrelas no Ill de France em Curitiba a um cheesburger e fritas nos McDonalds espalhados pelo mundo.

Mais importante do que o sucesso do empreendimento Ford, foram suas conseqüências para o trabalhador e para a sociedade. Em 1914 cada trabalhador da Ford recebia um salário de cinco dólares diário, mais do que o dobro do salário de um operário daquela época. Ford não fez isso por generosidade ou compaixão. Na era com o padrão de vida dos operários que se preocupava, pois sabia que se os operários ganhassem mais poderiam comprar seus próprios automóveis e com certeza este seria um Ford.

Esse é um exemplo histórico de que uma melhor distribuição do Valor Adicionado, embora um tanto rudimentar, gera riqueza para o país, melhora a qualidade de vida da sociedade com geração de novos emprego.

Podemos comprovar ainda, verificando a história da maioria das empresas bem sucedidas do Japão. A Matsuchita, conhecida no mundo todo pela marca National-Panasonic, iniciou suas atividades com apenas três pessoas; o próprio Sr. Matsuchita, sua esposa e o cunhado. A Honda que começou como uma oficina mecânica para concerto de automóveis em um bairro de Tóquio, tornou-se uma das empresas mais conceituadas em seu setor. Hoje essas empresas e tantas outras bem sucedidas empresas japonesas, oferecem oportunidades de emprego para milhões de pessoas em todo o mundo.

Como vimos anteriormente, o objetivo do aumento da produtividade é tornar melhor o amanhã de todos. Essa é uma empreitada que não é possível realizar apenas com a Gestão Empresarial, por melhor que seja, ou apenas pelo trabalhador. Essa só poderá ser concretizada desde haja cooperação entre a gestão empresarial e o trabalhador, este é um dos princípios do JPC.

Quando pregamos que o resultado do aumento da produtividade é proporcionar maior valor adicionado, não é justo que esse vá parar inteiramente no bolso de uma só pessoa ou empresa. Para que todos sejam felizes é condition sine qua non que o fruto do aumento da produtividade seja justamente distribuído entre todos os que contribuíram para esse aumento.

Em síntese, produtividade significa atingir três metas básicas. Em primeiro lugar, sob o ponto de vista social, é tornar o amanhã de todos melhor que hoje. Em segundo lugar, para que se possa tornar o amanhã de todos melhor do que hoje, é necessário que, mesmo que o pão não signifique tudo, se possibilite o fornecimento de um pão de qualidade melhor e em maior quantidade, pois é difícil encontrar alguém feliz com o estômago vazio. Para que possamos construir um amanhã melhor, e imprescindível gerar maior valor adicionado e distribuí-lo de forma justa.

É sempre salutar relembrar que Lucro e Valor Adicionado não são a mesma coisa. Lucro é o resultado da receita obtida através da comercialização (ou da venda) menos o custo ou despesas necessárias. O problema é que o encargo com pessoal está incluído no item despesas quando na verdade não deveria. Se alguma empresa deseja aumentar o lucro, não haverá nenhum problema em tentar aumentar o volume de venda. Por outro lado, se a empresa optar por reduzir os custos e nesses custos estiverem incluídas as despesas com pessoal, ocorrerá naturalmente a revolta dos funcionários. Essa é uma das grandes causas de confronto entre a gestão empresarial e o trabalhador.

Por outro lado, se uma determinada empresa pensa em gerar maior Valor Adicionado, considerando que esse é a soma da parcela do gerenciamento e da parcela de contribuição dos trabalhadores, o aumento do Valor Adicionado gerado por essa empresa deverá significar o aumento do ganho para os empregados e para a empresa. Esse tipo de pensamento levará a gestão empresarial e o trabalhador à um relacionamento de cooperação e esforço conjunto. Esse é o grande segredo de sucesso e prosperidade para as empresas; a união de esforços de todos para o aumento do Valor Adicionado.

Mas o que fazer para aumentar o Valor Adicionado?

Podemos dizer que o Valor Adicionado é o preço pago pela qualidade de um produto. É imprescindível estar ciente da relação entre o cliente e a qualidade do produto Neste sentido existem algumas premissas que são básicas, tais como, ninguém pode tirar o cliente de outros porque é o cliente quem seleciona o fornecedor. O cliente seleciona pela qualidade ou pela reputação da qualidade que um produto conquistou no mercado. Assim, para aumentar a receita, é necessário melhorar a qualidade para que a empresa ou o produto seja selecionado pelo cliente.

Neste sentido os lideres têm um papel importante. Eles devem ser os agentes primários para a melhoria. Devem compreender as causas comuns e as causas especiais e ter condições de diferenciá-las. Têm de compreender o sistema como um todo e onde o seu grupo se encaixa. Os líderes formam a confiança. Ajudam, mas não julgam. Trabalham para criar um ambiente no qual os colaboradores possam sentir orgulho.


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