PATOLOGIA ORGANIZACIONAL: COMO PREVINIR RISCOS ESTRATÉGICOS

RESUMO Observou-se sempre que muitas organizações são acometidas de problemas, de causa interna e externa, no tocante ás suas decisões estratégicas, levando-as muitas vezes a desaparecerem. Através da área da Patologia Organizacional propõe-se abordar e diagnosticar estes problemas e elaborar soluções para os mesmos, utilizando-se de um referencial teórico, surgem evidências de que a análise das patologias deste setor (finanças) pode prover novas formas de se evitar problemas antigos e propor assim o desenvolvimento adequado das organizações. Nos dias de hoje as instituições em geral, e em especial as tesourarias destas instituições, deparam-se com vários tipos de riscos a serem analisados em seus processos de tomadas de decisões financeiras, sobretudo, devido ao ambiente altamente turbulento e imprevisível que o mundo financeiro global nos oferece. Através deste artigo pode-se conceituar os diversos tipos de riscos e de maneira cognitiva desenvolver meios intrínsecos aos conceitos de como controla-los, preveni-los e mitiga-los, inclusive adaptando as Visões Estratégicas das instituições a prática da Gestão de Riscos. Embora existam vários modelos à disposição, muito pouco se tem de consenso sobre a melhor forma de se avaliar esse tipo de Gestão. A maior conclusão que se pode tirar deste artigo é a de que deve-se adaptar cada organização, ao seu perfil de análise de risco e retorno, as variáveis empresariais particulares e oriundas do Modelo de Gestão da Organização ao seu Modelo de Gestão de Risco particular, assim como um paciente nunca será igual ao outro, uma instituição também não será igual a outra, conseqüentemente, como em pacientes que muitas vezes tomam os mesmos remédios para a mesma doença e tem reações completamente diferentes, seus modelos de Gestão de Riscos não poderão ser copiados ou adaptados de outra organização, e por fim, uma sugestão para desenvolvimento de trabalhos futuros. INTRODUÇÃO Imbuindo no diagnóstico de problemas antigos e modernos referentes á administração estratégica das organizações: o que causa estes problemas, como se originam, como se desenvolvem, que seqüelas deixam e de que maneira pode-se evitá-los e / ou corrigi-los a fim de prover a subsistência, a prosperidade e o desenvolvimento das organizações, este artigo tem como objetivo geral caracterizar a área da Patologia Organizacional e como objetivos específicos discorrer sobre os diversos tipos de riscos, gestão de risco adequada e por fim a maneira de evitar ou se não for possível como controlar estes riscos. Assim como se previne uma patologia, e como na medicina a informação sobre a doença é a melhor prevenção. O trabalho nas tesourarias impõe a necessidade de manter-se constantemente informado sobre o comportamento dos diversos ativos financeiros existentes no mercado. Dados a esse respeito são publicados diariamente em jornais e revistas especializados, e podem ser obtidos em tempo real através de diversos sistemas de broadcasting de informações. A dinâmica do cenário operacional das empresas vem exigindo crescente capacitação de seus administradores e sistemas de controle eficazes que, direcionados pela estratégia corporativa, constituem-se em importante ferramenta de apoio à decisão. O empirismo e a complacência vêm sendo sistematicamente banidos da gestão empresarial. Aquela, como decorrência do aumento da complexidade operacional que dificulta a um único profissional a administração do grande número de variáveis envolvidas nos processos de decisão e o seu tratamento por modelos mentais normalmente denominados por
feeling. Esta, pela maior concorrência que reduz as chances de se reverem erros sem custos consideráveis à posição competitiva do banco. As conseqüências dessa nova realidade, que demandam tão fortemente os executivos as organizações, no aumento dos riscos incorridos. Esse quadro econômico institucional não permite mais que se assumam riscos cujo controle fuja ao domínio dos administradores. A instabilidade das taxas de juros e de câmbio e as oscilações nos preços dos insumos e produtos da empresa podem induzir perdas significativas e de difícil recuperação. Entre os fatores novos no cenário empresarial, a internacionalização dos mercados surge como um dos mais relevantes. À medida que as organizações lançam-se à atuação global, novos fatores de incerteza passam a afetar seus fluxos de caixa. Uma empresa brasileira que porventura se aventure a operar no mercado asiático passará a conviver com as flutuações de taxas de câmbio das moedas dos países nos quais estabelecer representações, bem como com variações de taxas de juros e dos preços dos insumos nesses mercados. Por outro lado, mesmo optando por permanecerem em seu país de origem, novas situações surgem na medida em que a globalização econômica afeta os mercados nacionais pela entrada de novos participantes e pelas importações que trazem novos comportamentos de movimentação dos preços, respondendo a eventos ocorridos em diversos pontos do planeta. Esse ambiente operacional mais hostil exige técnicas científicas de gestão que possibilitem, a qualquer momento, clara identificação, mensuração e avaliação dos riscos incorridos para que possam ser eficazmente gerenciados, justificando inclusive o surgimento de um a nova função nos organogramas: a função de Gestão de Riscos, e o desenvolvimento das

Best Practices para evitar, mensurar, ou pelos, menos mitigar os riscos. FUNDAMENTAÇÃO TEORICA: Patologia das Organizações Desde as teorias propostas por Sun Tzu em a Arte da Guerra no século IVa.c até as mais modernas teorias e escolas de administração desenvolvidas por Druker, Kotler, Porter, e etc, todas passaram ou passam por críticas e transformações, além de serem muitas vezes postas a prova e falharem. Claro que se deve observar as inúmeras vezes em que foram extremamente úteis e as que foram menos úteis proveram fonte para estudos posteriores e desenvolvimento de novas teorias. Todas elas incorrem ou incorreram de falhas congênitas ou estruturais que em algum momento, ou em alguma organização, ou setor falharam demonstrando algum tipo de má formação, contaminação, mau uso, uso em excesso e até o envelhecimento destas teorias ou escolas e acabaram desenvolvendo conseqüências e características de mutação e degeneração encontradas muitas vezes em diversas patologias. Defendendo a convergência das teorias da administração com organismos vivos Morgan (1996), relata que dentro desse processo, a teoria da organização tornou-se num tipo de biologia na qual as distinções e relações entre moléculas, células, organismos complexos, espécies e ecologia são colocadas em paralelo com aquelas entre indivíduos, grupos, organizações, populações (espécies) de organizações e a sua ecologia social. Perseguindo essa linha de investigação, os teóricos da organização emitiram muitas idéias para o entendimento de como as organizações funcionam e que fatores influenciam seu bem estar. Fica evidente a validade da metáfora das organizações vistas como organismos e, portanto, discorrer sobre as patologias que afetam seus modos operantes. Recorre-se ao dicionário Aurélio, a Medicina e a Engenharia para desenvolver um conceito próximo de Patologias da Administração, e após, a uma base empírica de um estudo de caso sobre o setor aéreo brasileiro para demonstrar e identificar brevemente a atuação destas patologias e suas conseqüências sobre um determinado setor. Segundo (Aurélio: 1977, 355), patologia sf. Parte da medicina que se ocupa das doenças. Já o mesmo autor, porém agora em versão mais moderna divulgada na web: Patologia [De pato- + -logia.] S. f. Med.1. Ramo da medicina que se ocupa da natureza e das modificações estruturais e/ou funcionais produzidas por doença. Os antigos médicos gregos faziam uma nítida distinção entre o conceito de doença ou moléstia (Nosos) e enfermidade

(Patlios), que significavam, respectivamente, o processo mórbido evolutivo em si e o estado mórbido final resultante. Esses conceitos originaram a formação dos vocábulos correspondentes: Nosologia estudo das doenças ou moléstias. Patologia estudo das enfermidades, isto é, das seqüelas determinadas pelas doenças. Com o decorrer do tempo, entretanto, o termo Patologia absolveu ambos os conceitos e hoje se define como: o estudo das causas, dos mecanismos, das lesões estruturais (e ultra-estruturais) transitórias ou definitivas e distúrbios funcionais determinados no organismo pelas doenças (Becker: 1997, 3). Quanto a Engenharia, Junior e Silva (2003), demonstram que de um modo geral, as patologias não tem sua origem concentrada em fatores isolados, mas sofrem influência de um conjunto de variáveis, que podem ser classificadas de acordo com o processo patológico, com os sintomas, com a causa que gerou o problema ou ainda a etapa do processo produtivo em que ocorrem. As manifestações patológicas são também responsáveis por uma parcela importante da manutenção, de modo que grande parte das intervenções de manutenção nas edificações poderia ser evitada se houvesse um melhor detalhamento do projeto e escolha apropriada dos materiais e componentes da construção. O conceito de Patologia das Organizações, toma e amplia o conceito de patologia definida por (Collin: 2000, 330): estudo das doenças e das mudanças que as doenças causam no corpo. Desta forma a Patologia Organizacional é o estudo das disfunções que se observam em relação a uma organização e propostas de correção. A Patologia das Organizações está, portanto, associada à investigação de falhas reais ou potenciais (diagnósticos) com o objetivo de assegurar a sobrevivência das empresas (soluções). Humble (1972:45), afirma que ninguém deve pretender que sejam obtidas soluções perfeitas ou definitivas, pois o que se busca diz respeito a uma soma de melhorias. Adverte este autor que o esforço para notar falhas e as corrigir deve ser constante, especialmente nas empresas que registram notáveis níveis de crescimento e de lucros, pois o sucesso tende a embotar o senso crítico da gerência dando lugar à complacência. E cabe aqui a advertência de Levitt (1960); as empresas que pensam estarem subindo sem esforço uma interminável escada rolante invariavelmente descem e param na estagnação. A história de todas as organizações que 'cresceram muito', mas hoje estão mortas ou moribundas, mostram que tiveram um ciclo ilusório de expansão e prosperidade seguido de decadência não percebida a tempo. Em geral a fatalidade desse destino é a conseqüência de quatro erros: 1) a crença de que o crescimento é assegurado automaticamente pelo aumento da população e do seu poder aquisitivo; 2) a idéia de que o principal produto da empresa nunca será suplantado pelo concorrente; 3) excesso de confiança na produção em massa e na conseqüente redução de custos unitários, à medida que aumenta a quantidade produzida; e 4) preocupação com um produto que se presta a experiências científicas cuidadosamente controladas, melhorias e redução do custo de produção. Fleck (2004), sugere que a sobrevivência da organização seja entendida como uma propriedade dinâmica e entendida como a propensão a se perpetuar. Risco O conceito de risco não é novo e já foi largamente estudado dentro da área de finanças, como variável de modelos matemáticos, atrelados aos conceitos de risco e retorno. Por exemplo, o retorno que se espera de uma aplicação financeira, de uma carteira de títulos versus

o risco desse retorno não acontecer, é à base da Teoria das Carteiras (Figueiredo, 2001). Neste sentido, os diversos conceitos seguem um núcleo comum. Gitman (2002), conceitua risco como: a possibilidade de prejuízo financeiro, ou mais formalmente, a variabilidade de retornos associada a um determinado ativo. Figueiredo apud Ross (2001), dizem: que o verdadeiro risco de qualquer investimento é representado pela parcela inesperada do retorno, resultante de surpresas. Na área de finanças em geral, o risco é visto com duas classificações: sistemático e não sistemático. Figueiredo apud Ross (2001), assim define: Riscos sistemáticos são eventos inesperados que afetam quase todos os ativos em certa medida, porque se difundem por toda a economia, são chamados de riscos de mercado. Riscos não sistemáticos são eventos inesperados que afetam ativos isolados ou pequeno grupo de ativos, são também chamados de riscos específicos. Voltados para o estrito âmbito de gestão de risco nas instituições financeiras, conceito e classificação sofreram adaptações. Duarte (1996) discorre que o risco pode ser entendido como uma estimativa para as possíveis perdas de uma instituição financeira devido às incertezas de suas atividades diárias. Quanto à classificação, a literatura é um tanto diversa. O documento denominado Core Principles for Effective Banking Supervision (1998) comenta sobre os principais tipos de riscos a que estão expostas as instituições financeiras: risco de crédito, risco país e transferência, risco de mercado, risco de taxas de juros, risco de liquidez, risco operacional, risco legal e risco de reputação. Duarte (1999), discorrendo sobre a importância do gerenciamento de riscos corporativos, diz que risco é um conceito multidimensional que cobre quatro grandes grupos: risco de mercado, risco de crédito, risco legal e risco operacional. PRINCIPAIS TIPOS DE RISCO Os riscos reportados pelo documento do Bank for International Settlements, acima citado, estão contidos nos quatro grupos de riscos apresentados por Duarte. A classificação dos riscos não obedece à norma absoluta; guarda relação com o processo de gerenciamento de risco de cada Instituição. Porém, no ambiente das instituições financeiras brasileiras já é comum falar-se em risco de crédito, de mercado, e, mais recentemente, risco operacional. O risco legal ainda não é conceito bem definido, mesmo assim adotaremos a divisão dos quatro grupos: risco de crédito, risco operacional, risco legal e risco de mercado. RISCO DE CRÉDITO O risco de crédito é a mais antiga forma de risco no mercado financeiro. É conseqüência de uma transação financeira contratada entre um fornecedor de fundos (doador do crédito) e um usuário (tomador do crédito). Antes de qualquer sofisticação, produto da engenharia financeira, o puro ato de emprestar uma quantia a alguém traz embutido em si a probabilidade de ela não ser recebida, a incerteza em relação ao retorno. Isto é, na essência, o risco de crédito, e que se pode definir como: o risco de uma contraparte, em um acordo de concessão de crédito, não honrar seu compromisso. A atividade de concessão de crédito é função básica dos bancos, portanto o risco de crédito toma papel relevante na composição dos riscos de uma instituição e pode ser encontrado tanto em operações onde existe liberação de dinheiro para os clientes como naquelas onde há apenas a possibilidade do uso, os limites pré-concedidos. Os principais tipos de operações de crédito de um banco são: empréstimos, financiamentos, descontos de títulos, adiantamento a depositantes, adiantamento de câmbio, operações de arrendamento mercantil (leasing), avais e fianças etc. Nessas operações, o risco pode se apresentar sob diversas formas; conhecê-las conceitualmente ajuda a direcionar o gerenciamento e a mitigação. Os principais subtipos deste risco são: Risco de Inadimplência: risco do não-pagamento, por parte do tomador, de uma operação de crédito - empréstimo, financiamento, adiantamentos, operações de leasing - ou ainda a possibilidade de uma contraparte de um contrato ou emissor de um título não honrar seu crédito. Risco de Degradação de Garantia: risco de perdas em função das garantias oferecidas por um tomador deixarem de cobrir o valor de suas obrigações junto à instituição em função de desvalorização do bem no mercado, dilapidação do patrimônio empenhado pelo tomador. Risco de Concentração de Crédito: possibilidade de perdas em função da concentração de empréstimos e financiamentos em poucos setores da economia, classes de ativos, ou empréstimos elevados para um único cliente ou grupo econômico. Risco de Degradação de Crédito: perda pela queda na qualidade creditícia do tomador de crédito, emissor de um título ou contraparte de uma transação, ocasionando uma diminuição no valor de suas obrigações. Este risco pode acontecer em uma transação tipo aquisição de ações ou de títulos soberanos que podem perder valor. Risco Soberano: risco de perdas envolvendo transações internacionais - aquisição de títulos, operações de câmbio - quando o tomador de um empréstimo ou emissor de um título não pode honrar seu compromisso por restrições do país sede. RISCO OPERACIONAL A abordagem de risco operacional como uma categoria de riscos separada, com processo de gerenciamento próprio, é recente na maioria das instituições, apesar de, em 1997, o documento denominado Core Principles for Effective Banking Supervision já reporta sobre esse risco. Em setembro de 1998, Comitê de Basiléia realizou uma pesquisa com trinta grandes bancos de países membros do Comitê para identificar como estava sendo tratada a questão dos riscos operacionais e concluiu que muitos não sabiam ao certo do que se tratava. Entendiam risco operacional como qualquer risco não caracterizado como risco de crédito ou de mercado, cuja principal fonte seria deficiências dos controles internos e/ou governança corporativa. O risco operacional está associado à deficiência nos controles internos de uma instituição e é oriundo, principalmente, de três fatores-chave - pessoas, tecnologia e processos - materializando-se por erros humanos, fraudes praticadas por terceiros e por empregados, falhas nos sistemas informatizados e por procedimentos inadequados. Como esse risco varia de acordo com as especificidades tamanho, volume de negócios, mercado de atuação, qualidade dos recursos de uma instituição, é comum encontrarmos definições adaptadas a situações reais, ou seja, ao projeto de gestão de risco da instituição. Na literatura, encontra-se alguma variação, porém dentro de um núcleo comum. Figueiredo apud Kingsley (2001), dizem que risco operacional é o: Risco de perdas causado por falhas nos processos operacionais, ou nos sistemas que os suportam, incluindo aquelas adversidades que afetam a reputação, bem como execução legal de contratos e reivindicações. O Comitê de Basiléia define riscos operacionais como: Risco de perdas diretas ou indiretas resultantes de falhas ou inadequação nos processos internos, pessoas sistemas ou de eventos externos. Qualquer que seja a definição adotada, o risco operacional não é algo de novo do dia-a-dia das instituições financeiras. Sempre existiu. É inerente à operacionalização diária dos processos e negócios de uma empresa, porém, durante um longo tempo, não foi visto como algo problemático, pois se costumava perceber apenas aqueles eventos de grandes perdas que acontecem com muito baixa freqüência, e que são normalmente absorvidos pela empresa, com conseqüentes prejuízos aos acionistas, ou, em caso extremo, repassado ao governo e à própria sociedade. RISCO LEGAL O risco legal faz parte das exposições a riscos das instituições financeiras, porém não existe ainda uniformização quanto a conceito e abrangência. O Consultative Document Operacional Risk (2001) diz que o risco legal está contido no conceito de Derivativos que são produtos financeiros que se derivam de outro ativo, que pode ser uma commodity, taxa de câmbio, taxa de juros ou um índice de preços. Esses produtos foram criados para serem instrumentos de gestão de risco. Segundo Silva (1999), os derivativos não são normalmente usados para a negociação ou comercialização de produtos e serviços, mas para alterar a característica do risco do caixa ou da carteira de uma empresa, em face de possibilidade de alteração no valor do ativo base da carteira. Hedge é uma operação feita com utilização de derivativos que minimiza a possibilidade de perdas futuras e, em contrapartida, também minimiza a possibilidade de ganhos. Silva (1999) define como operação que tem por objetivo diminuir o risco de determinada posição de caixa, estoque, ou até mesmo outra operação. Swaps é a estratégia financeira através da qual duas partes acordam trocar fluxos de pagamentos futuros, sem intercâmbio de principal. O swap é uma espécie de derivativo. Duarte. (1999) consideram risco legal como uma categoria à parte e apresentam a seguinte definição: Medida numérica da incerteza dos retornos de uma instituição caso seus contratos não possam ser legalmente amparados por falta de representatividade e/ ou autoridade por parte de um negociador por documentação insuficiente, insolvência ou ilegalidade. Na mesma linha Duarte (1999) trata risco legal como uma categoria separada do risco operacional e apresenta a seguinte definição: O risco legal é a possibilidade de sanções por parte de órgãos fiscalizadores de correntes da inobservância de leis e regulamentos que disciplinam o funcionamento das empresas, incluindo obrigações fiscais e societárias. As diferenças conceituais apresentadas pelos autores podem ser explicadas pela diversidade de aspectos que apresenta o risco legal. A subclassificação do risco justifica essa diferença: Risco de Contrato: risco advindo da incerteza dos retornos em face dos contratos não estarem legalmente amparados em função de documentação insuficiente ou fora dos parâmetros legais, por exemplo: pessoas que assinam contrato sem estarem habilitadas; não execução pronta de garantias; cláusulas em contratos de terceirização colocadas de forma a permitir interpretação dúbia. Risco Tributário: risco por perda em face de interpretação equivocada da incidência de tributos. Por exemplo: novas contribuições sobre receitas não mais sobre lucros, criação de impostos novos sobre ativos e/ou produtos. Risco de Legislação: possibilidade de perdas decorrente de sanções por órgãos. RISCO DE MERCADO O risco de mercado pode-se dizer, surge como conseqüência do crédito e se potencializa pela sofisticação e complexidade dos produtos financeiros oferecidos e pela diversidade e instabilidade dos mercados de atuação, o que pode levar os bancos, em suas transações de intermediação financeira, a manterem posições passivas e ativas não coincidentes em taxas, prazos ou moedas, levando-os a sofrer prejuízos em função deste descasamento. Este tipo de risco se apresenta de várias maneiras como: Risco de Taxa de Juros: representa a possibilidade de perda financeira em função de variações das taxas de juros - flutuação das taxas de juros sobre as aplicações e captações, no mercado financeiro, em função das políticas macroeconômicas e turbulências do mercado. Risco de Taxa de Câmbio: representa a possibilidade de perda financeira em decorrência de variações na taxa de câmbio como descasamento em carteira indexada a alguma moeda estrangeira. Risco de Liquidez: representa a possibilidade do Banco não ter condições de cumprir suas obrigações financeiras, seja por substanciais desencaixes no curto prazo, escassez de recursos ou, ainda, pela incapacidade de se desfazer, rapidamente, de uma posição, devido às condições de mercado. O BACEN, na Resolução 2804/2000 define como risco de liquidez a: Ocorrência de desequilíbrios entre ativos negociáveis e passivos exigíveis descasamentos entre pagamentos e recebimentos que possam afetar a capacidade de pagamento da instituição. Risco de Derivativos: possibilidade de perdas devida ao uso de derivativos, para especulação ou para hedge, como variações no valor de posições compradas de contratos de swaps, títulos no mercado futuro e a termo de opções. Risco de Ações: possibilidade de perdas em função de mudanças no valor de mercado das ações componentes de uma carteira. GESTÃO DE RISCOS As instabilidades inerentes ao mercado financeiro - alta volatilidade das taxas de juros e câmbio, grande interligação dos mercados - etc., aliadas ao aumento das transações com derivativos, à ousadia de alguns traders e especuladores, às fragilidades nos controles internos em algumas instituições, potencializam riscos no sistema financeiro, podendo provocar perdas não só aos acionistas e controladores das instituições, mas, aos governos, quando têm de intervir nas instituições, e aos clientes, quando seus ativos perdem valor ou liquidez. O sucesso de longo prazo da empresa é a função de sua capacidade de oferecer os produtos demandados pelos clientes com o nível de quantidade desejado, a um custo que permita rentabilidade adequada aos acionistas, remunerando a contento os riscos associados. O resultado de uma organização decorre de sua disposição para assumir riscos; a qualidade da gestão desses riscos determina sua habilidade de atrair créditos. A eficaz administração de riscos direciona as ações no sentido de diversificar ou eliminar riscos desnecessários, que não geram recompensa. Modelos adequados de controle de riscos orientam a eliminação de riscos excessivos enquanto possibilita a maximização dos retornos do banco, otimizando a relação risco retorno (Securato, 1999). Pode-se afirmar que a base na análise dos fatores de riscos da instituição é a identificação de seu perfil de riscos em relação a cada um deles, que pode ser obtido medindo-se a variação do valor da instituição para diversos níveis de preços de cada fator de risco. Apenas recentemente começaram a se difundir metodologias que procuram sanar as deficiências dos modelos tradicionais, utilizando os princípios da Teoria de Carteiras e procurando determinar uma única medida para representar todos os riscos incorridos pela empresa de forma a possibilitar comparações e a integração desses riscos. As estratégias e políticas para gerenciamento de risco devem estar em consonância com a estratégia e política global de gerenciamento de risco da instituição, ser concebidas a partir da análise dos ambientes externo - clientes, parceiros, panorama regulatório - e interno - entendimento dos negócios, capacidade operacional e apetite para risco - considerar a estratégia de negócios da empresa, o escopo e aplicação da política de gerenciamento de riscos e os recursos alocáveis, visando alcançar todos os negócios e processos da empresa, para o que necessita contemplar: instrumental que estimule cultura de controles; ações que dê identidade formal às práticas de gestão de risco para toda a instituição; definição de responsabilidade; mandato formal às funções da estrutura organizacional e; o direcionamento ao processo de gerenciamento do risco, em si. Para tanto é necessário que estejam: de acordo com os objetivos estratégicos, perfil de negócios e níveis de riscos assumíveis pela instituição; aprovadas pela alta administração; comunicadas e totalmente compreendidas por todos os membros da instituição. COMO PREVINIR, CONTROLAR OU MITIGAR OS RISCOS. Completando o ciclo do processo de gerenciamento de risco, uma criteriosa e constante ação de monitoração se impõem, tanto para avaliar se as ações propostas para minimizar o risco foram executadas, como para mensurar a eficácia dessas ações. Dependendo da estrutura organizacional e divisão de responsabilidade sobre o controle, essa monitoração pode ser feita pela unidade/função de risco e pela auditoria interna. Além desse trabalho conjunto de monitoração, a auditoria interna deve realizar revisões regulares com o objetivo de avaliar o ambiente de controle e testar a eficácia dos procedimentos implementados e assegurar que as atividades da instituição estão sendo conduzidas em conformidade com as políticas de gestão de risco e controle. O resultado dessa análise deve ser comunicado à alta direção, para auxiliá-la na condução e controle dos negócios, e aos gerentes executivos para conhecerem o grau de execução dos controles e a sua eficácia na minimização de falhas. Os relatórios de risco precisam ter informações sobre: os riscos operacionais críticos enfrentados pela instituição; a eficácia dos planos de ação para minimização dos riscos, bem como seu estágio de execução; áreas ou situações de riscos iminentes. Essas informações servem também para realimentar o processo de gestão do risco operacional, dando subsídios ao redirecionamento de estratégia e políticas, aprimoramento do processo de gerenciamento, em si, e otimização da estrutura organizacional de suporte. Securato (1999) discorre que um modelo eficaz de controle de riscos de tesouraria deve atender os seguintes requisitos: Quantificação do Risco: O modelo deve possuir uma medida objetiva e mensurável que possibilite sua apuração independentemente de julgamentos subjetivos e que possa ser medida autônoma e concomitantemente por diversas áreas da empresa (tesouraria, controladoria, auditoria etc.) sem problemas de consistência. Unidade de Medida Única: Todos os riscos devem ser expressos numa única unidade de medida que permita compará-los e realizar, a partir daí, movimentações para reduzi-los, aumentá-los ou mesmo transferi-los de uma carteira a outra. Mediante o uso de uma mesma unidade de valor, torna-se viável realizar operações somando ou subtraindo riscos às várias posições da instituição. Visão Integrada: Deve ser viável a apuração de todos os riscos de mercados para cada carteira e sua consolidação, de modo a se apurar uma medida do risco global da instituição. Interação entre Mercados: O modelo em questão deve considerar interações e correlações entre os diversos mercados em que se possui exposição, possibilitando apurar efeitos da diversificação de riscos. Reflexo da Situação Atual dos Mercados; A medida de ricos deve considerar o cenário atual dos mercados e as variações viáveis de ocorrerem dados o ambiente em que se inserem as exposições da empresa. Efeito da Liquidez do Mercado: Deve ser considerado pelo modelo a facilidade com que se pode desfazer ou proteger as atuais posições, uma vez que a liquidez de mercado dos instrumentos com os quais se opera afeta o risco na medida em que, em cenários de menor liquidez, pode ocorrer à situação em que, acumulando prejuízos, haja o desejo de sair do risco e não se conseguir por falta de contrapartes com as quais operar. Desta forma, quanto mais tempo demorar em se reverter a exposição, maior o risco. Simulação de Situações Específicas: Deve tornar possível simular mudanças bruscas das situações desses mercados e avaliar seus impactos sobre o resultado. Apuração de Efeito no Valor da Instituição: A medida de risco deve explicitar os efeitos que o risco incorrido pode acarretar no valor da empresa. Controle e Avaliação do Modelo: Deve ser permitir, ao longo do tempo, acompanhar os resultados gerados pelo modelo para avaliar sua adequação e eficácia. Resultado Ajustado ao Risco: O modelo deve possibilitar o ajuste dos resultados das diversas áreas operacionais aos riscos em que eles incorrem, mediante a alocação de capital a ser remunerado por elas. CONCLUSÃO Assim como as pessoas que vivem e se relacionam com o ambiente externo expondo-se a diversos tipos de riscos patológicos, as instituições financeiras, por atuarem em um mercado onde as variáveis de risco dos negócios apresentam grande volatilidade, têm se especializado na gestão de seus riscos. Pelas mesmas razões, os órgãos reguladores têm se tornado mais exigentes com a gestão de riscos, passando a exigir que as instituições sejam capazes de identificar, medir, criar mecanismos de controles que possam minimizar os riscos próprios dos seus processos de negócios. Mais ainda, que destinem percentual mínimo de capital para suportar os riscos assumidos. Se alguém pudesse prever não existiria risco, pois ele está associado à probabilidade de fracasso de um dado evento. O investimento feito no mundo inteiro para quantificar o risco, principalmente após o crescimento assombroso do mercado de derivativos, tem sido da ordem de bilhões de dólares. Com o acordo da Basiléia, o modelo Risk Metrics do JP Morgan, e de alguns prêmios Nobel para pesquisadores nessa área, as formas de calcular o risco vêm melhorando a cada dia. Para conseguir a liderança no setor financeiro é preciso participar desse desenvolvimento, adaptá-lo a realidade da Gestão Estratégica da Organização, além de prover freqüentemente seus indicadores de excelência na Gestão de Riscos e não apenas importar os modelos prontos para aplicar na instituição, como se fossem receitas de bolo, que seguindo-se os dizeres do autor da receita, o bolo terá o mesmo formato e consistência em todos os lugares. BIBLIOGRAFIA BANK FOR INTERNATIONAL SETTLEMENTS. Core principles for effective banking supervision (1998). Produzido pelos membros do Comitê de Basiléia para Supervisão Bancária. 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