Pontos fortes ou fraquezas: no que realmente vale investir?

Vou te propor uma tarefa simples. Tenha um relógio em mãos. Marcando o tempo que leva para fazer cada lista, liste 5 de seus defeitos ou limitações. E agora liste 5 de suas melhores qualidades ou talentos. Quanto tempo você gastou para listar cada categoria de itens?

Somos melhores em saber em que somos ruins do que em reconhecer em que exatamente somos fantásticos.

Vou te propor uma tarefa simples. Tenha um relógio em mãos. Marcando o tempo que leva para fazer cada lista, liste 5 de seus defeitos ou limitações. E agora liste 5 de suas melhores qualidades ou talentos. Quanto tempo você gastou para listar cada categoria de itens? Acredito que o tempo gasto para listar os talentos foi substancialmente maior do que o para fazer o mesmo com os defeitos. Isso significa que temos mais facilidade de perceber em que somos ruins, do que de reconhecer em que exatamente somos fantásticos. Por que isso acontece? Simples, somos condicionados a isso, o tempo todo.

Nossos pais nos dizem o que fizemos de errado e onde devemos melhorar – dando sermões intermináveis – nossos professores nos apontam nossos erros destacando-os de caneta vermelha, as empresas gastam muito dinheiro para desenvolver habilidades que faltam nos empregados. A todo tempo somos incentivados a detectar nossas fraquezas para melhorá-las ou, quem sabe, eliminá-las.

“Você tem uma comunicação oral ruim, tem que melhorar!”
“Você é muito impaciente.”
“Você não é atento, deixa detalhes importantes passarem.”
“Você precisa saber trabalhar em equipe.”
“Suas análises matemáticas, precisam melhorar.”

E é normal que nossa atenção fique toda voltada para isso; não só nas nossas fraquezas (gerando culpa quando a cometemos) mas também nas deficiências das pessoas das quais convivemos. Repetimos isso com nossos filhos, em nossos relacionamentos amorosos, em nossas relações de trabalho, de estudo, de amizade… Tendemos mais a nos irritar com as limitações das pessoas do que a ficarmos felizes e alegremente contemplativos à infinidade de qualidades extraordinárias e amáveis que cada um pode ter. Não nos apaixonamos por nós mesmos nem pelas outras pessoas mas como um sargento eficiente procuramos melhorar tudo e a todos o tempo todo. Para muitos de nós, o medo das fraquezas parece ofuscar nossa confiança em nossos pontos fortes e por isso buscamos com todas as forças exterminá-las, para que então, sem elas, possamos brilhar.

Mas, pense comigo: Digamos que você tem talento, gosto e curiosidade por desenho. Desenhar te preenche e alegra de maneira intensa; você entende bastante desse assunto, lê sobre ele, treina fazer tal coisa, conhece os maiores nomes de referência da área, entende basicamente tudo sobre as ferramentas necessárias para desenhar e outras coisas. Você ainda não é um especialista, mas tem talento natural e seu conhecimento sobre o tema pode render bons papos. Por outro lado, você não se concentra por muito tempo em um único assunto e tem dificuldade para prestar atenção (real) nas pessoas quando elas tentam conversar com você por mais de 10 minutos; digamos que te tratem como distraído e que isso te incomode – gerando cobrança – e você realmente acredita que deva se esforçar para ser mais “focado”.

O que você acha que vai ajudá-lo a melhorar e ter mais oportunidades (de crescer, de ser feliz, realizado): concentrar seus esforços em se tornar focado ou aprimorar suas habilidades com o desenho? Concorda comigo que os esforços para se tornar melhor em desenho são muito menores do que os para se tornar focado!? Você já sabe como desenhar, mas não tem a menor ideia de como ser focado. [E será mesmo que ser focado é necessário pra você? Será mesmo que isso é um defeito ou será que isso é só uma evidencia de que você é uma pessoas que vê as coisas de maneira mais generalista – e tudo bem? A questão é: temos uma limitação grave ou estamos no lugar errado, gastando energia com coisas erradas?] Então pra que tentar ser focado se você pode ser extraordinariamente fantástico desenhando? Pra quê?

Vamos mudar esse pensamento limitante e controlador de querer mudar nossas fraquezas, para um pensamento (e consequentemente um comportamento) livre e apaixonado por nossos pontos fortes!?

E se trocássemos:
“Você tem uma comunicação oral ruim, tem que melhorar!”
por
“Mande um email se declarando e depois mostre o que saiba fazer pessoalmente.”

“Você é muito impaciente.”
por
“Você tem senso de urgência, use essa característica pra empreender seus sonhos.”

“Você não é atento, deixa detalhes importantes passarem.”
por
“Você tem mais habilidade com gerenciamento de pessoas do que com administração de papéis, se concentre nas pessoas.”

“Você precisa saber trabalhar em equipe.”
por
“Você tem um perfil introspectivo e produz muito mais sozinho, canalize seus esforços nesse aspecto e peça ajuda quando precisar lidar com com muitos talentos.”

“Suas análises matemáticas precisam melhorar.”
por
“Escreva um livro e contrate um analista financeiro pra te orientar!”

É tudo uma questão de perspectiva e valor dado às coisas. Vamos ser incrivelmentefodásticos naquilo que já somos bons e aceitar que é inútil tapar certos buracos de nossa limitação.

No que você é realmente bom? Se torne incrível nisso!

Ps.: Esse texto é um incentivo a concentrar nossos esforços no que já somos bons para que nos tornemos melhores ainda aos invés de querer alcançar nosso potencial máximo apenas eliminando as falhas, isso não significa que não devemos melhorar continuamente e nem que devemos ignorar nossos defeitos. Sejamos sábios, coerentes e equilibrados para que amanhã possamos ser melhores que hoje. Feliz Ano Novo! Feliz 2016!

Publicado especialmente para o Administradores.com

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