Paradoxo da miséria

RESENHA CRÍTICA: ARTIGO PARADOXO DA MISÉRIA - RICARDO MENDONÇA (REVISTA VEJA - 23/01/02) Realmente não dá para acreditar, temos em nosso país cerca de 23 milhões de pessoas vivendo em estado de miséria e 30 milhões entre a linha da pobreza e miséria. Pessoas que vivem sem ter o mínimo para sobreviver, como se fossem "vira-latas", que ficam perâmbulando pelas latas de lixo atrás de comida. O que mais me impressiona nisto tudo, é que nos últimos 25 anos, o PIB aumentou 85 %, o número de domicílios com televisão aumentou 150 %, o total de residências com telefone triplicou e a frota de veículos mais que duplicou, já o estado de miséria quase permaneceu inalterado, antes era de 17 % (18 milhões) e atualmente algo em torno de 14,5 % (23 milhões). E o que ainda é mais absurdo, dos 21 % do PIB que é investido na área social, os pobres ficam com a menor fatia desses recursos. Além de possuirmos um país onde a concentração de renda fica com a menor parte da população, os investimentos sociais também ficam com essa minoria privilegiada, da qual todos nós fizemos parte. Portanto, percebemos, que os recursos financeiros existem, o país é extremamente rico, mas infelizmente as pessoas que estão no poder, cada vez mais se preocupam em levar vantagem, roubar, desviar verbas destinadas, em tese, aos investimentos básicos: educação, saúde, saneamento básico O termo criado pelo economista Edmar Bacha nos anos 70, onde intitulava o Brasil de Belíndia, é cada vez mais adequada com a realidade brasileira, pois temos um país cada vez mais rico (Bélgica), e ao mesmo tempo temos um país cada vez mais pobre e miserável como a Índia. Portanto é como se tivéssemos, aqui no Brasil, dois países: o BRASIRICO e o BRASIPOBRE. Os miseráveis sobrevivem em condições subumana, totalmente excluídos do desenvolviemento da sociedade como um todo, seu único objetivo, passa a ser à luta feroz pela sobrevivência, sem nenhuma perspectiva de crescimento. Para que possamos mudar esse quadro drástico da nossa sociedade brasileira, é fazer como alguns países da Ásia fizeram, uma sociedade com uma justa distribuição de renda, investimentos maciços em educação, saúde e reforma agrária. Com estas fórmulas utlizadas por estes países, Hong Kong, Coréia do Sul, Cingapura e Tawian, conseguiram controlar os problemas sociais, e atualmente estão bem a frente em relação a este ponto. Um grande problema existente é que aqui o dinheiro existe, o país é muito rico, só que o destino que é dado para o dinheiro é que devemos contestar. Nunca no Brasil, se investiu tanto na área social como nos dias de hoje, mas onde é que estão estes 21 % do PIB, aí que está o ponto, onde foi parar o dinheiro?
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