Por que a ciência comporta riscos?

Ao fazer ciência, dos experimentos mais simples até investigações bilionárias, sempre se incorre em riscos para a sociedade. O problema da ciência é quando não se pensa nesses riscos de forma sistêmica.

Quando se fala em ciência logo vem à cabeça experiências malucas ou muito complexas que poucos têm acesso. Poucos sabem fazer e menos ainda tem conhecimento das mesmas. No entanto, a ciência está tão próxima de todos quanto suas atividades diárias mais rotineiras. Por isso, tão imperceptível para alguns.

Falar em ciência é falar das facilidades da comunicação dos dias de hoje, é falar das grandes tragédias como a bomba atômica, mas também é falar das curas até pouco tempo impensadas. As inovações nos processos de produção, no gerenciamento das empresas e na ampliação da oferta de ensino também é falar de ciência.

Então, como entender e perceber a ciência na vida das pessoas? Ela, a tão distante e tão presente ciência, traz mais benefícios ou malefícios para a humanidade? São perguntas que cada um deve se fazer e ponderar até onde devemos prosseguir nessa caminha pela busca do conhecimento. Mas o que torna difícil definir são os parâmetros dessa caminhada, são os riscos que estão inerentes ao processo de pesquisa. Riscos esses que fazem parte da ciência.

A ciência descobre, desenvolve, facilita, reconstrói tudo que for possível. Seu processo de pesquisa permite melhorar ou piorar um aspecto da vida humana. Se o resultado da pesquisa cientifica beneficiará ou prejudicará a sociedade, esse é o grande risco da ciência. E o risco na ciência é exatamente o que a faz ser questionada. Por mais que ele (o risco) seja calculado, ele não calcula a si mesmo.

Deve-se esclarecer que o risco na pesquisa não é fazer tudo a qualquer preço, sem pensar nas consequências. O risco na pesquisa é exatamente ao contrario. Ele é pensado, avaliado, calculado e aí sim aceito dentro de um padrão de vantagens ou desvantagens, benefícios ou malefícios. No entanto, a percepção do que é bom para a sociedade, dos benefícios que aquela pesquisa trará não abrange todos os olhares, todos os atores envolvidos. Um grupo de pesquisa deveria ser sempre multidisciplinar, para que pudesse perceber os resultados em todas as áreas. Como nem sempre isso é possível, tem-se então, resultados na ciência que beneficiam um aspecto, mas que prejudica outros. Porém, mesmo em grupo multidisciplinar de pesquisadores, a avaliação dos aspectos relevantes da ciência ainda passa pela contaminação do egocentrismo do grupo, mal tão presente no comportamento humano nos dias de hoje.

O risco é inerente à ciência. Pois fazer ciência é pensar e fazer inovação. Inovação é sair do mesmo lugar, é fazer diferente. Fazer diferente é rever procedimentos padrões até então conhecidos, inclusive suas consequências, para dar lugar a outras respostas desconhecidas, e esse novo ciclo é um risco.

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