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Paris discute capital intelectual

Participantes de todo o mundo reuniram-se no Banco Mundial em Paris dia 20 de Junho para discutirem o capital intelectual dos territóriosna economia do conhecimento. Membros de Portugal e Brasil estiveram presentes. Janelanaweb.com esteve também presente.

O TRIUNFO DOS LOBOS SOLITÁRIOS

Participantes de todo o mundo reuniram-se no Banco Mundial em Paris dia 20 de Junho para discutirem o capital intelectual dos territóriosna economia do conhecimento. Membros de Portugal e Brasil estiveram presentes. Janelanaweb.com esteve também presente.


Principal conclusão do evento: Um grupo de países pequenos e médios espalhados pelo mundo conseguiram destacar-se no final do século XX como as mais bem sucedidas transições para a economia do conhecimento que irá dominar o século actual. Em comum, poderá estar uma postura de lobo solitário, cultivador da sua identidade, mas pragmático, cosmopolita e aberto à globalização.


O título «O triunfo dos lobos solitários» pode parecer bizarro aos leitores. Mas foi a metáfora escolhida por um economista do Banco Mundial (BM) para explicar a razão da Finlândia ser número um no grau de preparação para a economia do conhecimento um indicador construído pelo Instituto daquele Banco. Segundo a ferramenta desenvolvida pelo programa Conhecimento para o Desenvolvimento do BM e disponível em www.worldbank.org/kam - aquele país escandinavo surge como o quase modelo perfeito nas 14 variáveis estudadas ligadas ao conceito de economia do conhecimento.

A explicação é paradoxal: «A Finlândia faz lembrar um lobo solitário. No plano cultural, conseguiu, num dos extremos da Europa, conciliar as culturas do Ocidente e da Ásia. Desenvolveu um pragmatismo excepcional e um sentido comunitário muito forte, o que lhe permitiu um grau de identidade assinalável e um consenso para a estratégia definida quando se abriu a janela de oportunidade», explicou Jean-Eric Aubert na primeira Conferência Internacional sobre Capital Intelectual das Comunidades na Economia do Conhecimento, organizada por Ahmed Bounfour e Leif Edvinsson com o apoio do Banco Mundial, que decorreu esta semana em Paris.

O mundo é plano

Esta metáfora do lobo solitário, roubada à antropologia, foi, depois, estendida pelo economista do BM à ideia de espírito de ilha aberta, que teria impulsionado os ingleses na Revolução Industrial e na primeira vaga de Globalização capitalista, os japoneses nos anos 1970 e 1980 e, de seguida, outros países pequenos e médios espalhados pelo mundo, como a Coreia do Sul, Taiwan, Singapura, Irlanda e Finlândia, que apresentam, hoje, um grau de preparação elevado para a economia do conhecimento. Leif Edvinsson, o inspirador da corrente do capital intelectual dos territórios, agregaria que o ponto forte destes lobos solitários é o seu capital relacional, a sua capacidade geo-estratégica «de actuar na zona da penumbra, de descobrir, no globo, os vizinhos certos, estejam eles onde estiverem, já que o mundo hoje é plano». Jay Chatzkel, autor norte-americano ligado às revistas da especialidade neste tema, e um apaixonado de Portugal, diria, na Conferência que «os portugueses de Quinhentos foram os primeiros a perceber esta postura estratégica».

No entanto, cultivar esta liderança não é fácil. Depois de uma década do fenómeno finlandês, as vulnerabilidades começam a vir à tona. A investigadora Pirjo Stahle, da Universidade de Lappeenranta, na fronteira com a Rússia, interrogar-se-ia sobre a dependência extrema da performance finlandesa em relação à Nokia (21% das exportações, 35% da investigação, cerca de 3% do PIB), «um caso único no mundo». Os coreanos do sul, por isso, ressaltam a sua maior base de apoio num leque de multinacionais e a sua aposta muito forte em «novos indicadores da economia do conhecimento», ligados ao capital relacional a sua rede de diáspora mundial de quadros e empreendedores de alto nível, o desenvolvimento do governo electrónico, a massificação da banda larga e do sem fios. «Taipé, argumentou Se-Hwa Wu, reitor do Colégio de Comércio da Universidade Nacional Chengchi, é a cidade mais móvel do mundo. Cafés e bibliotecas são hoje o maior ponto de encontro mundial sem fios».

O segredo nórdico

A OCDE trouxe a esta Conferência o debate sobre o segredo nórdico em matéria de economia do conhecimento. Numa abordagem diferente da do BM, com um leque de indicadores mais estreito, os estudos desta organização internacional têm salientado a liderança de três países Suécia, Dinamarca e Finlândia. Para além do esforço em formação bruta de capital fixo (FBCF), estes países deram um salto muito assinalável no investimento em conhecimento entre 1995 e 2001, em particular nas vertentes da investigação & desenvolvimento pelas empresas e no aproveitamento da revolução da informação. O seu esforço neste capítulo foi o triplo ou o quadruplo do realizado em FBCF, ao contrário do que sucedeu em Portugal, o país da OCDE estudado onde a dinâmica foi mais acentuadamente a inversa (ver gráfico), segundo o estudo apresentado por Mosahid Khan, economista daquela organização.

Numa análise mais fina, utilizando a ferramenta do Banco Mundial para uma comparação entre Portugal e a Finlândia (http://info.worldbank.org/etools/kam2005/weighted/scorecard_std_modes.asp), verificamos que os pontos mais fracos do nosso país se situam a nível das patentes e da iliteracia na população acima dos 15 anos.




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