Por que os carros autônomos ameaçam a hegemonia do Uber

A maior ameaça do Uber está sendo desenvolvida pela própria empresa: os carros autônomos.

O Uber saiu do Vale do Silício para conquistar o mundo e, em pouco mais de 6 anos, conquistou o mundo e hoje vale mais que a Ford ou GM. Por onde passa a startup causa polêmica e já teve, inclusive, executivos presos na França e Taiwan. Com tantos problemas a serem resolvidos, tanto no âmbito legislativo quanto no judicial, muitas pessoas pensam que o calcanhar de Aquiles da startup seja o Estado, representado nesse caso pelos políticos, excesso de regulamentação e lobby. Acontece que, ironicamente, o calcanhar do Uber não é a resistência dos governos e muito menos os taxistas, e sim um projeto que ela mesmo está desenvolvendo: carros autônomos.

O desenvolvimento dos tão sonhados carros autônomos nunca esteve tão perto: os carros autônomos do Google já percorreram 1,5 milhão de milhas e o Autopiloto da Tesla 130 milhões. Estamos a poucos anos dos veículos autônomos fazerem parte do nosso cotidiano. Isso mostra por que os carros autônomos deixaram de ser promessa e se tornaram inevitáveis. Acompanhando as gigantes da tecnologia, o Uber tem investido pesado no desenvolvimento dos seus carros autônomos para se tornar mais eficiente e fornecer um serviço mais barato e rápido para seus clientes. Sendo assim, por que então os carros autônomos são o calcanhar de Aquiles do Uber?

Preço e tempo de espera são as duas variáveis que os consumidores se baseiam para avaliar o serviço do Uber, ou seja, enquanto as mesmas se mantiverem baixas o serviço é requisitado. No entanto, a partir do momento que o preço sobe ou o tempo de espera aumenta, os consumidores não hesitam em mudar para outro serviço. A fidelidade nesse tipo de serviço é muito baixa, uma vez que é pouco provável que uma pessoa se atrase para um compromisso simplesmente para usar um determinado serviço de transporte, o que torna qualquer aplicativo de transporte extremamente frágil, pois tem que possuir o maior número possível de motoristas tanto para atender as solicitações de corrida quanto para manter o preço baixo. É justamente por isso que o Uber destacou-se: possui uma grande frota de motorista em relação aos outros aplicativos, o que permite que a companhia mantenha seu preço e tempo de espera baixo na maioria das vezes. No entanto, ainda assim as vezes pagamos a tal da tarifa dinâmica, o que demonstra que apesar da agressividade da empresa para recrutar motoristas e atrair clientes, a oferta de motoristas as vezes fica abaixo do necessário.

É essa deficiência que os carros autônomos irão resolver, pois aumentando a oferta de veículos sem motoristas diminui-se as duas variáveis mais importantes do negócio, o que aumenta o lucro e a capacidade da empresa de investir mais ainda na fabricação de carros. Porém, todas grandes empresas de tecnologia e montadoras também estão investindo nisso , o que cria um grande problema para o Uber: a partir do momento que a maioria dessas empresas começarem a criar seus próprios carros elétricos, vão começar também a fornecer o serviço de transporte. Só que nesse cenário, não dependerão mais de recrutar motoristas para terem sucesso e sim de fabricar carros que atendam a necessidade dos clientes, ou seja, a vantagem competitiva do Uber, que é a grande frota de motorista, desaparece, pois todas empresas irão oferecer o mesmo serviço e ganhará aquela que mantiver as duas variáveis mais baixas.

Construir um carro autônomo é um grande desafio devido à tecnologia envolvida, mas isso não vai impedir que montadoras tradicionais criem o seu. Isso porque do mesmo modo que o Google criou o Android e licenciou para várias empresas de celulares, pode do mesmo jeito licenciar o software de seus carros elétrico para as montadoras, o que beneficiaria as duas empresas, já que as montadoras estariam aptas a participarem desse novo mercado e o Google poderia aperfeiçoar seu software através dos dados gerados.

Apesar de parecer um cenário catastrófico para a startup, é importante lembrar que a mesma está testando novas frentes, como helicópteros e motos, e que um cenário desafiador de veículos autônomos não representa o fim do Uber, mas uma situação incerta e extremamente desafiadora que diminui o otimismo exagerado em relação à startup mas que exigirá que a mesma seja mais agressiva e disruptiva para continuar crescendo e faturando nesse cenário.

O mais interessante dessa situação é que, para não ficar obsoleto e competir igualmente com as outras empresas, o Uber trabalha e investe para substituir a sua maior vantagem competitiva – os motoristas.

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