Pesquisa de mercado na prática: seleção de amostragem em qualitativas
Pesquisa de mercado na prática: seleção de amostragem em qualitativas

Pesquisa de mercado na prática: seleção de amostragem em qualitativas

Na pesquisa qualitativa, que fogem das estatísticas de margem de erro e de confiança da pesquisa quanti, pode ser um ponto delicado do planejamento

Quando organizamos uma pesquisa de mercado, ficam na amostra duas decisões importantes: (1) quantas entrevistas fazer e (2) com quem conversar. Na pesquisa qualitativa, que fogem das estatísticas de margem de erro e de confiança da pesquisa quanti, pode ser um ponto delicado do planejamento. Compartilho algumas dicas para seleção de amostragem para pesquisa qualitativa exploratória, aquela que se faz para entender o que as pessoas pensam sobre um conceito, um produto, ou algum assunto que “não cabe em opções de múltipla escolha”.

Para este caso, deixe o volume para uma pesquisa quantitativa. Na quali, invista em qualidade! Poucas pessoas com quem você possa conversar mais, ou observar mais. Claro que isso vai depender do produto e do perfil do público alvo, mas em uma conversa para entender como as pessoas compram ou usam um tipo de produto, a saturação é rápida! É provável que a partir da 6ª entrevista com o mesmo perfil de público não tenha mais novidades – depois de 10 entrevistas, às vezes nem as vírgulas mudam. Um tédio.

Uma saída para otimizar a amostra é procurar especialistas no tema, que na maioria dos casos não é um doutor que pesquisa o seu tipo de produto. Vendedores de loja passam o dia em contato com o consumidor: eles sabem quais as principais dúvidas dos clientes, o que os clientes procuram, tem várias pistas de quais critérios ponderam na decisão de compra e etc. Quanto mais consultiva é a venda, mais ele sabe sobre seu consumidor. Exemplos de vendas consultivas: loja de material de construção, farmácia, concessionária de veículos, imobiliárias, etc.

Vendedores não são os únicos especialistas. Existem outros profissionais que participam do processo: o personal trainer da academia sabe os suplementos que os marombas gostam, arquitetos sabem quais acabamentos de construção as pessoas procuram, o contador sabe quais são as dúvidas de um empreendedor que quer tirar uma nota fiscal pela primeira vez – se você é de uma empresa de software que trabalha com esta solução.

É importante também considerar lugares diferentes para montar a amostra. Se o produto é um seguro residencial, por exemplo, a cobertura contratada por quem mora em um bairro com risco de alagamento pode ser diferente de um bairro em cima do morro. Mas se estiver falando de aquecedores de água, os drives de compra podem ser diferentes numa cidade serrana do sul, em São Paulo e no litoral do Ceará.

Pesquisa de mercado, mesmo as quantitativas, até brincam de “ciências exatas”, mas é sempre bom lembrar que são “ciências sociais aplicadas”. Ou seja, até o resultado “100% preferem Produto A” pode ser relativo. Se não há certezas absolutas, uma amostra pequena e qualificada pode apontar bons caminhos para identificar problemas e soluções. Amostras pequenas também podem ser compensadas com a frequência: ir a campo mais vezes resultam em estar sempre atualizado sobre as demandas do público.

Espero que estas sugestões sejam úteis no planejamento da sua próxima pesquisa qualitativa. Neste mercado dinâmico, boas práticas de pesquisa que identifiquem a necessidade do cliente podem se transformar em vantagem competitiva. Vamos pesquisar?

ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.