Prahalad e a riqueza na base da pirâmide

O futuro dos negócios está na base da pirâmide, nas classes menos favorecidas. Não apenas isso: concentrar-se em criar produtos e serviços acessíveis às camadas carentes da população é uma forte estratégia para a diminuição da pobreza que assola vários países do mundo, dentre eles, o Brasil.

Essa é a proposta de C. K. Prahalad

, um dos mais influentes especialistas em estratégia empresarial da atualidade. O pensador indiano tem grande prestígio no meio acadêmico e também no mundo dos negócios. Seus artigos foram publicados nos mais importantes jornais e revistas internacionais, recebendo diversos prêmios como o McKinsey Prize (melhor artigo do ano publicado na Harvard Business Review) por dois anos consecutivos, além do prêmio de melhor artigo da década do Strategic Managment Journal e o European Foundation for Management Award. Para quem não lembra, Prahalad é autor dos importantes livros Competindo pelo Futuro (em parceria com Gary Hamel), e O Futuro da Competição (juntamente com Venkat Ramaswamy).

C. K. Prahalad observa que estamos fazendo muito pouco pelos países mais pobres do mundo. Com toda a nossa tecnologia, know-how gerencial e capacidade de investimento, somos incapazes de nos concentrarmos no problema da alastrante pobreza e alienação globais. Motivado para encontrar uma solução para aqueles que ocupam a base da pirâmide social, Prahalad tem dedicado mais de uma década em uma jornada intelectual voltada à proposição de alternativas que possibilitem a erradicação da pobreza através do lucro.



Os resultados de seu estudo podem ser conferidos em seu livro A Riqueza na Base da Pirâmide. Nessa obra, o autor identifica todo o potencial dos mercados de baixa renda, situados em países pobres e de grande população. Por dentro da realidade brasileira, Prahalad apresenta casos de empresas brasileiras de sucesso que se voltaram para as classes C, D e E, como as Casas Bahia, o Habibs e a Gol.



Questionei o próprio se a sua proposta não era meramente a de identificar nichos de mercado nas classes menos favorecidas, canção antiga da escola de posicionamento estratégico. Em um sentido pragmático, Prahalad não está interessado apenas em proferir um discurso socialmente responsável, visando melhorar as condições de vida dos mais pobres. Esse é o seu objetivo maior. Mas o seu real interesse é o de despertar a atenção de administradores e empreendedores às oportunidades que residem na base da pirâmide, para, aí sim, atingir o seu objetivo principal.

Além disso, incluir os pobres no jogo do mercado é um importante meio para se fomentar o empreendedorismo e o surgimento de inovações na própria base. Segundo ele, “se pararmos de pensar nos pobres como vítimas ou como um fardo e começarmos a reconhecê-los como empreendedores incansáveis e criativos e consumidores conscientes de valor, um mundo totalmente novo de oportunidades se abrirá”. Dei o braço a torcer...

Na coletiva de imprensa da Expomanagement 2005, Prahalad encerrou sua participação com o seguinte comentário gracioso: “Se Lou Dobbs, famoso comentarista da CNN, passasse a se queixar tanto do Brasil quanto o faz em relação à Índia e à China, o Brasil certamente seria um país muito melhor”.

Alguém aí tem o e-mail do Lou Dobbs?


Obras do autor publicadas no Brasil:

A Riqueza na Base da Pirâmide. Editora Bookman, 2005.
Competindo Pelo Futuro (em co-autoria com Gary Hamel). Editora Campus, 2005.
O Futuro da Competição (em co-autoria com Venkat Ramaswamy). Editora Campus, 2004.

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