Pessoas ou Lucro? O que é mais importante?

Um grande consultor de negócios que trabalha para grandes empresas nacionais e tem uma coluna numa grande revista de economia e gestão afirma que o mais importante para as empresas, são as pessoas e não o lucro.

Interessante como se tenta justificar o lucro, o ganho do capital, como se este tivesse um fim social. É muito bonito falar nos “stakeholders”, o conjunto das pessoas que interagem de uma forma ou outra com as empresas e seus objetivos e dizer que é importante para as empresas este tipo de relação e que as pessoas são o centro do negócio das empresas. O centro dos negócios sempre foi e sempre será o Lucro. E para alcança-lo não importa que tipo de estratégias seja adotado, até mesmo sacrificando interesses sociais.

Cortar custos, reduzir salários, agredir o meio ambiente, sonegar impostos, corromper, praticar gestão temerária, tudo vale para se conseguir o objetivo principal do lucro.

O discurso é sempre muito bonito, o marketing vende imagens belas, a chamada responsabilidade social esta na ordem do dia, falar em sustentabilidade garante prestígio para a empresa, mas será que é assim mesmo? Alguém já parou para perguntar de quanto é o orçamento das empresas para aplicação em pessoas ou em projetos sociais se comparado com o total do lucro?

Apenas para ilustrar, o lucro dos quatro maiores bancos brasileiros em 2013 foi maior que o PIB de 84 países no mundo. Já os investimentos sociais foram de uma pequeníssima fração deste lucro. O reajuste dos salários dos trabalhadores do setor foi pouco além da inflação do período e somente concedido depois de greve e de muita negociação. Nos momentos de bonança embolsam os lucros, nos momentos de crise querem condições especiais do governo, querem redução de impostos, ao mesmo tempo em que cortam investimentos, demitem-se empregados e aumentam os preços, que é a receita clássica. Antes retração na economia do que perda de margens de lucro.

Não se trata de condenar o lucro, mas sim os seus excessos. Enquanto o salário mínimo, com toda a valorização dos últimos 10 anos, continua insuficiente para atender as necessidades básicas, a lista das 150 pessoas mais ricas do Brasil atinge cerca de 13% de tudo o que girou na economia brasileira em 2013.

Definitivamente alguma coisa não esta muito clara na versão do colunista. O que o Brasil precisa é de empresas justas nas relações com os stakeholders, onde se garanta o lucro, mas onde também tenhamos transparências nas relações sociais. Que cada um cumpra o seu papel e honre a sua parte nos direitos, mas também nos deveres e nas obrigações.

Para entender um pouco mais desta temática, sugiro a leitura do livro “As organizações são morais” do Adm Wagner Siqueira publicado pela editora Qualitymark.

Adm Edson Machado
Conselheiro do CRA-RJ

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