Por que os trainees vão embora?
Por que os trainees vão embora?

Por que os trainees vão embora?

Conquistar, manter os bons e ser transparente com elas é um grande desafio para gestores

Esta semana estava conversando com um trainee de uma rede de varejo nacional e ele compartilhava a sua insatisfação e dos demais colegas com a sua empresa e os seus processos.

Ministro aula no Programa de Pós-graduação de Gestão Com Pessoas e sempre defendo que a responsabilidade dos trainees irem embora é dos gestores de Rh. Talvez esteja sendo injusto (ou não), mas o fato é que em geral os processos de atração de talentos, em especial os de seleção de trainees ocorrem envoltos a um alto grau de competitividade e glamourização organizacional. Estes gestores de Rh com o objetivo de contratar os melhores profissionais “vendem” as suas organizações com a apresentação de indicadores espetaculares, processos impecáveis, prêmios invejáveis e, dessa forma, elevam exponencialmente as expectativas dos candidatos. Até aí, não vejo de fato um problema, todavia, se estas mesmas expectativas não refletirem a realidade, irá gerar uma enorme frustração.

Este trainee com quem conversava e diversos outros que conheci no mercado, em geral, quando verbalizam as suas insatisfações, de forma unânime, citam processos e liderança. Não basta recrutar os melhores talentos, é fundamental inseri-los de forma genuína no processo, estando aberto às inovações propostas, gerando oportunidades reais de desenvolvimento e dando estrutura necessária para o crescimento.

Outra falha recorrente cometidas pelos gestores de Rh é pautar o seu processo também por indicadores de performance quantitativos – notas acadêmicas, desempenho técnico, número de experiências culturais, proficiência linguística e outros, sem considerar uma variável chave: FIT CULTURAL.

A análise de Fit Cultural leva em consideração o quanto as características que envolvem valores, crenças, linguagem, atitude, postura, comportamento, gostos e objetivos de vida dos trainees estão associados com a cultura da organização. E é sine qua non também compreender que por vezes, a empresa como organismo vivo (conceito da FNQ) necessita oxigenar a sua cultura e seu modus operandis. Não é possível ter profissionais inovadores com um mindset taylorista.

De acordo com a Pesquisa “Millenials in Europe and Brazil” publicada esta semana na Revista Meio e Mensagem e realizada online pelo Grupo Geometry/WPP com cerca de duas mil pessoas de 18 a 20 anos, aponta que “qualidade de vida” é o item mais valorizado pelos entrevistados, com 38% das respostas. O segundo é “carreira” (24%). “Dinheiro” está em terceiro lugar com 19%, empatado com “contribuição para a humanidade”.

De acordo com o estudo, é inevitável que as empresas tenham que implementar novos valores ou se adaptar para manter estes jovens no quadro de colaboradores e diminuir a rotatividade. O desafio é conquistar e manter as pessoas boas e ser transparente com elas.

E aí, os seus trainees estão indo embora? Se sim, pense nisso com urgência.

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