Porque não se permitir?

Uma reflexão sobre o ser humano frente ao mercado de trabalho atual e as oportunidades de se reinventar em tempos de crise

É possível acreditar na afirmação “Chefe ruim pode adoecer seus funcionários?” E ai? O que você pensa sobre isso?

Acredito ser importante começarmos lembrando que existe sim um momento conturbado na economia do nosso país e que ao que tudo indica podemos chamar “Tempos de crise”, isso acredito que todos nós já percebemos. Bem, ao menos é o esperado e neste caso o governo brasileiro não é mais parâmetro.

O ponto chave desta questão é que com a pressão do mercado econômico e a baixa das vendas nos mais diversos ramos, muitas empresas estão vivendo uma situação extremamente crítica onde para alguns fechar as portas tem sido a melhor alternativa.

Acontece que nesse caos econômico, os donos das empresas optam por pressionar os colaboradores para que reduzam custos, aumentem as vendas, sejam criativos, e tudo mais, ao invés de repensar os benefícios da Diretoria ou cortar os famosos “Jabutis não sobem em árvores” das organizações. A verdade é que sim, sobra pra quem está na base.

Não vejo a crise como o “fim da linha”, eu realmente acredito no potencial criativo que existe por trás de tudo isso. É claro que dá pra fazer mais com menos e que dá pra CRIAR e INOVAR quando pensamos “fora da caixa”. Ou seja, seria algo maravilhoso, se as empresas no Brasil trabalhassem de maneira proativa e preparassem suas lideranças para gerenciar em tempos de crise, o que obviamente não acontece.

Por consequência esses profissionais ao serem pressionados acabam não medindo a mão e exagerando tanto na cobrança quanto na falta de feedback e orientação à equipe sobre os comportamentos esperados deles para que seja possível superar com sucesso a crise.

Sendo assim, é possível notar profissionais desorientados, pressionados, sem saber qual diretriz seguir, que entregas precisam priorizar e recebendo a mesma pressão que antes quando não bem maiores.

Desta forma, o colaborador por medo de perder o emprego acaba se calando e aceitando muita coisa que talvez antes abrisse espaço para discussão, como sendo algo normal. Aos poucos o silêncio e o concordar com direcionamentos que deixam de fazer sentido para o profissional e a falta de possibilidade de externar esse sentimento pode sim se tornar uma doença física ou emocional.

Outro tipo característico de adoecimento das organizações está na despersonalização do colaborador. Muitos em busca de alcançar os tão sonhados cargos de liderança sucumbem-se as rotinas de entregas robóticas (fazer sem perguntar o porquê) se afastando do sentido original pelo qual no passado se conectou a empresa e ao trabalho. Aos poucos a falta de um propósito, de motivação e de um sentido profissional e pessoal abre espaço para o adoecimento.

Não acredito então ser unicamente culpa da organização ou das lideranças a produção do adoecimento organizacional, mas penso da mesma forma, que cabe ao líder e a empresa orientar o colaborador na sua trajetória profissional, reduzindo e alinhando suas expectativas para que elas não sejam acima ou abaixo do que é possível na organização e ainda para que possam desenvolver as competências necessárias caso seja uma empresa aberta às possibilidades de reconhecimento interno. Isso é humano, digno e o esperado de uma organização que tem a intenção de se manter sustentável no mercado de trabalho.

Jackeline Leal

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