PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO

Que tenhamos sempre novas idéias, mas parece que hoje, e isso de uns seis anos para cá vem se evidenciando e o exercício de ter que filtrá-las tornou-se importante, aliás, essencial para os gestores de empresas e isso incluem os responsáveis pelo RH. Pois a produção de idéias no campo da administração tem sido a maioria caricata e o mais grotesco é que alguns gestores estão se deixando levar por essa onda de conceitos e se tornando truões no mundo coorporativo. Para citar um exemplo, algum tempo atrás houve um boom de publicações em que diversos autores, e nessa parte devo agradecer aos céus por esses autores não serem brasileiros, lançaram múltiplos títulos que pareciam mais uma lista de animais que estão em exposição em algum zoológico do mundo ou mesmo vivendo suas vidas tranqüilamente em algum parque no centro de alguma cidade, dentre tantos, temos os que estes magníficos autores que nos trazem à baila, animais como os gansos, golfinhos, búfalos, elefantes e lobos; mas o pior disso tudo é que os autores sugerem que os executivos deveriam aprender a liderar com estes inocentes animais. Aí paro pra pensar por que não lançaram ainda um best seller do tipo: Administrando como as Mulas? Ora pois, não são estes animais tão bem conhecidos por sua alta disposição ao labor árduo? Ah, já sei! Deve ser por uma pequena questão: E quando a mula resolver empacar? O que acho que está acontecendo com muitos dos nossos gestores brasileiros, é que estão morrendo por pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico. Isso mesmo que você acaba de ler e vou repetir com uma maior ênfase para ser entendido: pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico, você não sabe o que é isso? Pois bem, segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, descreve o estado de quem é acometido de uma doença rara provocada pela aspiração de cinzas vulcânicas. O que estou querendo dizer com isso é que; primeiro aqui neste maravilhoso país não tem vulcão e não tem o porque de nossos gestores ou qualquer outra pessoa ser acometido por esse mal; segundo, os que estão morrendo deste mal é de tanto ficar a absorver idéias lá de fora que na grande maioria dos casos não cabem aqui; e por último, é que é preciso dar mais valor às nossas próprias idéias e criar as nossas de acordo como nossa realidade. Acredito que o primeiro passo para que não tenhamos mais mortes por conta desse mal, é seguir um dos mais antigos conselhos: Conhece a ti mesmo..., pois quem não conhece fica com o desempenho travado e quando você age na defensiva, o mínimo que se pode dizer é que sua criatividade fica bloqueada e um outro motivo para ter um autoconhecimento é que você passa a ter consciência de suas competências e limitações, pois se você realmente quer fazer a diferença no trabalho, precisa encontrar um caminho único para si mesmo. Sabemos que acreditar em nossas próprias idéias dá trabalho. Durante toda a vida aprendemos que algumas coisas são permitidas e outras não. Que algumas coisas são certas e outras são erradas. Não quero aqui ser um revolucionário e jogar tudo pela janela, mas quero que você dê o valor merecido as suas idéias, isso se você realmente conseguir acreditar nelas profundamente, mesmo que pareça tolice ou que lhe digam que é tolice, pois o que não falta são pessoas querendo que você não acredite em suas próprias idéias, já que elas não são capazes de se arriscarem. Arquimedes, Einstein, Walt Disney..., foram em algum momento chamados de loucos e nunca tiveram vergonha de dizer tolices e passar ridículos. Em algumas empresas o colaborador que tem uma certa facilidade para inventar ou mesmo de questionar é visto como um problema, já que nessas empresas só se seleciona funcionários racionais e como conseqüência acaba por se eliminar a inovação no seu desempenho. As filosofias tradicionais de RH, que não estão no departamento pessoal mas nas vísceras de todos os gerentes e diretores, precisa ser repensada . O princípio de contar com pensamento criativo da equipe para encontrar vantagens competitivas ainda não foi assimilado pela nossa cultura empresarial. Ainda perdemos muito tempo, recursos e clientes antes de mudar. Muitos ainda preferem gente parecida com os infalíveis computadores a pessoas que no mínimo provocam uma turbulência na zona de conforto em que muitas das empresas acreditam que estão, mas na verdade estão num magnífico salto triplo no abismo e quando se dá conta não há nem um galho para se segurar e tentar evitar a queda, é claro que existem os que conseguem evitar se espatifarem no fundo abismo, mas quando olham já perderam tempo demais. Para encerrar tem uma frase de Carl Jung que acredito caber muito bem aqui: Ser normal é o ideal dos que não têm êxito, de todos os que ainda se encontram abaixo do nível geral de adaptação. Mas para as pessoas que não encontram qualquer dificuldade em alcançar êxitos e em realizar sua cota-parte de trabalho no mundo, para estas pessoas a compulsão moral a não serem nada senão normais, significa o leito mortal e insuportavelmente fastidioso, um inferno de esterilidade e desespero. ________________________________________________ *Consultor, pesquisador e analista dos estudos da Administração de Empresas Contato: (31)9213.40.80 e-mail:robsonribeiro@uai.com.br
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