Pelo fim da segregação entre gêneros

A segregação entre gêneros, embora em menor escala atualmente, ainda é um assunto bastante recorrente. A sociedade, como um todo, deve olhar para tais temas com um olhar mais crítico, assim podendo construir um futuro com menos discrepância e mais igualdade para as próximas gerações

“Desde os anos 1980, o movimento de mulheres no Brasil reivindica que os governos elaborem e atuem na construção de políticas públicas tendo como foco as mulheres como cidadãs. A crescente participação feminina cumprindo tarefas públicas, no mercado de trabalho, na educação, nos espaços públicos, fortalece esta demanda, cria novas exigências e desafios na elaboração e execução de políticas públicas.”. (GODINHO, Tatau. Políticas públicas e igualdade de gênero, 2004, p. 55).

As políticas de gênero são temas que permeiam o mundo cada vez mais. Se fizermos um comparativo sobre como tal tema era tratado nos séculos passados veremos o quanto a luta por igualdade de gêneros foi árdua, porém com algumas vitórias. A mulher, que era extremamente oprimida pelo homem, hoje ainda é oprimida, entretanto em escalas menores. Para tanto, o movimento feminista nasceu e ganhou força ao redor do mundo. A palavra “feminista” pode causar certas confusões por ser mal interpretada, logo, eis o significado: movimento cujos preceitos indicam e defendem a igualdade de direitos entre mulheres e homens. Ideologia que defende a igualdade em todos os aspectos (social, político, econômico).

Todavia, a cultura de uma nação dita como a mesma irá tratar e absorver novos conceitos que, a todo momento, estão sendo inseridos. Dessa forma, a cultura vai se moldando ao longo do tempo e adquirindo uma nova face. No século XIX, por exemplo, mulheres não podiam falar sobre política e economia com homens, pois eram consideradas estúpidas e desprovidas de qualquer embasamento em estudos para manter uma conversa por muito tempo. Entretanto, algumas mulheres iam contra esse tipo de pensamento e graças a luta dessas, diversos direitos as foram concedidos, mesmo que séculos depois, para as mulheres do futuro.

O machismo, por sua vez, contrapõe tudo o que o feminismo prega e visa ampliar a segregação entre os gêneros. Na sociedade brasileira, o machismo ainda está muito intrincado com tudo o que fazemos e mesmo pessoas que são contra a discriminação entre gêneros, às vezes soltam comentários machistas como “Pare de correr como uma mulherzinha, corra como um homem!” utilizando de forma pejorativa a palavra “mulherzinha”, enaltecendo o homem e inferiorizando a mulher. Até quando as pessoas irão fazer tal distinção com relação aos gêneros?

Dentro dessa esfera da sociedade machista, conseguimos notar de forma bastante recorrente em discussões, a falsa simetria (conceito que utilizamos para apontar situações parecidas, porém não comparáveis, que aparecem por meio de exemplos e relatos com o objetivo de deslegitimar a ideia inicial). Um bom exemplo se dá no seguinte diálogo: - “A cada uma hora e meia, uma mulher morre decorrente à violência doméstica” - “Ah, mas coitado do homem, eles morrem mais que mulheres nos dados gerais”.

Recentemente, nossa presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei 13104/15 (lei do feminicídio) que classifica o feminicídio como crime hediondo e modifica o Código Penal incluindo o crime entre os tipos de homicídio qualificado.

“Quero anunciar um novo passo no fortalecimento da justiça, em favor de nós, mulheres brasileiras. Vou sancionar, amanhã, a Lei do Feminicídio que transforma em crime hediondo o assassinato de mulheres decorrente de violência doméstica ou de discriminação de gênero” (ROUSSEFF, Dilma. Em pronunciamento feito em cadeia nacional de rádio e televisão, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, 2015).

Ao longo do desenvolvimento desse fichamento, algumas ideias me ocorreram acerca de como a sociedade poderia interagir mais com questões tão importantes para o convívio social. Uma delas seria a implementação de uma matéria no ensino fundamental que instigasse os alunos a buscar conhecer as leis. Acredito que assim, teríamos um senso crítico muito mais aflorado.

Referência bibliográfica:

● Políticas públicas e igualdade de gênero / Tatau Godinho (org.). Maria Lúcia da Silveira (org.). – São Paulo: Coordenadoria Especial da Mulher, 2004.

● http://www.camara.gov.br/sileg/integras/1294611.pdf

● http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2015-03/dilma-diz-que-lei-do-feminicidio-sera-sancionada-amanha

● http://noticias.r7.com/brasil/a-cada-uma-hora-e-meia-uma-mulher-morre-vitima-de-violencia-masculina-no-brasil-diz-ipea-25092013

● http://feminiciantes.blogspot.com.br/2014/05/o-que-e-falsa-simetria.html

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