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Petróleo de novo na berlinda

A Goldman Sachs voltou a alertar para o período de “espigão” nos preços do petróleo e reviu em alta os limites máximos desse disparo para os 105 dólares o barril nos próximos anos. A Agência Internacional de Energia passou, entretanto, à dramatização, numa guinada nunca vista no discurso oficial. O Relatório da AIE/IEA só sairá oficialmente no final do mês de Abril, mas já provocou um «choque». Entretanto a revista Forbes já fez um alerta de recessão nos EUA para os próximos 12 a 18 meses.



A ameaça dos três dígitos... e o alerta da Forbes


A Goldman Sachs voltou a alertar para o período de espigão nos preços do petróleo e reviu em alta os limites máximos desse disparo para os 105 dólares o barril nos próximos anos. A Agência Internacional de Energia passou, entretanto, à dramatização, numa guinada nunca vista no discurso oficial. O Relatório da AIE/IEA só sairá oficialmente no final do mês de Abril, mas já provocou um «choque». Entretanto a revista Forbes já fez um alerta de recessão nos EUA para os próximos 12 a 18 meses.

O mês de Abril agitou-se com uma breve nota da Goldman Sachs (GS) divulgada pela MarketWatch e a Bloomberg sobre a possibilidade do petróleo poder atingir um máximo de 105 dólares nos próximos anos. O impacto dos dois parágrafos redigidos pela equipa de Arjun Murti, um dos analistas da GS mais cotados, foi enorme.



No entanto, Murti limitou-se a corrigir em alta os limites da banda de variação do preço do barril de crude norte-americano na sua análise prospectiva, que previa um intervalo entre 50 e 80 dólares, que, agora, passou para 50 a 105. E Murti não se referia a algo iminente, mas à tendência de fundo para esta década. Explicitamente, o analista referia próximos anos, nunca próximos meses.



Apesar de, nos canais televisivos da MarketWatch e da Bloomberg, muitos comentadores contrários a esta previsão criticarem o alarmismo e acusarem a GS de fomentar a especulação nos futuros do crude, todos são unânimes em que se houver disrupções no mercado, por exemplo, na Venezuela, Nigéria ou Irão, o que hoje é cenário poderá transformar-se em pesadelo.

A análise de Murti não é de agora a equipa da GS tem vindo a afirmar que entrámos nos primeiros momentos de um período de superspike no preço do petróleo, como a nota da passada semana voltou a reafirmar. Este crescimento em espigão é a tendência de fundo que tem sido salientada por outros analistas independentes, como os especialistas da ASPO, a Associação do Pico do Petróleo, que reunirão em Maio em Lisboa. A Janelanaweb.com tem alertado para este cenário, com base no modelo de simulação do iraniano Ali Bakthiari, um dos membros da ASPO.

Recomendação de leitura
Entrevista com Ali Bakhtiari em http://www.janelanaweb.com/crise/maldito_petroleo.html


Os analistas menos pessimistas esperam, agora, que a barreira psicológica dos 70 dólares o equivalente (em dólares actuais) do pico histórico atingido no segundo choque petrolífero no primeiro trimestre de 1982 não seja batida. Ali Baktiari apontou em Outubro do ano passado o patamar dos 60 dólares como provável durante 2005, o que está à beira de acontecer.

Fruto desta contínua evolução em alta com médias no barril WTI norte-americano de 28,15 dólares em 2003, de 31,74 dólares em 2004, e de 50,46 euros no primeiro trimestre deste ano -, a Comissão Europeia acabou por rever em alta as suas estimativas para o preço médio anual em 2005, subindo de 45 para 50,9 dólares o barril. Por seu lado, o Departamento de Energia dos Estados Unidos aponta para um preço médio em 2005 entre 48 e 50 dólares para o barril do WTI (que é mais caro do que o Brent, referência na Europa) e as previsões mais recentes da OPEP para o barril de referência da organização (que é mais barato do que o Brent e do que o WTI) movem-se numa banda entre os 40 e os 50 dólares. Os analistas independentes sublinham que estas previsões são, sempre, muito «conservadoras» em relação ao real comportamento do mercado.

A mudança de tom da Agência de Energia e do FMI

O último relatório anual do Fundo Monetário Internacional «Global Financial Stability Report», divulgado no princípio de Abril de 2005, conclui sobre a situação do mercado do petróleo que à medida que a capacidade disponível diminua na realidade ou na percepção que se tem dela, os mercados do crude ficarão mais vulneráveis ao overshooting». Essa realidade é particularmente visível nos designados crudes leves.

Recomendação de leitura
Relatório do FMI em http://www.imf.org/external/pubs/ft/gfsr/


A Agência Internacional de Energia (IEA) lançou, entretanto, um alerta para um plano de emergência no caso dos fornecimentos de petróleo serem abalados em 1 a 2 milhões de barris por dia, uma ruptura equivalente aos eventos da Guerra do Iraque ou das greves na Venezuela, comentou o insuspeito Financial Times. Trata-se de um abaixamento drástico do nível de alerta pela Agência, que o situava, anteriormente, em 7% da oferta global, ou seja exigia o perigo de corte de 6 milhões de barris por dia.

O relatório da IEA é sugestivamente intitulado «Saving Oil in a Hurry» e virá à estampa em 28 de Abril de 2005.

No entanto, foi apresentado em Março em Paris num workshop da IEA por Bob Noland do Centre for Transport Studies do Imperial College, de Londres.

O estudo passou relativamente despercebido até que o Financial Times mais de um mês depois resolveu fazer eco. É a primeira vez que a Agência Internacional muda de tom, e passa de uma discurso optimista para a dramatização.

Recomenda como principais medidas de poupança energética a actuação nos transportes privados (redução dos limites de velocidade; introdução do «carpooling»; interdições de circulação; baixa no preço dos transportes públicos) e no trabalho, com o incentivo ao teletrabalho e a compressão do horário semanal (dá o exemplo das Filipinas, onde a semana dos funcionários públicos foi reduzida para quatro dias).

Em Julho de 2005, a IEA prevê publicar um outro estudo, agora intitulado «Saving Electricity in a Hurry».

Recomendação de leitura
Relatório Saving Oil in a Hurry apresentado por Bob Noland em http://www.iea.org/textbase/work/2005/oil_demand/Oilintransportwkshp/pdffiles-day1/noland.pdf


Alerta de recessão da Forbes

Se a média do barril em 2005 se situar no patamar dos 50 a 60 dólares, a diferença nominal com o ano anterior será quase de 20 dólares, o que poderá acarretar uma diminuição de quase 1 ponto percentual da taxa do PIB nos países da OCDE. Um relatório do Citigroup referia, no ano passado, que um aumento médio anual de 10 dólares provocaria uma diminuição de 0,4% da taxa do PIB nos países da OCDE.

Não será, por isso, por acaso, que a revista Forbes lançou, no final do mês passado, um alerta de recessão nos Estados Unidos (Advisor Soapox: Recession Alert, por James Stack). A recessão, de novo, ainda não começou e não está necessariamente iminente nos próximos meses. Contudo, certas tendências sugerem que a recessão poderá tornar-se provável nos próximos 12 a 18 meses. E se as pressões actuais não foram resolvidas, quase, de certeza, que será uma realidade em 2007, escreve James Stack, o analista de «InvesTech», que na Forbes tem lançado, certeiramente, alertas de recessão noutras alturas.

Recomendação de leitura
Artigo na Forbes.com em www.forbes.com/2005/03/24/cz_js_0324soapbox_inl_print.html


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