Café com ADM
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Perigoso sistema de saúde

O relato que segue abaixo não me trás nenhum orgulho, pelo contrário, desperta um sentimento de urgência para saber os motivos que fazem o sistema de saúde (inclusive o privado) tão deficitário. No próximo dia 25, fará um ano que meu pai faleceu aos meus braços e de meus irmãos em uma desesperada tentativa de socorro, pois nem a ambulância conseguimos acionar para vir em seu socorro em uma noite de sábado. Eu tive um pouco mais de sorte na história que irei relatar abaixo. Passavam das oito da noite e eu estava sentado no laboratório de informática tabulando algumas planilhas, quando senti a velha conhecida dor muscular nas pernas. Era o prenúncio de que a febre viria. Tratando-se da última aula antes da prova resisti à tentação de ir embora e tentei me concentrar nos exercícios, mas a cada minuto as dores incomodavam mais e a sensação de frio aumentava a ponto de bater o queixo. Nesta altura, sabia que a febre ultrapassava os trinta nove graus. Consegui um anti-térmico com uma amiga e após tomá-lo aguardei algum tempo para que ele fizesse efeito. Segui para casa e continuei minha dieta emergencial de líquidos e repouso. Por volta das dez da noite, minha querida noiva chegou e percebeu a situação. Obrigou-me a ir ao Hospital, pois não poderia ficar daquele jeito tendo um plano de saúde para utilizar. Assim seguimos para a emergência. Entre a hora em que entrei e o atendimento, chamado triagem, foram aproximadamente quarenta minutos. Enquanto isso, assistimos uma repórter ser retirada do hospital por dois seguranças, pois a louca havia invadido a ala de internação para saber em que quarto estaria o Ronaldinho e a Daniela, que havia passado mal em uma festa. Paralelo a isso uma senhora chegou, no que me pareceu um trabalho de parto. A demora no atendimento era tão incômoda que as pessoas da sala de emergência começaram a sugerir de forma mais contundente, que a recepcionista providenciasse uma cadeira de rodas para a gestante, que após esperar alguns minutos resolveu seguir andando para o elevador antes que tivesse o filho ali mesmo. Não obstante, uma senhora idosa entrou passando mal e mobilizou os médicos de plantão. Não sei dizer quantos, mas todas as atividades pareciam ter sido interrompidas em detrimento do seu estado. Felizmente a velhinha ficou bem e quase uma hora e meia após ter entrado no hospital, finalmente fui examinado por uma das médicas de plantão. Ela seguiu o protocolo e fez as perguntas de praxe, auscutou-me, aferiu-me a pressão e examinou meu abdômen. Nada foi encontrado que justificasse a febre alta, que aquela altura já havia sido domada pelo anti-térmico. A competência era tamanha, que não precisou de um exame de sangue para diagnosticar a virose que eu havia contraído. Pediu-me apenas para seguir com o anti-térmico a cada seis horas, como eu já havia previsto, e beber muito líquido para auxiliar o corpo na manutenção da temperatura. Caso o quadro persistisse nas próximas quarenta e oito horas, aconselhou-me a retornar para nova análise. Para minha surpresa, ela foi incapaz de me fornecer uma cartela com o anti-térmico e por volta da meia noite, ainda tive que procurar uma farmácia vinte quatro horas para comprar o remédio. As quarenta e oito horas seguintes foram difíceis, pois injustificadamente eu tinha picos de febre e a constante dor no corpo, obrigando-me a tomar o anti-térmico. Apenas no final do domingo o quadro pareceu estar sobre controle e pude interromper a medicação, pois precisava saber se deveria procurar outro médico na segunda-feira. Graças ao bom Deus nada aconteceu. Retornei a minha vida como se nada tivesse acontecido e sem saber realmente o que me debilitou. Passada a situação não sei o que foi pior: não ter seguido para outro hospital imediatamente ou lembrar de toda a situação e perceber que ela faz parte do nosso cotidiano. Queria estar errado sobre isso, mas meu relato não é o primeiro, ou será o último sobre situações como esta. Uma pena.
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