Planejar para não afundar

<b>O planejamento não é uma coisa sofisticada, ao alcance apenas das grandes e médias empresas. Ele é uma ferramenta inteligente e de custo compatível com o tamanho de qualquer negócio. </b>

O mar agitado do mercado é implacável. Empresa que não planeja afunda. Quanto mais turbulento e dinâmico o cenário dos negócios, maior será a necessidade de se planejar. O ato de planejar é uma característica intrínseca dos seres humanos. Planejamos, até inconscientemente, pequenos e grandes eventos do nosso cotidiano. Planejamos a ida ao dentista, ao supermercado ou a uma festa. O planejamento é antigo. Em 2.500 a.C. já se pensava o futuro e se planejava muito bem no Egito. As pirâmides não foram construídas de improviso, ao acaso. Somente com bons planos, os egípcios poderiam ter guiado com maestria geométrica os esforços de cerca de 100 mil homens durante mais de 20 anos.

O planejamento empresarial é muito mais recente. Começou a ser praticado por volta de 1.800, na Inglaterra, durante a revolução industrial. Nos idos de 1916, Henry Fayol já dizia que planejar é perscrutar o futuro e traçar um programa de ação. Durante as duas grandes guerras mundiais, os países envolvidos cometeram erros grotescos nas áreas de suprimentos e de logística. Eles serviram para mostrar a necessidade de se melhorarem as técnicas de planejamento. Na década de 1950, o mercado empresarial começou a apresentar mudanças rápidas, surpreendentes, de difícil previsão. Até então, as empresas norte-americanas só faziam orçamentos de receitas e despesas. Elas começaram a demandar novas técnicas de planejamento empresarial. O livro Corporate Strategy do engenheiro Igor Ansoff, publicado em 1965, lançou as bases do planejamento estratégico. A metodologia de Ansoff era teórica e complicada. Por isso ela foi modificada e melhor adequada aos cenários de mudanças constantes. Atualmente o planejamento estratégico é um instrumento eficiente e universal. Ele pode ser utilizado para prever ações futuras, tanto por empresas, como por instituições do terceiro setor e governamentais.


Governantes de visão e realmente preocupados com o futuro de suas comunidades, estados e países planejam no longo prazo. A maioria deles é míope e egoísta. Quando planejam alguma coisa, os planos se estendem somente até o final do mandato. Outros políticos profissionais planejam apenas o suficiente para alcançar a sempre nefasta reeleição. Todas as grandes empresas planejam no curto, no médio e no longo prazo. A maioria delas se utiliza das mais modernas ferramentas de planejamento e gestão. Nem todas as médias empresas planejam o suficiente. Na maioria delas, os planos para o futuro são mal elaborados e fora da realidade. Em algumas, esses planos não passam de burocráticos orçamentos anuais de receitas e despesas. Entre os pequenos empreendedores são raros os que planejam rotineiramente o futuro de seus negócios. A maioria deles reconhece a importância de se planejar, mas trabalha ao sabor do acaso e do improviso. Eles navegam em seus frágeis barquinhos ao sabor das ondas turbulentas e sempre ameaçadoras do mercado.

É relativamente fácil de controlar o ambiente interno de uma pequena empresa. O ambiente externo é complicado. Ele muda rapidamente. Ele é cheio das poderosas ondas destruidoras de pequenos negócios. Elas podem ser representadas pela concorrência predatória, pela pirataria, pelo comércio ilegal, pelos impostos e taxas, pelos juros indecentes e pela burocracia. Muitos pequenos e médios empresários dizem que é impossível ou inútil planejar num cenário tão mutante. Eles estão totalmente errados e são candidatos naturais ao naufrágio. O planejamento serve justamente para prever o futuro mais provável dentre várias alternativas possíveis. Quando se planeja direito, diferentes cenários são simulados e as decisões futuras são analisadas com calma e racionalidade.

As empresas que planejam prospectam o futuro e antecipam as tendências. Elas definem com clareza objetivos, metas, ações, alvos, recursos e métodos para monitoramento e gestão dos planos. O planejamento não é uma coisa sofisticada, ao alcance apenas das grandes e médias empresas. Ele é uma ferramenta inteligente e de custo compatível com o tamanho de qualquer negócio. As ondas destruidoras virão. Elas são inevitáveis. O único recurso é: Planejar para não afundar.

Eder Bolson, empresário, autor de Tchau, Patrão! www.tchaupatrao.com.br .


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