Pequenas empresas, a vida sem crédito

Dura e triste realidade, reconhecemos. Nós consultores financeiros empresariais convivemos com o dilema dos "muitos querem e poucos podem" essa é a verdade. Como já não bastasse as condições político-fiscais apertadas, é impossível esquecer que as micro e pequenas empresas atuam a margem de uma enorme e esfomeada concorrência do mesmo porte que presta, produz e comercializa as mesmas coisas, tendo-se que contentar com uma pequeníssima fração na participação desse bolo. Outro fator que vem dissolvendo esses pobres guerreiros, é o esforço incontrolável de querer manter-se sustentável diante do crescimento das grandes organizações e da proliferação das grandes redes que imperam cada vez mais no espaço que pertenciam aos pequenos. Tudo isso leva-se em conta uma retração nos movimentos dos caixas e consequente descompasso entre o "gerar receitas" e "cumprir obrigações". Daí a necessidade dos micro e pequenos empresários, "crédito para capital de giro". É sabido que o intuito dos escassos financiamentos divulgados pelos bancos oficiais Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, cujos programas, tipo PROGER, FINAME, são objetivados para financiar basicamente investimentos na aquisição de máquinas, equipamentos e reformas, cujos bens e benfeitorias se fazem de garantias na operação, mas isso quando há disponibilidade do recurso e quando o banco aprova. Dessa forma, o financiamento de capital de giro como devesse ser para atender a real necessidade do micro e pequeno empresário, torna-se quase nula. Querer obter o financiamento de capital de giro é uma coisa, é vislumbrar possibilidades de chances de poder continuar, o direito de sonhar. Conseguir obter o financiamento de capital de giro é outra coisa, uma outra história onde o ambiente é a dura realidade. A frustração do micro e pequeno empresário já começa (ou termina) na sua própria condição de tomador de empréstimo. É óbvio que se ele está pedindo o empréstimo do recurso é porque a situação que o faz tomar não está equilibrada, mas as precauções dos bancos são tantas, que uma delas é exigir que o tomador esteja em dia com suas contas (???) principalmente os recolhimentos do SIMPLES ou COFINS (???). Pode? Outro contrasenso que acabou se tornando regra subjetiva dos bancos é a exigência de reciprocidades na contratação da operação, ou seja, se preenchido todos os quesitos anteriormente ditados, o tomador estará condicionado para aprovação do seu crédito, a operar com cobrança naquele banco, caucionando duplicatas ou cheques pré-datados, ou ainda, se tiver folha de pagamento salarial que se faça naquele banco, além, é lógico, a contratação de seguros diversos, etc. Incoerência absurda de quem e para quê está precisando do crédito e de quem e para quê está concedendo o crédito, parece-me distorcerem o propósito do crédito em função das extremas precauções de riscos em que a própria razão desconhece.
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